Poderá haver quem não saiba que o México já teve um imperador europeu ou que os Estados Unidos tenham uma das maiores associações pró-monárquicas do Mundo. Poderá haver quem não queira saber que 12 dos 20 primeiros países com o mais elevado Índice de Desenvolvimento Humano são monarquias (depois de verem a lista e dizerem que não podemos incluir a Austrália e o Canáda, gostaria de frisar que a chefe de Estado de ambos é a rainha de Inglaterra), e que os Países Baixos (incluídos na lista) têm a sociedade mais liberal, vanguardista e mais socialmente à esquerda que se conhece para um país democrático. Pode haver quem não recorde, sequer, de Hailé Salassié (1892-1975), último imperador da Etiópia. Mas o que talvez não saibam é que foi este senhor e a sua casa imperial, herdeiros do cristianismo copta em África, que deram origem ao movimento rastafari e que ajudaram à promoção do movimento reggae e rasta que teve em Bob Marley o seu maior profeta. Ao que parece, «o movimento surgiu na Jamaica entre a classe trabalhadora e camponeses negros em meados dos anos 30, iniciado por uma interpretação da profecia bíblica em parte baseada pelo status de Selassiê como o único monarca africano de um país totalmente independente e seus títulos de Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Conquistador do Leão de Judá, que foram dados pela Igreja Ortodoxa Etíope» (extraído da wikipédia, logo, fonte não segura). De facto o imperador apresentava-se como Ras Tafari Makonnen (sendo Ras o equivalente ao título de «príncípe»). E a bandeira imperial que aqui damos à estampa, tem as cores bem conhecidas do movimento reggae: o verde, o amarelo e o vermelho. Como saberão, os apoiantes do movimento rastafari usam a erva como elemento de um ritual; seguem um estilo de vida muito naturalista e vêm de vários quadrantes ideológicos, acreditando que Hailé Selassié foi o messias descendente de Cristo que vinha libertar os povos africanos. § Portanto, da próxima vez que associarem Monarquia com valores ou concepções de Direita pensem bem. Não vá ter sido um rei ou uma rainha que tenha abolido a escravatura, ou seja a favor das uniões homossexuais, ou fume uns charritos de vez em quando! Se o presidente Lula da Silva é alcoólico, se o Miterrand tinha amantes ou se o nosso presidente Manuel Teixeira Gomes gostava dos rapazitos do norte de África, porque é que os monarcas e príncipes não podem ser party people?
