20 de agosto de 2010
Para quem é...
19 de abril de 2010
Nobre povo. Nação valente.
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vais parar!
(resposta:)
Agora não, que é hora do almoço…
Agora não, que é hora do jantar…
Agora não, que eu acho que não posso…
Amanhã vou trabalhar…
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!
(resposta:)
Agora não, que me dói a barriga…
Agora não, dizem que vai chover…
Agora não, que joga o Benfica…
e eu tenho mais que fazer…
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!
(resposta:)
Agora não, que falta um impresso…
Agora não, que o meu pai não quer…
Agora não, que há engarrafamentos…
Vão sem mim, que eu vou lá ter…
Letra da música Movimento Perpétuo Associativo, dos Deolinda.
22 de fevereiro de 2010
Eis a república portuguesa.
18 de fevereiro de 2010
"Portugal Enfermo", 1819
Povos empobrecidos, e chorosos ;
Pois quando vem hum mal, outros se seguem,
Que os Mortaes atenuão, e perseguem. '
Mas apezar da falta de dinheiro,
Apparece nos bairros o gaiteiro,
As bandeiras nas cordas penduradas
Por onde as festas sao annunciadas,'
Tudo feito com lustre , e com grandeza
Foi Juíza a Senhora Dona Andreza.
Os festeiros não tem nada de seu;
Mas a festa da rua tudo deu.
Anda o velho engraçado co' os Leilões
Dos cargos, que custarão bons tostões.
Temos fogo de vistas, vistas raras,
N'hum beco, que de Largo tem três varas
Que huma roda, que salta era fogo ardendo;
Vem desordens fazer nos que estão vendo;
E póde muito bem a propriedade
Com fogo reduzir-se em ametade.
Estes p'rigos não são muito pequenos,
E já tem succedido mais, ou menos.
Nunca vi de dinheiro tanta fome,
Nem tantas festas de despeza, e nome.
Eu louvo, e não crimino a devoção;
Haja festa de Igreja, e bom Sermão;
Tenha a festividade do arrayal
Cousas, que facão bera, e nunca mal.
O dinheiro de máscaras, e fogo
Vá gastar-se com outro desafogo
Mais útil, mais vistoso, mais louvável
Em acudir a tanto miserável.
Dem rações á pobreza dessa rua,
E a festa christãmente se conclua.
No lugar, era que o fogo armar se havia,
Haja comprida meza neste dia;
Hum, ou dois caldeirões de mantimento,
Que sirvão aos mendigos de sustento,
Ministrados por esses bons festeiros.
Que se facão da meza dispenseiros,
Sem tumulto, em socego, e com cuidado
No cégo, na criança, no aleijado.
Isto he que dá exemplo, he que edifica;
Deste modo a função completa fica [...]
Portugal Enfermo, José Luís Guerner, 1819
10 de janeiro de 2010
A renovação na continuidade.
21 de março de 2009
A tal portugalidade (em verso).
Venham mais mouras e celtas vândalos poetas
Fomos viajar sem sair do lugar
Alguém sabe onde é o Quinto Império
Fomos viajar sem sair do lugar
Fomos todos parir se o esperma permitir
9 de janeiro de 2009
Aforismo # tal: Os estilos nascem dos contextos.
(cena do filme "¿Qué he hecho yo para merecer esto?!", Pedro Almodóvar. 1984)
(excerto do filme "Os Canibais", do realizador português Manoel de Oliveira, 1988)
Em 1980 vivia-se a movida madrilena, que só chegou a Portugal já os anos 90 envelheciam. Eu pedia a vossa atenção, para os textos e contextos de ambos os filmes, separados apenas por 4 anos. É evidente, pelo exposto, que Almodôvar nunca chegará aos 100 anos, nem poderia ter concebido a filmografia que concebeu tendo nascido no Porto e vivido a sua infância à sombra da imagem de crianças descalças a jogar aniki bóbó em plena marginal do Douro. Não, não estou a ser injusto para o "mestre" Manoel de Oliveira, arauto centenário do cinematógrafo luso - sou apreciador dos seus planos obsessivo-compulsivos e dos rasgos de cor. Mas é tão interessante como a representação mostra (seja a p&b, seja a cores) a luminosidade, o desembaraço (ou ausência dele) e o talento imagético de um povo.

