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10 de julho de 2017

Incongruências de ontem e ...de hoje.

«Veja-se os republicanos no seu periodo de força sympathica, venho a dizer quando ainda não tinham mostrado essa ancia do poder sem escrupulos que lhes trouxe aos annaes o regicidio, e quantos hymnos á gloria do Buissa depois revelaram esse «partido» avançado, adversário da pena de morte [...]»

Fialho de Almeida, 1909.
(Em prefácio a Chouzal, Bernardo, cónego - «Regícidio e Regnicídio: o crime do Terreiro do Paço». Lisboa: [Livraria Ferreira editora], 1909.

18 de dezembro de 2010

O que diz um semi-presidente?

Ontem, um amigo meu perguntou-me se ia ver o debate entre Cavaco Silva e Fernando Nobre. Mas...o que há realmente para ver ou ouvir num debate deste género, seja entre Silva e Nobre, Lopes e Alegre? O que há para dizer num debate entre candidatos a uma república não presidencialista, em que o seu papel se resume a uma tentativa de moderação, uma aparente independência e a uma discreta representatividade do país que, em parte, o elegeu? Se vivêssemos numa república presidencialista compreenderia a relevância da discussão. Haveria um plano de governo a discutir, estariam sobre a mesa as medidas de execução e gestão de um país. Mas uma conversa entre dois senhores que se propõem cumprir a Constituição, isso e só isso, não é serão que me cative. Por que todos nós sabemos, e bem que, nem Cavaco acabará ou abrandará a Crise, Alegre se substituirá ao Governo, nem Nobre salvará os pobres e oprimidos. A única coisa significativa que ouviremos do novo presidente é: Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa. Nos anos que se seguirão à posse as suas funções estarão quase ao nível, confrangedor aliás, de um presidente de junta.

30 de janeiro de 2010

Notícias da Mui nobre e sempre leal


Palácio do Conde de Vizela

O que Serralves tem a ver com o 31 de Janeiro?
Nada. Ligada à figura de dois aristocratas - Carlos Alberto Cabral e Delfim Ferreira, respectivamente Conde de Vizela e Conde de Riba d'Ave - o espaço de Serralves associa-se ex nihilo às Comemorações do Centenário da República. Lucra com isso, é óbvio e já percebemos que em Serralves o que interessa é fazer dinheiro, a qualquer custo.
Entretanto, 4 artistas querem comer da mesma malga: Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, Rui Reininho e Sérgio Godinho. Vão cantar os gloriosos feitos republicanos. O primeiro vem dizer que «É o povo quem exerce a soberania». Se assim fosse não era o Rui a ser contratado, mas o Quim Barreiros.


O banqueiro portuense Artur Santos Silva é mais monárquico do que pensávamos, afinal. Filho e netos de republicanos, tem orgulho nas suas raízes burguesas e revolucionárias. Do avô chapeleiro, ao pai político até à banca de A. Santos Silva, vemos como a hereditariedade conta. Mas isso já o sabíamos por Mário Soares a quem sucederá no reino de influências e prestígio o filho João Soares, ou no casos das filha quer de Almeida Santos, quer do do acérrimo do historiador republicano Carvalho Homem, etc etc. Quem sai aos seus não degenera, e é verdade. Esta é a nossa república de pais e filhos, de pequenos reinos de influência e poder. Hoje, em vez de uma família para sustentarmos, temos muitas. E são bocas que se alimentam bem.


E os Tripeiros o que terão a dizer acerca disto?
Provavelmente nada. Não é com festejos e recriações históricas que esta república doutrinará. Na segunda-feira, ninguém se lembra do 31 de Janeiro de 1891, porque para quem tem que se levantar ás 6hs da manhã, e tem prestações para pagar ao fim do mês, o relambório propagandista, mesmo à custa de 10 milhões de euros, não conta para nada. Vão ser necessário muitos anos de celebrações, de lavagem cerebral dos nosso alunos para criar republicanos em Portugal.

12 de janeiro de 2010

Sumário da ideia de República em Portugal.




