
27 de abril de 2011
Sorry, old republican chaps!

26 de setembro de 2010
14 de junho de 2010
Imperat ut serviat
[Gobierna para servir]
Que pensays que es reynar? servir muriendo,
Los días, y las noches trabajando,
Y quando vos cómeis, o estáys durmiendo,
No comer, ni dormir, y estar velando:
El Rey parte es Léon, feroz y horrendo,
De quien el mundo todo está temblando,
Y manso buey, del medio cuerpo abajo,
Nacido para el yugo, e el trabajo.
os dias e as noites trabalhando
e quando vós comeis, ou estais dormindo,
não comer, nem dormir e estar velando:
O Rei parte é leão, feroz e horrendo,
De quem o mundo todo vai temendo
E manso touro, de meio corpo abaixo,
nascido para o jugo e o trabalho.
19 de março de 2010
Qualquer semelhança é mera coincidência.
Tinham um rei de origem estrangeira, que, querendo corrigir a maldade da sua natureza, os tratava severamente. Porém, eles conjuraram contra ele, mataram-no e exterminaram toda a família real.
Tendo sido dado o golpe, reuniram-se para escolher um governo, e, depois de muitas dissensões, criaram magistrados. Porém, mal eles foram eleitos, logo se lhes tornaram insuportáveis e mais uma vez os massacraram.
Este povo, liberto deste novo jugo, já só consultou o seu natural selvagem; todos os particulares concordaram que não obedeceriam a mais ninguém; que cada um olharia apenas pelos seus interesses, sem consultar os outros.
Esta resolução unânime seduzia extremamente todos os particulares. Diziam "Para que vou eu matar-me a trabalhar para gente que não me interessa Só pensarei em mim; viverei feliz.
O que me importa que os outros o sejam? Satisfarei todas as minhas necessidades e, uma vez que as satisfaça, não me preocupa que todos os trogloditas sejam miseráveis."
Estava-se no mês em que se semeiam as terras. Todos disseram: "Só lavrarei o meu campo para que ele me forneça o trigo de que preciso para me alimentar; uma maior quantidade seria inútil para mim; não vou ter trabalho sem motivo."
As terras deste pequeno reino não eram da mesma natureza: havia terras áridas e montanhosas e outras que, num terreno baixo, eram banhadas por vários regatos. Nesse ano, a seca foi muito grande, de maneira que as terras que estavam nos locais elevados não produziam absolutamente nada, enquanto que as que puderam ser regadas foram muito férteis. Assim, os povos das montanhas pereceram quase todos de fome pela dureza dos outros, que recusaram partilhar com eles a colheita.
O ano seguinte foi muito pluvioso; os lugares elevados foram de uma fertilidade extraordinária, e as terras baixas ficaram submersas. Metade do povo passou um segunda vez fome; porém, estes miseráveis encontraram pessoas tão duras quanto eles próprios o tinham sido.»
Montesquieu, Cartas Persas
1 de março de 2010
Citações #2
For the media, however, everyone can, and must, be stereotyped. Monarchists are, to the media, folks who see themselves as part of the aristocracy, drive a Bentley and talk with a plum in their mouths, yet the main vote against a republic in 1999 came from the blue collar Labor electorates! With such a diverse bunch of people supporting the Constitutional Monarchy, a few might fit the media stereotype but that is a very long way from the reality.»*
* As pessoas que acreditam no enorme benefício de ter um monarca não-político como Chefe de Estado não tem visões iguais, ou filiações políticas semelhantes - eles são um grupo diverso.
Para a comunicação social, no entanto, todos podem, e devem, ser estereotipados. Monárquicos são, para a comunicação social, pessoas que se vêem como parte da aristocracia, que conduzem um Bentley e conversam com uma ameixa na boca, mas a votação principal contra a república em 1999 [na Austrália] veio do eleitorado Trabalhista de colarinho azul! Com um grupo tão diverso de pessoas que apoiam a Monarquia Constitucional, algumas podem encaixar-se no estereótipo dos media, mas que está muito longe da realidade.»
A ler aqui.
