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23 de maio de 2011

O DNA dos principais partidos políticos portugueses.

O "DNA" dos partidos políticos portugueses a partir da análise vocabular dos seus memorandos e programas políticos

Durante a vida política, fora e dentro do Parlamento, antes, durante e depois das eleições, há sempre um discurso muito semelhante entre os partidos: todos se culpam e ninguém tem a culpa. Nesse sentido, a classe política, da Esquerda à Direita, acaba por acoitar-se sob um manto de desresponsabilização que caracteriza a Partidocracia. Numa democracia especificamente controlada por partidos, é natural que os partidos se defendam entre si, depois os seus clientes e eleitores e só depois, no final, os cidadãos, votantes e não votantes.
Para perceber até que ponto o discurso político-partidário não só é inócuo como semelhante, elaborei uma análise vocabular dos programas e compromissos eleitoral para as eleições que se aproximam. Recorrendo a um programa informático muito simples (o Polaris word count), contei os 20 substantivos mais vezes referidos pelos 5 partidos com assento parlamentar: BE / CDU / PS / PSD e CDS-PP. O resultado foi muito interessante e revela, de certa forma, como o discurso partidário se aproxima em forma e estilo de uma ponta à outra do espectro parlamentar nacional. É esquemático, pobre em conteúdo e pouco imaginativo.

1 de novembro de 2010

A choldra rotativa.

Esta fantochada orçamental veio provar que o PSD é um ver-se-te-avias, em que uma parte dos militantes podia perfeitamente votar no CDS, a outra integrar as listas do PS e uma fatia muito confortável deixar-se baloiçar entre tachos. O PSD deixou de fazer sentido e o PS sabe disso. Como partido mais devorista, alimenta-se dos restos dos outros. É assim mesmo antes de Portugal ser uma democracia. Porque haveria de mudar agora?

8 de junho de 2009

Eleições Europeias em Portugal: uma síntese.




Há vários pontos a sublinhar que decorrem dos resultados eleitorais de ontem: a derrota do PS português e europeu, a pulverização dos votos e da tradicional binomia PSD/PS, e o aumento dos votos brancos ou nulos. A abstenção em que refugiam, sobretudo, os vencidos, nada diz. As eleições fazem-se com os que votam. E quem vai às urnas, ainda que não escolha nenhum dos partidos, está a enviar uma mensagem. Sócrates parece não ter percebido o cartão vermelho - o discurso da derrota foi como o são todos os seus: traçados seguindo uma filosofia de invencibilidade e de irredutibilidade preparados por assessores de imagem com PhD em marketing político. Certo é que não se trata de uma derrota nacional: se Portugal virou à direita a Europa também. Mas não deixa de ser expressiva a subida dos "independentes" ou não filiados. A Europa está a humanizar-se, e ainda bem. Voltando a Portugal o Distrito de Viseu, por exemplo, voltou a ser "laranja". Em Cinfães, um dos três bastiões socialistas daquele distrito os resultados são expressivos: PSD - 38.18%; PS - 34.93%; CDS - 8.58%; BE - 5.57%; CDU - 3.92%; PCTP/MRPP - 1.01%. De resto estão de parabéns, para além do PPD/PSD, o CDS/PP e o BE, embora não compreenda bem a festa deste partido populista: ao arruinar o PCP (retirando-lhe eleitorado vital), arrasta toda a Esquerda com eles e (bom, felizmente), impedirá o PS de conseguir a maioria absoluta. A confirmarem-se resultados semelhantes nas legislativas, uma coligação PSD/CDS poderá levar a Direita ao poder. E o BE continuará a reinar como até hoje: entre as franjas alternativas da sociedade que votam para nada mudar, apenas para serem do contra.

6 de junho de 2009

Vamos todos votar. Todos os dias.

Imagem picada daqui.


Ultimamente alguns amigos e conhecidos aproveitam para me lembrar a necessidade de votar no próximo domingo. Não sei a que se deve esta necessidade eleitoralista súbita, se ao mau desempenho no actual governo, se a uma necessidade emergente de tomar consciência dos seus direitos como cidadãos. Bom, se a minha condição de cidadão se reduzir ao direito do voto, então não sou nada. Nunca poderei ser nada, como disse Fernando Pessoa. E mesmo que, eventualmente, tenha em mim todos os sonhos do mundo, o facto de ir votar não mudará o mundo. Não mudará o meu mundo, não mudará o mundo dos outros. Possivelmente mudará o mundo dos candidatos. Uns mudar-se-ão para Bruxelas, outros redecorarão a sua casa e o mundo pula e avança, com votos a menos ou a mais. § Um amigo disse-me: «é preciso é que as pessoas participem, o que me assusta é a passividade». E eu respondi que o voto é a passividade. Ir votar, voltar para casa, sentar-se no sofá e esperar que meia dúzia de políticos faça o trabalho que cada um de nós deve fazer é uma das maiores inutilidades dos tempos modernos. Vejamos o que a História nos diz: quando não havia democracia, ou quando a havia mas esta era limitada, homens e mulheres houve que do meio da massa anónima gritaram. Ousaram. Quiseram. E deixaram a sua marca de liberdade. Esse é o melhor voto, o participar exigindo, querendo, fazendo. Por isso, no próximo domingo muito embora vá votar, o meu voto será nulo. Porque a minha democracia se faz no dia a dia e não segundo um calendário eleitoral.

