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17 de dezembro de 2011

Portugal não merece certos homens

[i] Essa ideia – que passou também pela construção de muitas auto-estradas ou dos estádios de futebol – é uma ideia nossa ou um problema europeu?
[GRT] É um problema muito nosso, de não fazer um planeamento coordenado. Temos auto-estradas, mas não temos caminhos locais de relação com a vida local. Vê-se a vida passar na auto-estrada, mas não se sente. Desprezamos as aldeias porque não fazem parte desse modelo. O próprio povoamento do país não faz parte desse modelo e portanto não há que tratar sequer da sua dignidade como pessoas. É preciso que acabem.
Entrevista de Gonçalo Ribeiro Telles, ao i

4 de março de 2011

A sangria das estradas: a propósito de Entre-os-rios.

Via José Manuel Fernandes/facebook (c) Público


Acabo de ouvir, na rádio, um destes políticos do interior, oficial camarário com mentalidade paroquial, a falar do desenvolvimento da terra, hoje lembrada pela tragédia de há 10 anos em Entre-os-rios. Segundo ele faltam ainda as acessibilidades - sempre as acessibilidades, só as acessibilidades. Que se demora mais de uma hora a chegar ao Porto, a apenas 50 quilómetros de distância. Quem for entrevistar os políticos vizinhos, a Cinfães ou Resende, Marco de Canaveses ou Baião, ouvirá o mesmo, que faltam acessos, estradas, acessibilidade. A conversa é tão monótona como a bagagem cultural desta gente.
O cúmulo desta estupidez plasmou-se no ordenamento pós-Entre-os-rios: onde existia uma ponte que caiu devido à incúria dos organismos públicos, construíram-se 2! como uma espécie de lenitivo pela desgraça...
Falemos a sério: desde os anos 80 que o país se cobre de asfalto. Já temos 3 autoestradas paralelas, de norte a sul do país. Falta axadrezar o interior com vias rápidas, é certo. E depois? quando todo o país estiver coberto de vias? Estaremos melhor? É que, para já, a coisa piora de dia para dia, não obstante o investimento em estruturas viárias.
Estes mandantes com sotaque, pequenos régulos do caciquismo municipal, acham que o desenvolvimento maior do rincão que governam é ter rotundas com chafarizes, estradinhas e caminhos municipais ora asfaltados, ora empedrados e muitos sinais de trânsito. Entretanto, por aqueles caminho e por aquelas estradas, as pessoas continuar a migrar. O país sangra o país através das suas estradas. E ninguém vê isto?

18 de agosto de 2010

Mamarrachos ou obras do regime (1)


"Isto" é uma estrutura de cimento colocada sobre o leito do ribeiro que atravessa a cerca de Salzedas, no concelho de Tarouca, distrito e Viseu. Ao fundo vemos o edifício monástico cisterciense e o choque entre ambas as estruturas. O local onde me posicionei para fazer esta fotografia é outra habilidade arquitectónica que a Câmara ou a Junta de Freguesia engendraram para fazerem as casas de banho. Pois não existia outro lugar em Salzedas, que não sobre o leito do rio, para as fazer. Tarouca é, aliás, um município, onde bem público não rima com bom gosto,: em quase todas as rotundas há uma manifestação artística de carácter duvidoso, como umas esculturas monstruosas e horríficas dos santos padroeiros locais que a Câmara paga e a Igreja apadrinha, numa manifestação inócua de mau gosto e propaganda. Salzedas, sublinhe-se, é uma das Aldeias Vinhateiras, para onde se concentram parte dos dinheiros europeus para promoção do património cultural!

15 de maio de 2009

Os diálogos da cidade.

Os diálogos da cidade

(c) N.R. "Largo do Moinho de Vento, Porto, 2009

"Os diálogos da cidade"

Amanhã há por cá uma caminhada que tenho o gosto em ciceronear: "O Porto dos Escritores". Mas na preparação da mesma dei-me conta de que, por alguns dos sítios por onde vamos passar, não há nem gente, nem resquícios de uma cidade que ainda há vinte anos conheci, buliçosa e alegre. A Baixa está semeada de um pavimento granítico horroroso e de esterilidade. As paredes, pichadas com tags e grafitos com mensagens duvidosas. Esperando algum diálogo, um arquitecto menos dotado pensou em plantar as cadeiras que vêm na foto, em alguns largos. Na Batalha, a pouco e pouco, e por força do hábito, os mais velhos lá foram ocupando estes módulos, um pouco contra vontade, mas dominados pela retirada inexplicável dos antigos bancos de madeira e ferro. Noutros sítios o mais certo é, contudo, encontrarmos aquelas cadeiras sem amparo, vazias. § Esta desumanização tem tornado o Porto menos pessoal, mais fria, só para turista ver. Os portuenses, aqueles de pai e avô, são cada vez mais raros...