20 de janeiro de 2010
A Monarquia, por Alexandre Soares Silva

Um dos mais interessantes textos sobre o que é a monarquia, que não resisto a transcrever:
"Que espécie de pessoa se sente repelida pela monarquia? Escute: começamos todos monárquicos. Toda criança começa monárquica, se lhe explicarem o que é monarquia. Afogue num tanque a criança que for republicana. Seu filho de cinco anos é republicaninho? Mata.
Compreendemos a monarquia instintivamente. É por isso que contos de fadas têm reis e rainhas e não presidentes. Os irmãos Grimm teriam ataques de horror ante a visão de um único presidente sul-americano saindo de uma floresta. Uma coroa, um cetro: um bebê é capaz de perceber a glória disso. Acredito que até alguns animais são monárquicos, e que ursos e tigres têm alguma compreensão que devorar um rei é diferente de devorar um presidente, e melhor.
Há na história da humanidade uma lenta propensão à chatificação de todas as coisas. O que move a história é isso, e não o desejo de conforto, riqueza, poder. O chato quer deixar as coisas mais chatas. Ele não vai dizer isso, e ele nem sabe disso, mas é isso. E os que não são chatos não têm a paciência necessária de se oporem aos chatos – de enfrentarem sua minunciosa e incansável marcha rumo à chatice organizada e mundial. Todo chato é um milagre de perseverança. Não há chato tão cansado que não possa continuar atuando. O chato vence sempre.
E o que os chatos mais odeiam são os contos de fadas: a visão da vida que tinham aos cinco anos lhes parece a mais desprezível do mundo, e seus dias passam a ser dedicados à destruição disso. Ao longo dos séculos, conseguiram muitas vitórias, os chatos. A história da humanidade é a história da lenta substituição dos contos de fadas pelo romance sociológico moderno: Rubem Fonseca contra os irmãos Grimm.
Começamos vivendo em contos de fadas, em um mundo violento e terrível e algo miraculoso. Mas os chatos do mundo foram odiando um a um os elementos de contos de fada, e acabando com eles um a um. Nos contos de fada há monstros: eles se esforçaram para acabar com a crença em monstros. Nos contos de fadas há reis e rainhas: eles acabaram com a monarquia. Nos contos de fadas há condes, condessas, marqueses: acabaram com a aristocracia. Nos contos de fadas há pobres, vendendo fósforos na neve ou trocando vacas por feijões mágicos: e até com os pobres querem acabar, bando de republicaninhos socialistazinhos pro-quotas anti-globalização paspalhos.
Acabada a monarquia, a aristocracia e a crença no sobrenatural, olhem os chatos continuando sua luta contra tudo o que é way cool: contra a pornografia, contra videogames, contra a televisão (semana-sem-TV my ass, antes um milênio sem vocês), contra a violência no cinema, contra o cinema americano, contra quadrinhos, contra a Inglaterra primeiro quando ela era the coolest place, e contra os Estados Unidos depois, quando eles se tornaram the coolest place; contra o enredo no romance, contra a melodia na música, contra a rima na poesia, contra a figuração na pintura, contra a beleza nas artes, contra lutas de vale-tudo, contra boxe, contra drogas, contra expressões em outras línguas, contra o consumismo, contra o elitismo, contra John Wayne, contra a riqueza, contra a pobreza, contra viagens dispendiosas e desnecessárias à lua, e contra, sim, o Vaticano.
Olham a beleza do Vaticano e pensam no dinheiro que custou e custa, e tudo que conseguem pensar é que é preciso pôr aquilo abaixo para construir um templo positivista – baldaquinos sendo substituidos por pilotis – onde se cultue uma nova religião horizontal e humanista, e mais um adjetivo qualquer que era tão chato que eu nem ouvi. Ah, sim, igualitária. Sure. Uhuh.
O Vaticano é uma das últimas manifestações na terra da glória dos contos de fada. Os inimigos do Vaticano sabem disso, eles concordam: vivem de comparar a religião a “contos da carochinha”, para eles o termo mais desprezível que concebem. Há uma única guerra contra os contos de fada, que é uma guerra contra Deus; começada no jardim de infância pelas crianças mais chatas do mundo.
Não vão sossegar enquanto houver uma única coisa interessante sobre a terra. Irão dentro das casas apreender o último autorama, o último nunchaku. Escrevem manuais de economia nos quais apresentam o dilema da escolha entre fabricar canhão e fabricar manteiga. Por favor, para quem isso é um dilema? Quer maior prova da sua infalível propensão à chatice? Quem não daria, alegremente, todos os seus potes de manteiga para ter um canhão em casa?"