6 de abril de 2009

Há lugar para mais partidos políticos em Portugal?



A pergunta é pertinente se pensarmos que o binómio PS/PPD-PSD está esgotado. O sistema não é igual ao rotativismo dos últimos anos da monarquia constitucional, mas tem o mesmo efeito de desgaste. Já me questionei se uma recente multiplicação de partidos ajudará a mudar este panorama. É provável que não. A força tentacular instituída por 30 anos de repartição de poder dificilmente poderá ser esvaziada. Mas pode enfrentar-se. § Por conseguinte também não acredito da extremização ideológica. É perigoso que a balança penda demasiado para cada um dos lados, quer para uma direita tradicionalista e demasiado presa à Igreja, quer para uma esquerda trauliteira e de modas, como a que o BE quer trazer para a sociedade portuguesa. Infelizmente o Centro não me convence, sobretudo porque Tony Blair e a sua ideia de uma via para a frente, me faz lembrar o triste consulado Bush e a sua ideia imperialista para um mundo conflituoso. Não há um único partido, em Portugal, pelo qual pudesse militar, mas não posso deixar de sentir cada vez mais respeito pelo Partido Comunista. Estranho, para um monárquico? Não me parece. A ideia de uma sociedade onde as classes se diluam combina perfeitamente com a ideia de uma monarquia ao serviço da verdadeira res publica - a coisa pública. O problema das sociedade não é o chefe de estado, mas a forma como se organizam na pirâmide sobre a qual ele eleva. Talvez me aproxime, segundo este pensamento, ao Integralismo Lusitano, que procurava uma monarquia orgânica, sem preocupação pela existência de uma aristocracia (que quanto a mim pode bem dispensar-se) ou uma plutocracia. Apenas o rei, pai, titular, símbolo. Bom, mas não obstante julgar que a democracia deve premiar o mérito e não os partidos, que estes constituem, cada vez mais, grupelhos de redes de clientelismo e influência, degraus para a consagração de medíocres ou para a ocultação de crimes (caso Freeport?), não posso deixar de saudar o aparecimento do Movimento Esperança Portugal encabeçado pela Laurinda Alves, jornalista cujo trabalho, escrita e ideais prezo muito. Entre os vários pontos e tópicos do manifesto político do MEP (que pode ser consultado aqui) salientaria este (Ponto V): «a afirmação da subsidiariedade como base da governação da sociedade; das organizações da sociedade civil como actores principais; do reforço do poder e da responsabilidade do cidadão; da transparência dos processos e das decisões políticas; da cultura de participação e discussão política em todas as idades; da dignificação da política.» Este novo «partido» ou movimento, situa-se ideologicamente ao centro, resguardando valores cristãos. Não sei se singrará para cumprir o seu manifesto, mas desejo aos seus promotores e, sobretudo, à Laurinda Alves, o maior sucesso pela simples coragem de, num país de hábitos e «cunhas», lançar-se num projecto tão audacioso.

12 de junho de 2008

A excessiva partidarização da democracia e o silêncio da verdade: ideias, não ideologias.

Já há algum tempo atrás que, em conversa com amigos, tem surgido a discussão sobre a necessidade de outro partido em Portugal. De todas as vezes tenho insistido no meu ponto de vista: a democracia, tal como está, repleta de clivagens ideológicas e em alguns casos à beira do abismo, pode ser salva pela entrega do poder ao povo. É óbvio que não digo isto numa perspectiva marxista. Digo-o com a necessidade de transferir a dominante cartelização em que se transformou o sistema democrático através dos partidos políticos, para o indivíduo comum. Talvez no caso de Portugal não estejamos suficientemente maduros para aceitar tal conversão. Mas de certeza que, se deixássemos este rotativismo miserável que traz este país no fio da navalha numa pluralidade consensual de opiniões, e de intervenção directa do cidadão - uma meritocracia em vez de uma mediocracia política - talvez o desinteresse da juventude nestas matérias não espantasse o Sr. Silva, filho do gasolineiro que nas horas livres come bolo-rei e diz disparates. Eu queria ver a coragem de um país que na sua assembleia de cidadãos efectivamente os ouvisse e deliberasse, não com base em orientações partidárias, mas em valores individuais e (ou) colectivos que exteriorizassem não ideologias, mas ideias. Deixo aos politólogos e a todos os teóricos da internet (a maioria dos blogues que eu leio todos os dias poderia dar uma ajuda) na concepção de uma sistema que admitisse esta distribuição do poder político unipessoal em detrimento do partidarismo obsoleto e condicionador. Eu, pela minha parte, gostava de poder lançar o desafio a quem pensa em agrupar-se para trabalhar por um país melhor: agrupem-se, sim, para pensarem por si e não pela cartilha de grupos ideológicos ou partidários. Se for para poder reconstruir este sistema de lóbis e cartéis, contem comigo. Caso contrário, um partido a mais ou a menos é só um partido.