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11 de junho de 2010

Complicadas ou complexas?



Há algum tempo atrás ouvia, involuntariamente, um diálogo de duas amigas sobre uma relação que acabara de terminar. O namorado de uma delas rompera o idílico nupcial por sms e bloqueara-a no facebook. Ao que parece tudo por uma questão de ciúmes, exacerbada pela presença de demasiadas flores e corações deixadas por terceiros no mural do desejado rapaz. E rematava a chorosa descrição com um: «porque é que as relações são tão complicadas»? Ressalvo o facto de não estar a falar de adolescentes, mas duas mulheres, com idades claramente superiores a 25 anos.

As relações são assim tão complicadas? Na era do relacionamento digital estaremos a ficar mais atreitos a complicações? Penso que não e considero, aliás, que aquilo a que se convencionou chamar Redes Sociais e que são apenas o desenho de algo que existe desde o princípio da humanidade, apenas permitem prestar mais atenção a um processo muito antigo. As redes sociais são a soma de ligações de elos. Da interacção entre indivíduos nascem as relações e da nossa capacidade para mapear ou avaliar o peso do diálogo nelas presente, criam-se gráficos. Se pudéssemos fotografar em processo de longa exposição, a vida de uma pessoa durante um mês, observada de uma distância considerável sobre a sua cabeça, poderíamos criar uma daquelas imagens semelhantes à de uma autoestrada pela noite, onde, dos carros que circulam, apenas distinguiríamos uma linha de luz laranja e outra de luz mais clara. Os nossos circuitos habituais seriam mais espessos, as pessoas com quem mais privamos seriam elos maiores e, dessa forma, criaríamos um mapa mensal da nossa existência.

Ora, consultado esse mapa de ligações e elos, ficaríamos com uma ideia muito clara da nossas vidas: ela é tudo menos linear. É complexa. E às vezes complicada.

Entre a complexidade e a capacidade para complicar, vai uma distância considerável. Existem pessoas menos organizadas, outras mais; umas para quem tudo, à partida, é um jogo perdido, outras para quem a vida flui serenamente mesmo por entre montes de escombros. Mas complicar não é algo de mau. Conheço pessoas complicadíssimas, que complicam tudo. Se lhes dão as direcções correctas para irem de A a B em linha recta, acabam em XYZ ,às voltas. Mas a vida delas é animadíssima, sempre cheia de peripécias, aventuras, paixões.

Depois há aquelas pessoas para quem complicado é sinónimo de relações. Flirts, namoros, casamentos acabam porque o outro é complicado, ou porque algo se complicou. Eu julgo que nenhuma relação é linear, do género, eu gosto de ti, tu gostas de mim. Isto pode ser o esqueleto de uma relação, mas às vezes não passa de um monte de ossadas desconexas. É preciso afinidade, lealdade, sinceridade, objectivos em comum, essas coisas teóricas. Para uma relação nem é preciso amor, desde que haja uma perspectiva uníssona, um projecto dual.

Isto tudo para chegar aos relacionamentos cibernéticos e à pobre rapariga que se viu abandonada via sms. Eu bem sei que muitos sociólogos (esses estranhos prospectores de coisa nenhuma) dirão que estamos perante uma mudança e o diabo a quatro. Mas eu, que já ando aqui há tempo suficiente para perceber algumas coisas acho, só e apenas, que o facebook, os telemóveis, a internet enfim, são extensões do nosso corpo - ou dos nossos braços, ou da nossa cabeça. Que a única possibilidade extraordinária da sua existência é possibilitarem um acelerado cumprimento dos nossos actos, e pouco mais. Hoje, aquele rapaz, acossado pelo excesso de ciúmes da sua obsessiva amada ou, quiçá, apanhado numa excessiva leviandade amorosa, quis fugir à responsabilidade das suas acções através de uma mensagem escrita. Mas no passado, uma carta ou um bilhete sumário teriam assegurado o mesmo efeito. E na ausência do facebook, muitos seriam os recursos para cortar um relacionamento. Quem nunca leu o livro ou viu o filme «Ligações perigosas»?

11 de abril de 2010

Intolerante com a intolerância.





Desde que comecei a participar nessa rede social chamada facebook que adquiri uma perspectiva muito diferente das relações de um conjunto algo homogéneo de duas ou três gerações. Há pulsões latentes de desprezo, de descontentamento, de amargura em relação a grupos, instituições e indivíduos em particular que destilam ataques e campanhas muito concisas de ódio reprimido na vida real. Dirão: mas o facebook não é um campo de estudo que permita uma análise coerente que possa ser transporta para a sociedade. É verdade. Mas é assustador pensar que aquelas pessoas, com o seu discurso, conseguem mobilizar mais 7, segundo as leis do mercado da publicidade.
É claro que grande parte daqueles indivíduos, que mesmo com perfil são anónimos, ou tantas vezes duplicados (maravilhas da internet) coordenam um discurso muito lógico e muito politizado. E bastante padronizado, acrescentaria. Têm por trás grupos de pressão formal ou informal que utilizam as redes sociais para espalhar uma mensagem, como é o caso do BE e do PNR.
Eu, devo sublinhá-lo, tenho tanto respeito pelo PNR - Partido Nacional Renovador, de filiação fascista e neo-nazi, como pelo BE - Bloco de Esquerda, cadinho ideológico que apoia a ETA e o HAMAS e cita Trotsky. Serei absolutamente trucidado por dizer isto, dado que às tribos que preenchem os meios urbanos, que ocupam serviços e os lugares de uma certa classe média, média-baixa, os filhos-família da burguesia e outros indivíduos-satélite destes - aqueles que votam BE - são a elite do momento. Ocupam tempo de antena de telejornais, dominam as cátedras, entretêm os moderno-literatos .
Mas, para mim, qualquer extremismo é um extremismo, mesmo que um lado dos seus interlocutores ande da cabeça rapada e doc martin e o outro vista calças largas, shirt e use rastas. Não tenho qualquer respeito por eles e é por causa deles que sou cada vez mais intolerante com a intolerância.