[i] Essa ideia – que passou também pela construção de muitas auto-estradas ou dos estádios de futebol – é uma ideia nossa ou um problema europeu?Entrevista de Gonçalo Ribeiro Telles, ao i
[GRT] É um problema muito nosso, de não fazer um planeamento coordenado. Temos auto-estradas, mas não temos caminhos locais de relação com a vida local. Vê-se a vida passar na auto-estrada, mas não se sente. Desprezamos as aldeias porque não fazem parte desse modelo. O próprio povoamento do país não faz parte desse modelo e portanto não há que tratar sequer da sua dignidade como pessoas. É preciso que acabem.
17 de dezembro de 2011
Portugal não merece certos homens
4 de março de 2011
A sangria das estradas: a propósito de Entre-os-rios.
18 de agosto de 2010
Mamarrachos ou obras do regime (1)
15 de maio de 2009
Os diálogos da cidade.
(c) N.R. "Largo do Moinho de Vento, Porto, 2009
"Os diálogos da cidade"
Amanhã há por cá uma caminhada que tenho o gosto em ciceronear: "O Porto dos Escritores". Mas na preparação da mesma dei-me conta de que, por alguns dos sítios por onde vamos passar, não há nem gente, nem resquícios de uma cidade que ainda há vinte anos conheci, buliçosa e alegre. A Baixa está semeada de um pavimento granítico horroroso e de esterilidade. As paredes, pichadas com tags e grafitos com mensagens duvidosas. Esperando algum diálogo, um arquitecto menos dotado pensou em plantar as cadeiras que vêm na foto, em alguns largos. Na Batalha, a pouco e pouco, e por força do hábito, os mais velhos lá foram ocupando estes módulos, um pouco contra vontade, mas dominados pela retirada inexplicável dos antigos bancos de madeira e ferro. Noutros sítios o mais certo é, contudo, encontrarmos aquelas cadeiras sem amparo, vazias. § Esta desumanização tem tornado o Porto menos pessoal, mais fria, só para turista ver. Os portuenses, aqueles de pai e avô, são cada vez mais raros...