Sejamos francos, todos nós, monárquicos, republicanos ou indiferentes: esta não é a melhor altura para gastar 10 milhões de euros em comemorações. Partindo da serenidade deste pensamento, vamos ao que interessa: Portugal deve, ou não deixar de ser a República que é desde 1910

Talvez não consideremos necessária a imediata alteração do regime, mas tal não pode dever-se a opiniões estapafúrdias do género “as monarquias não são democracias”, ou “a república é o melhor e o mais justo regime”. Basta olhar à nossa volta para perceber que nenhumas destas asserções é verdadeira. Se assim fosse, estaríamos a colocar a Suécia, a Holanda, a Noruega e tantas outras monarquias, ao nível de ditaduras ou regimes pouco honestos. 
Se algum mérito há a atribuir às comemorações do Centenário da República é o de que precisamos de debate. Podemos não precisar de um regime novo, como sustentam alguns, mas precisamos, com certeza, de eliminar preconceitos e estereótipos em relação, respectivamente, às noções de monarquia e república.
Desde logo a República Portuguesa funda-se em ideais muito pouco democráticos. Estafado o lema francês, jacobino e maçon da Liberdade, Igualdade e Fraternidade para qualificar momentos pouco edificantes do republicanismo em Portugal, de que é testemunho maior o período da Primeira República. 

Não interessava a qualquer um dos republicanos, ainda em monarquia, que o regime fosse derrotado com serenidade. Prova-o a forma como D. Carlos e o seu filho D. Luís Filipe foram sumariamente executados em plena praça pública. A República intelectual atacava na imprensa (sobretudo através da caricatura, poderosa arma num país de analfabetos), nos municípios e no Parlamento. E cabia aos sicários, - a ralé armada, braço terrorista dos intelectuais -, por em prática os desejos mais tenebrosos. Um plano de tomada do poder não podia, por isso, ser feito em pezinhos de lã. 
Primeiro, não havia condições para electrizar o eleitorado. Se há culpas a imputar aos políticos da Regeneração é o de que o plano da educação pecou por tardio. Um país de iliteratos, de analfabetos, é muito mais fácil de dominar do que um território de cérebros instruídos. A República sabia-o e aproveitou-se disso ao comunicar ao resto do país a mudança de regime por telégrafo. Por isso, devemos desconfiar da ideia de que república foi uma revolução do povo. Pode não ter tido a oposição dos monárquicos e estes serem, de facto, uma pequena percentagem da população do país, mas é muito difícil acreditarmos que, a 4 de Outubro de 1910, Portugal fosse um país de republicanos. Ontem, como hoje, a realidade não pode ser mascarada: somos um país de abstencionistas, de indiferentes.
Por outro lado, os republicanos sabiam bem que o Reis constitucionais eram amados, se não pela grande massa (a da indiferença), pelo menos por uma grande parte da intelectualidade portuguesa, mesmo a que se encontrava ligada a sectores da Esquerda, nomeadamente ao Socialismo. D. Carlos fazia parte dos Vencidos da Vida, unia-o aos desiludidos a incapacidade de renovar cultural e socialmente Portugal. Só havia um caminho: eliminá-lo. A morte de D. Carlos e do príncipe herdeiro nunca pesou na consciência revolucionária dos teóricos do regime. Para eles, fora algo necessário. Herdeiros legítimos do sangue da Revolução Francesa, pedia-se aos carbonários a cabeça régia, como fez o exacerbado Afonso Costa, aos berros, no Parlamento, e eles -força bruta e sanguinária- davam-lha.
A República é uma obra de minorias, por um lado, de um punhado de literatos inflamados e, por outro, de um conjunto de operários ressabiados e electrizados por uma mistura de ódio às humildes origens, ao cura e ao proprietário abastado (ver o caso de Aquilino Ribeiro). Lisboa fez a revolução, o Porto subscreveu-a e o resto do país, na sua proverbial indiferença, aceitou-a como fizera ao longo de todo o século XIX ao aceitar a dança das cadeiras no parlamento.

