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7 de setembro de 2012
18 de agosto de 2012
It's a kind of magic!
De vez em quando, num gabinete destas Comissões de Coordenação, alguém tem uma epifania. Num país pouco dado a rasgos de génio, porque os génios geralmente não têm cunha para lubrificar o acesso aos lugares de chefia, qualquer ideia é uma excelente ideia. E quando não é, não importa porque o comum dos comuns também não distingue uma ideia brilhante duma alface. Outras vezes, ajuda-se o cérebro com elementos estimulantes, como parece ter sido o caso do inventor das "Montanhas mágicas" a que a ADRIMAG tem dado especial notícia como complemento à ideia de turismo sustentável. As montanhas mágicas de Montemuro, Arada e Gralheira. fazem parte de um pacote de promoção dentro desse conceito metafísico chamado turismo sustentável, que se assemelha um pouco à ideia de uma bomba nuclear, mas sem o barulho da explosão. Subir à serra de Montemuro, pejada de torres eólicas, estradões de terra batida, lixeiras clandestinas, aldeias sem saneamento e serviços, chamar-lhe montanha mágica e ainda supor que se está a promover um tipo de turismo denominado sustentável exige uma dose muito grande de concentração. Ou de erva, daquela que transforma aerogeradores em estrelas e paisagem destruída em magia.
17 de agosto de 2012
Free Mandela vs free pussy riot.
Quando os telejornais abrem com as pussy riot, o jornalista a repetir pussy vezes sem conta, pergunto-me se estarei a ouvir bem. Três palerminhas, lá longe, na grande mãe autocrática chamada Rússia, velha de séculos ditatoriais, com as cabeças metidas num gorro gritam alienadamente contra um dos seus governantes, eleito, re-eleito e prestes a sê-lo. Não, não é o protesto em si, que me espanta. Há centenas deles por mês, milhares por ano. Há quem se regue com gasolina, quem faça greve de fome, quem se atire da janela. Estas três tontinhas meteram-se numa igreja, frenéticas, loucas, furiosas, a pular e a grunhir. O mundo aplaude. Não, não é o mundo aplaudir, o que me espanta, o mundo aplaude tudo o que faça ruído e tenha cor. Eu acho que o que me espanta nisto tudo é quase obrigarem-me a ser compassivo com três idiotas que querem fama, apoiar três malucas que acham que o poder autocrático da Rússia muda com os seus grunhidos histéricos. Lá longe há lutas para travar? Imensas. E cá não há? mesmo à porta de casa, dentro das nossas casas, não há problemas? Incontáveis. O mundo não encolheu assim tato, ou pelo menos teria encolhido se tivesse um cérebro. Felizmente que tudo isto, como qualquer coisa que os média glorificam, acaba em pouco tempo. Coitado é daquele que luta em silêncio, que trabalha para se libertar e libertar os mais próximos, que está preso ou no exílio por querer uma liberdade séria, honrada e com valor. De resto, manifestações apoiadas por artistas como Madonna só revelam o que são: exercícios de estilo, hipócritas porque vindos de quem vive o cómodo luxo da liberdade. Definitivamente os ideais desmancham-se dia após dia na mediocridade dos seus arautos. Basta ver como soa confrontar free Mandela, ou free Aung San Suu Kyi com free pussy riot.
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