Copiado daqui.
3 de janeiro de 2010
A História segundo o Bloco de Esquerda: terroristas ou galinhas?
[...] Jornal I - Para todos os efeitos, a Carbonária era uma organização terrorista...
Fernando Rosas: Não lhe chamaria assim... A expressão terrorista tem hoje conotações que não se adaptam exactamente à Carbonária. Punha bombas, realmente. [...]
Fernando Rosas consegue dar um novo significado à expressão «pôr bombas». Ora se quem põe bombas não é terrorista, ou quem é terrorista não põe bombas, há anos que andamos enganados. Não eram terroristas, afinal. Eram galinhas que punham granadas e explosivos, em vez de ovos.
18 de dezembro de 2009
Citações #1
In a monarchy still have a chance to kiss a frog and marry a princess or a prince. In a Republic we only bite one's lips.
Dans une monarchie ont a encore une chance d'embrasser une grenouille et d'épouser une princesse ou un prince. Dans une Republique nous avale la grenouille.
14 de agosto de 2009
Avante, Camaradas!
29 de março de 2009
D. Luís Filipe (1887-1908)
Um excelente vídeo a que já nos habituou o amigo Zé (Blog de leste) sobre o Príncipe Real D. Luís Filipe que, com apenas 21 anos, foi abatido a tiro, como um animal, no terreiro do Paço. Não gosto de fazer história contrafactual, mas não posso de deixar de conjecturar como teria sido se D. Carlos e D. Luís Filipe não fossem assassinados em nome da República que agora se comemora. Luís Filipe de Orleães e Bragança tinha sido criado para reinar. Fora educado pelos melhores, viajara, instruíra-se politicamente e era já um garboso chefe de estado (assumira já a regência na ausência do pai) de quem se esperava o melhor. De facto, ele era a sublimação da monarquia constiticional representativa, de um país que caminhava a passos largos para um notável crescimento em termos económicos, sociais e culturais. Como refere Rui Ramos, após a morte natural de D. Carlos (diabético em grau avançado) a subida ao trono de D. Luís Filipe teria significado uma acalmação natural, talvez até um entendimento com os republicanos - o que poderia ter evitado a ruinosa 1.ª república e a longa ditadura salazarista. Podia o príncipe ter-se deixado seduzir pelo clima autocrático? É possível. Mas enquanto que entre 1910 e 1926 (apenas 16 anos) sucederam, numa autêntica bandalheira, 11 presidentes, com a sua presença à frente do reino de Portugal teríamos usufruído da vantagem de uma estabilidade governativa e talvez a anulação de uma ditadura pessoal como a de Salazar, debaixo de uma figura coroada - que sempre obscura, como sabemos pela experiência franquista, a imagem de regimes constituídos sobre um a propaganda a um homem só. D. Luís Filipe podia até ter sido arrastado pela onda de ódio que varreu a Europa entre 1914 e 1945, mas não podemos deixar de conjecturar que pudesse ter sido um opositor a ela, sendo ele filho e descendente de democratas (não esqueçamos que foi o seu trisavô D. Pedro IV quem abriu o país à liberdade). Por isso, não só lamento a morte de D. Carlos, que foi um bom homem e um excelente chefe de estado, ao contrário do que propaganda republicana sempre nos fez crer sobre ele, mas mais ainda de um jovem esperançoso - num país que nunca acreditou nos seus jovens e sempre se entregou nas mãos de velhos medíocres, bur(r)cratas e pretensamente sábios, como esse grande português chamado António de Oliveira Salazar, que soube honrar a república portuguesa e o seu país, durante uma chefatura de meio século.
23 de março de 2009
Da devassidão dos tronos e da moralidade republicana.
(Centenário da República)1 de fevereiro de 2009
O dia em que os reis morrem.