E eis-nos na questão essencial: a monarquia não caiu por culpa dos monárquicos. A monarquia vacilou, tremeu e sucumbiu ao golpe duríssimo de 1 de Fevereiro de 1908 (e não à escaramuça de 5 de Outubro de 1910). A monarquia desgastou-se no rotativismo, na voragem para a qual foram atirados D. Luís e D. Carlos, confundindo-se o monarca e o político. De notar que os republicanos eram, na sua maioria, emergentes das fileiras do regime. Cansados de todo o tipo de rejeições, deixaram Progressistas e Regeneradores para tentar uma terceira via, muito mais condicente com a sua própria ideia de mérito próprio, nem sempre concordante com a do serviço à Pátria. O projecto reflecte esta ideia: substituir o rei pelo presidente, alguém que pudessem manietar e que pudesse ser, não a face de uma dinastia, mas de um ideal, que vogou ao sabor dos insultos e das agressões ao longo da Primeira República.
Se há algum mérito a retirar destas comemorações, é o de que podemos lucrar, pelo menos, com a discussão e o debate. Eliminar da nossa mitografia muitos estereótipos como os que ainda se podem ver aqui e ali, onde a nossa juventude mistura república e noções de nação e pátria, fazendo tabula rasa de séculos de História.
A República implantou-se à força, mas sem dificuldades, em 5 de Outubro de 1910. Alterou a legislação, mas foram os símbolos – numa época em que se apelava às identidades nacionais – como a bandeira, que mais contribuíram para consolidar a ideia de uma nova nação, surgida das cinzas monárquicas. Não o escamoteemos, temos sido alvo de lavagem cerebral, ao dizerem-nos, desde as cadeiras da primária, que as cores verde e vermelha são o símbolo da esperança e do sangue. Absurdo. Tais cores são tudo menos esperançosas, são o testemunho da presença das ideologias-base dos mentores positivistas do novo regime. Mas, é claro, para haver um novo regime, com estabilidade e confiança, é preciso reinventar a nação, eliminando ou reinterpretando os velhos símbolos.
Poderá nem haver disponibilidade mental ou económica para mudarmos o regime, mas nada impede que o coloquemos à discussão. Afinal, esse deveria ser o verdadeiro sentido da democracia. Ou a ética republicana, essa expressão que nada diz, está acima de qualquer ética? E a república, que se arroga a guardiã de tantos valores, não aceita o valor maior, o da verdade afinal não contemplada na trilogia francófila?

7 de janeiro de 2010

Quem conhece o estado da Cultura em Portugal, as dotações orçamentais para os Museus e para a salvaguarda do Património, as necessidades de milhares de licenciados desempregados ou com empregos precários, - mais ainda no tempo de crise em que nos encontramos -, a atribuição de dez milhões de euros para comemorar o regime chega a roçar os limites de um insulto atroz. Não digo que não se proporcionassem as devidas manifestações de júbilo pelo centenário da república - que muito aguentou, dados os tropeções que tem dado - mas a esta escala é coisa infame e pouco gloriosa. Basta olhar à nossa volta para perceber que há pouquíssimos motivos para justificar tamanhas festividades.

3 de janeiro de 2010

A História segundo o Bloco de Esquerda: terroristas ou galinhas?

[...] Jornal I - Para todos os efeitos, a Carbonária era uma organização terrorista...
Fernando Rosas: Não lhe chamaria assim... A expressão terrorista tem hoje conotações que não se adaptam exactamente à Carbonária. Punha bombas, realment
e. [...]

Fernando Rosas consegue dar um novo significado à expressão «pôr bombas». Ora se quem põe bombas não é terrorista, ou quem é terrorista não põe bombas, há anos que andamos enganados. Não eram terroristas, afinal. Eram galinhas que punham granadas e explosivos, em vez de ovos.

5 de outubro de 2009

O idealismo da República Portuguesa!




«Em nome da ascendência branca, os governos republicanos chegaram mesmo a dar cobertura à prática das maiores atrocidades alguma vez cometidas pelos portugueses em África. São elucidativos a esse respeito os relatos recentemente revelados sobre a campanha militar no sul de Angola em 1915, durante a qual o exército português avançou com ordens superiores para exterminar toda a população local, incluindo velhos, mulheres e crianças. Ora, quando esta bárbara política de genocídio foi discutida numa sessão secreta do parlamento, em 1917, o chefe do governo e líder do PRP [Partido Republicano Português], Afonso Costa, teve estômago para a defender, argumentando que «não nos deixamos mover por idealismos nem esqueçamos os conceitos e impressão dos pretos perante respeitos humanitários que ele[s] considera[m] como fraqueza ou pusilinâmidade». [citação extraída de MIRA, Ana (ed.), Actas das sessões secretas da Câmara dos Deputados e do Senado da República sobre a participação de Portugal na I Grane Guerra, Porto: ed. Afrontamento, 2002, pp. 115 e 148-53].

