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5 de março de 2010

O Livro das Caras

O facebook é um lugar extraordinário. Um dos mais populosos países do mundo, segundo as estatísticas. Há gente para tudo, como em todos os países. Mas a coberto de um domínio do seu mundo, algumas pessoas soltam o seu mais pérfido desejo de ofender, de dominar pela acusação. Porque aqui não há polícia, nem prisão efectiva. Quando muito uma expulsão, logo substituída por um regresso anónimo ou heterónimo. Por isso o facebook é um dos melhores locais para se ser o alter ego, para se dizer o que se não diz em público, geralmente por forças das convenções e...por falta de coragem. Não me refiro apenas a ateus, anarquistas ou associais para quem os inimigos são todos os outros menos a sua consciência. Para esses autistas que apregoam a libertação da Razão com o aprisionamento do Homem, a verdade é apenas solidária enquanto rede de raiva e ódio - o cimento que cola provisoriamente uma rede de consciências solitárias. Refiro-me, acima de tudo, a pessoas que canalizam a sua angústia contra ideias, pessoas, causas que, ou conhecem mal, ou não conhecem de todo. Os fóruns do facebook estão repletos de momentos pouco edificantes da sinceridade humana. O mais preocupante nem são as mensagens vazias de desprezo sobre A ou B. São as invectivas repletas de sadismo e ódio que a ignorância destila em forma de intolerância. Há gente que grita contra a homofobia mas é profundamente heterofóbica, numa altura em que a orientação sexual e a sexualidade são, cada vez mais, um empastelado de emoções. Também há homofóbicos que gritam contra um ideal que não conseguem cumprir. Os não religiosos não coexistem em paz. Querem a destruição dos símbolos e a morte dos líderes. Talvez querendo a paz para eles à custa da violência para todos os outros, esquecendo-se que a culpa do que os homens fazem, ainda que sob a desculpa de um deus, não é de deus, mas dos homens. Os activistas pró-animais, pró-ambiente, não vivem, ao contrário do que dizem, num equilíbrio harmónico, mas numa luta constante para que o homem ceda em detrimento de um éden que nunca existiu nem nunca existirá. Pelo menos enquanto a humanidade existir. Em suma: quanto mais se apregoa a mensagem "todos diferentes, todos iguais", mais se acentuam as diferenças e a desigualdade. O facebook é um microcosmos onde se antevê o desejo final de destruição, o silêncio, a desolação. Não é um cenário apocalíptico, é apenas a biologia humana a funcionar. Melhor seria se o FB fosse o espelho de Alice, ou mesmo o da bruxa-má, onde cada um se entretivesse, só e apenas, a procurar-se a si mesmo e não a procurar o Outro...

18 de setembro de 2009

"Um post sem título"

Quando comecei no wordpress com O Breviário, fi-lo porque tinha necessidade de comunicar. Comunicar, neste espaço cibernético, é trocar informação, sistematizá-la e processá-la de forma crítica para uso pessoal e para fruição todos os que nos lêem. Ou seja, vir para a internet escrever trivialidades, não. Não contem comigo. Muito menos usando pseudónimos, nicknames, ou que seja. Antes de mais, jogo limpo. E depois, sim, podemos "conversar". Para denunciar, contar histórias de caracácá, ou fazer propaganda, existem outros meios e outros canais. Eu acredito nas palavras proferidas e no seu poder. Desperdiçá-las é perder tempo. E o tempo, nos dias que correm, conta-se em bites.