C’est à vous, ma soeur, que j’écris pour la dernière fois. Je viens d’être condamnée, non pas à une mort honteuse – elle ne l’est que pour les criminels, mais à aller rejoindre votre frère. Comme lui innocente j’espère montrer la même fermeté que lui dans ses derniers moments. Je suis calme comme on l’est quand la conscience ne reproche rien. J’ai un profond regret d’abandonner mes pauvres enfants. Vous savez que je n’existais que pour eux et vous, ma bonne et tendre soeur, vous qui avez par votre amitié tout sacrifié pour être avec nous, dans quelle position je vous laisse ! J’ai appris par le plaidoyer même du procès que ma fille était séparée de vous. Hélas ! la pauvre enfant, je n’ose pas lui écrire, elle ne recevrait pas ma lettre, je ne sais pas même si celle-ci vous parviendra. Recevez pour eux deux ici ma bénédiction ; j’espère qu’un jour, lorsqu’ils seront plus grands, ils pourront se réunir avec vous et jouir en entier de vos tendres soins. Qu’ils pensent tous deux à ce que je n’ai cessé de leur inspirer : que les principes et l’exécution exacte de ses devoirs sont la première base de la vie, que leur amitié et leur confiance mutuelle en fera le bonheur. Que ma fille sente qu’à l’âge qu’elle a, elle doit toujours aider son frère par les conseils que l’expérience qu’elle aura de plus que lui et son amitié pourront lui inspirer ; que mon fils, à son tour, rende à sa soeur tous les soins, les services que l'amitié peuvent inspirer ; qu’ils sentent enfin tous deux que dans quelque position où ils pourront se trouver ils ne seront vraiment heureux que par leur union ; qu’ils prennent exemple de nous. Combien, dans nos malheurs, notre amitié nous a donné de consolation ! Et dans le bonheur on jouit doublement quand on peut le partager avec un ami, et où en trouver de plus tendre, de plus uni que dans sa propre famille ? Que mon fils n’oublie jamais les derniers mots de son père que je lui répète expressément : qu’il ne cherche jamais à venger notre mort.
J’ai à vous parler d’une chose bien pénible à mon coeur. Je sais combien cet enfant doit vous avoir fait de la peine. Pardonnez-lui, ma chère soeur, pensez à l’âge qu’il a et combien il est facile de faire dire à un enfant ce qu’on veut et même ce qu’il ne comprend pas. Un jour viendra, j’espère, où il ne sentira que mieux le prix de vos bontés et de votre tendresse pour tous deux. Il me reste à vous confier encore mes dernières pensées. J’aurais voulu les écrire dès le commencement du procès, mais, outre qu’on ne me laissait pas écrire, la marche a été si rapide que je n’en aurais réellement pas eu le temps.
Je meurs dans la religion catholique, apostolique et romaine, dans celle de mes pères, dans celle où j’ai été élevée et que j’ai toujours professée, n’ayant aucune consolation spirituelle à attendre, ne sachant pas s’il existe encore ici des prêtres de cette religion, et même le lieu où je suis les exposerait trop s’ils y entraient une fois. Je demande sincèrement pardon à Dieu de toutes les fautes que j’ai pu commettre depuis que j’existe ; j’espère que, dans sa bonté, il voudra bien recevoir mes derniers voeux, ainsi que ceux que je fais depuis longtemps pour qu’il veuille bien recevoir mon âme dans sa miséricorde et sa bonté. Je demande pardon à tous ceux que je connais et à vous, ma soeur, en particulier, de toutes les peines que, sans le vouloir, j’aurais pu leur causer. Je pardonne à tous mes ennemis le mal qu’ils m’ont fait. Je dis ici adieu à mes tantes et à tous mes frères et soeurs. J’avais des amis, l’idée d’en être séparée pour jamais et leurs peines sont un des plus grands regrets que j’emporte en mourant ; qu’ils sachent du moins que, jusqu’à mon dernier moment, j’ai pensé à eux.
Adieu, ma bonne et tendre soeur ; puisse cette lettre vous arriver. Pensez toujours à moi ; je vous embrasse de tout mon coeur ainsi que ces pauvres et chers enfants. Mon Dieu, qu’il est déchirant de les quitter pour toujours ! Adieu, adieu ! je ne vais plus m’occuper que de mes devoirs spirituels. Comme je ne suis pas libre dans mes actions, on m’amènera peut-être un prêtre ; mais je proteste ici que je ne lui dirai pas un mot et que je le traiterai comme un être absolument étranger."
2 de dezembro de 2008
Depois de vós, nós

25 de novembro de 2008
Quem ler até acredita que é verdade.
Ver em APH.