Rui Ramos, «O dia dos equívocos», 2004.

16 de julho de 2009

"Tempo de morrer": Eclesiastes, 3:2.


Todas as revoluções têm os seus mártires e, como em todas as batalhas, há mártires vencidos e mártires vencedores. Os vencedores sobem ao panteão dos deuses, coroados de louros. Os outros apodrecem sob lápides lisas. Da Revolução do 5 de Outubro de 1910 saíram mártires gloriosos, homens que hoje seriam anónimos e que só subiram as escadas do Olimpo porque a conjuntura foi favorável aos seus pares. Lembro por exemplo Miguel Bombarda, um suicida que hoje é comemorado na toponímia nacional apenas por ter sido republicano. Ora para essa "gloriosa" revolução acontecer houve sangue derramado: mataram o chefe de estado e o seu filho e quem saiu glorificado? Os algozes deste acto - não só Costa e Buiça, autores efectivos do crime, mas Aquilino Ribeiro e outros cujas mãos estavam tão ou mais sujas de sangue do que as daqueles dois pobres coitados arrancados à ignorância bruta por fanatismos de certos mandantes, instruídos na arte de bem escalar a pirâmide social. § No dia 6 de Outubro de 1910 Lisboa era republicana e o país foi-o sendo por telégrafo, não por convicção. Aliás, uma pequena parte dos obreiros da República seria republicana por desejo intrínseco. Como muitos dos adesivos ou "vira-casacas" que surgiram na política pós-1910, ser republicano era mais uma obrigação, do que uma aspiração com desígnios cívicos. Algo semelhante aconteceu depois do 25 de Abril de 1974. Há uma tendência inata para uma adaptação camaleónica na política portuguesa. Quem é hoje pode não ser não ser amanhã e, lá diz o lugar comum, mas invertido (porque estamos em Portugal) em política o que parece não é. §  Por isso os "heróis", às vezes mudam, conforme os ventos e poucos têm a coragem, a verticalidade de manterem-se fiéis aos seus princípios, mesmo que isso lhes custe a dignidade. Foi o caso nacional de Henrique de Paiva Couceiro, entre outros. § Mas hoje venho recordar uma figura algo excêntrica. Excêntrica por ser uma mulher num meio que se poderia pensar essencialmente masculino (é uma fífia, contudo, em Portugal, por exemplo, está por fazer uma História da política e da ideologia no feminino) e "excêntrica" pela idade com que faleceu, depois de ter perpetrado uma acção que lhe valeria a imortalidade. Refiro-me a Charlotte Corday, uma aristocrata francesa que aos 25 anos matou o monstro demagogo e autoritário chamado Jean-Paul Marat. § Jean Paul Marat era um louco, (se não patologicamente louco, pelo menos ideologicamente insano) a quem foi oferecida a pena de morte como método pedagógico da revolução. Ele não era apenas um dos "amigos do povo", era o Leviatão construído com os membros gigantes do povo à frente de um cérebro desproporcionado para tamanha besta. No furor da Revolução de 14 de Julho de 1789 e dos anos que se lhe seguiram, o que interessava menos ao povo era igualdade, fraternidade e liberdade. Uma vez solta aquela Besta disforme, ela clamava por sangue e na igualdade da biologia dos actos, o Povo, - aquele pretenso Povo fraterno - não queria sentar-se no trono, nem governar em consciência. Queria os veludos de Versalhes. Não podendo tê-los, contentava-se com sangue, que é na sua cor e na consistência das golfadas muito idêntico ao toque suave do veludo. § Charlotte a quem muitos imputam um papel menor, talvez  admirados com a "fragilidade" do seu género, executou Maray e fê-lo consciente do seu papel, do dos seus antepassados e, com certeza dos valores que herdara. Não se tratava de vingar facções do momento, mas deixar a mensagem clara e simples que a Revolução tomara o caminho da Morte. Era a única saída. Então, a Serenidade mata a Demagogia. Marat, banhado para aliviar o mal que lhe corrompia a pele, sucumbe a uma punhalada da Vestal. Ela é a verdadeira Mariana, símbolo de uma execução taliónica mas nem por isso menos justa aos olhos de uma época. J'ai tué un homme pour en sauver cent mille, dissera frente a um julgamento exemplar montado contra a "inimiga do povo". Se salvar uma vida é salvar a humanidade, o acto (hediondo é certo), do homicídio de Marat não pode ser visto como um exercício de salvação histórica?

9 de maio de 2009

Viva a República Portuguesa! ...- Viva o quê?

Nesta imagem, a República, já maternal e composta, pede por um Estado Forte.


A Comissão para as Comemorações para o Centenário da República Portuguesa vai gastar milhões de euros (leram bem, milhões) para levar a cabo um programa de relançamento da imagem do regime. O mesmo é dizer, vai branquear a História. Soube agora, pelo Estado Sentido, que o Terreiro do Paço onde D. Carlos e o Princípe D. Luís Filipe foram assassinados por dois fervorosos republicanos será o epítome deste maravilhoso mundo novo que eclodirá do 5 de Outubro de 2010. Embora considere as comemorações, acima de tudo um roubo (mais um a que nos habitou o regime e os seus governos), não me deixam particularmente aborrecido. Porquê? Simplesmente porque tudo ficará na mesma. Ou talvez não e sirva mais ao movimento monárquico esta onda de súbito republicanismo patriótico pois afinal de contas o momento não é o melhor para comemorar o que quer que seja. Entre despedimentos, a recessão e todo o aparato económico tecido à sua volta quem é que vai querer saber da República? De mais a mais já ninguém comemora o 5 de Outubro - é só sair à rua nesse dia e ver quem é que anda com bandeiras na mão, a celebrar o heróico feito de meia dúzia de oportunistas. A D. Maria que mora num apartamento nos subúrbios de Lisboa com 4 filhos para criar e com um marido doente, que sai de casa todos os dias às seis horas da manhã para apanhar 3 autocarros e o metro - isto tudo para ganhar menos de 500 euros - quer lá saber do centenário da República. Neste país sem rei nem roque aquela senhora meia despida há quase cem anos depois está quase pútrida e não vale um tusto furado. É preciso cobri-la de ouro - ouro que os seus contribuintes e cidadãos nem podem pagar - para exibi-la ante uma plateia de desinteressados.

12 de junho de 2008

A excessiva partidarização da democracia e o silêncio da verdade: ideias, não ideologias.

Já há algum tempo atrás que, em conversa com amigos, tem surgido a discussão sobre a necessidade de outro partido em Portugal. De todas as vezes tenho insistido no meu ponto de vista: a democracia, tal como está, repleta de clivagens ideológicas e em alguns casos à beira do abismo, pode ser salva pela entrega do poder ao povo. É óbvio que não digo isto numa perspectiva marxista. Digo-o com a necessidade de transferir a dominante cartelização em que se transformou o sistema democrático através dos partidos políticos, para o indivíduo comum. Talvez no caso de Portugal não estejamos suficientemente maduros para aceitar tal conversão. Mas de certeza que, se deixássemos este rotativismo miserável que traz este país no fio da navalha numa pluralidade consensual de opiniões, e de intervenção directa do cidadão - uma meritocracia em vez de uma mediocracia política - talvez o desinteresse da juventude nestas matérias não espantasse o Sr. Silva, filho do gasolineiro que nas horas livres come bolo-rei e diz disparates. Eu queria ver a coragem de um país que na sua assembleia de cidadãos efectivamente os ouvisse e deliberasse, não com base em orientações partidárias, mas em valores individuais e (ou) colectivos que exteriorizassem não ideologias, mas ideias. Deixo aos politólogos e a todos os teóricos da internet (a maioria dos blogues que eu leio todos os dias poderia dar uma ajuda) na concepção de uma sistema que admitisse esta distribuição do poder político unipessoal em detrimento do partidarismo obsoleto e condicionador. Eu, pela minha parte, gostava de poder lançar o desafio a quem pensa em agrupar-se para trabalhar por um país melhor: agrupem-se, sim, para pensarem por si e não pela cartilha de grupos ideológicos ou partidários. Se for para poder reconstruir este sistema de lóbis e cartéis, contem comigo. Caso contrário, um partido a mais ou a menos é só um partido.