Passaram, há dias, 99 anos sobre o desastre de La Lys, cuja proximidade histórica ao nosso tempo curiosamente quase obliterou em relação a Alcácer Quibir. Mas ambos foram dois dos maiores desastres políticos e militares do nosso Passado.
Revendo a data reencontrei no meu espólio esta fotografia - bilhete postal, a quem finalmente associei um nome e uma biografia.
No verso:
Quem seria o J. F. Devezas?
Felizmente que o Arquivo Histórico Militar disponibiliza as fichas individuais dos militares que constituíram o C. E. P. - Corpo Expedicionário Português - homens que entre 1917 e 1919 se mobilizaram para as movimentações europeias e africanas decorrentes da nossa participação na I Grande Guerra.
Procurando «Devezas», encontrei a ficha de Joaquim Fernandes Devezas, natural de São Mamede Infesta, Matosinhos, filho de João Fernandes Devezas e Maria Rodrigues Louro.
Era 2.º sargento da 2.ª Companhia de Sapadores Mineiros
Foi ferido em 20 de Março de 1918 e obteve alta em 10 de Abril.
«Louvado por ser uma das praças que mais se distinguiram na coadjuvação técnica e disciplinar que prestaram aos oficiaes da sua unidade»
Embarcou para Portugal em 28 de Março de 1919.
Assim fiquei a saber que possuo uma pequena lembrança de um herói anónimo.
Mas, e a «Miquinhas», quem seria?
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13 de abril de 2017
30 de março de 2017
Vidago Palace, 1936.
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| Munique, 1936. Fotografia de APIF | Nuno Resende |
O primeiro episódio desta série de época traduziu-se numa boa experiência que há muito se pedia na televisão portuguesa. O cenário ajuda: um hotel de «fin-de-siécle atrasado», hoje numa periferia, mas que em 1936 constituía uma das principais entradas num Portugal em reconstrução, para quem fugia de uma Espanha em ruínas. Vidago, com as suas termas, o seu novo campo de golfe, o seu bucolismo, casa bem com o novo Estado Novo que augura esperança depois de uma república desastrosa.
Assim sendo, a produção conjunta entre entre televisões portuguesa e espanhola parece ter resultado num bom e cuidado investimento fílmico, apenas em parte prejudicado pela ligeireza do enredo e algumas personagens pouco críveis.
De resto, figurinos (e o respectivo elenco)
, cenários e fotografia conjugam-se num especial e deleitoso desfilar de um tempo português que já urgia ser ecrã.
Para ilustrar o tempo, e uma das cenas em volta do rádio, uma imagens cá das «minhas» que documenta a participação portuguesa nos jogos olímpicos de 1936. Na foto, provavelmente João Alberto Andresen (1890-1943), que naquele ano representou Portugal na modalidade de atirador.
30 de novembro de 2011
14 de março de 2011
9 de março de 2011
22 de junho de 2010
A fotografia ao serviço da República.

A imagem mostra uma manifestação popular de apoio a D. Carlos frente ao Palácio das Necessidade, após a declaração de guerra ao Reino de Espanha. Trata-se, como é óbvio, de uma manifestação imaginária, que nunca chegou a acontecer e que serviu de exercício para a Ilustração Portuguesa, revista editada desde 1903, se impor como um dos periódicos portugueses que mais largamente utilizaram a fotografia. E, claro, a manipularam.
Nos primeiros anos do século XX o jornalismo começava a descobrir e a utilizar em média e larga escala os recursos fotográficos aplicados à tipografia. O seu uso não só conferia uma maior veracidade às reportagens, mas permitia divulgar muito rapidamente acontecimentos que por via da escrita ou do desenho demoravam muito mais tempo a expor. Mas ,como qualquer outro processo de impressão, desenho ou gravura, muito cedo a fotografia começou a ser manipulada, umas vezes apenas com sentido estético, como no caso das reproduções a preto e branco aguareladas, ou no caso da emergente foto-reportagem, com o intuito de veicular propaganda ideológica, através de montagens ou adulterações do cenário e das acções seus intervenientes.
Nesse sentido, o novo regime deitou mão deste valioso instrumento, como vimos já no caso do dia 5 de Outubro quando uma certa imprensa fez crer que o Largo do Município estava repleto de fervorosos republicanos para acolherem e dar vivas à República. Mas não só. As reportagens que se seguiram, relativamente a atentados, insurreições e revoltas, nomeadamente as incursões monárquicas que se sucederam entre 1911 e 1919 foram tratadas fotograficamente com vista a fazer passar uma mensagem. Mensagem favorável ao republicanos, obviamente.
Nesse sentido a Ilustração Portuguesa que, depois de 1910, se tornou um dos mais fervorosos órgãos pró-republicanos da comunicação social, tornou-se exímia escola da manipulação fotográfica.
Em ano de centenário, não basta evocar. É preciso conhecer, expôr, estudar. Para quando um estudo sério e profundo sobre esta questão?
Nota: a fotografia foi publicada em RELVAS, José – Memórias políticas, vol. 2. Lisboa: Terra Livre, 1978.
Publicado aqui.
Nos primeiros anos do século XX o jornalismo começava a descobrir e a utilizar em média e larga escala os recursos fotográficos aplicados à tipografia. O seu uso não só conferia uma maior veracidade às reportagens, mas permitia divulgar muito rapidamente acontecimentos que por via da escrita ou do desenho demoravam muito mais tempo a expor. Mas ,como qualquer outro processo de impressão, desenho ou gravura, muito cedo a fotografia começou a ser manipulada, umas vezes apenas com sentido estético, como no caso das reproduções a preto e branco aguareladas, ou no caso da emergente foto-reportagem, com o intuito de veicular propaganda ideológica, através de montagens ou adulterações do cenário e das acções seus intervenientes.
Nesse sentido, o novo regime deitou mão deste valioso instrumento, como vimos já no caso do dia 5 de Outubro quando uma certa imprensa fez crer que o Largo do Município estava repleto de fervorosos republicanos para acolherem e dar vivas à República. Mas não só. As reportagens que se seguiram, relativamente a atentados, insurreições e revoltas, nomeadamente as incursões monárquicas que se sucederam entre 1911 e 1919 foram tratadas fotograficamente com vista a fazer passar uma mensagem. Mensagem favorável ao republicanos, obviamente.
Nesse sentido a Ilustração Portuguesa que, depois de 1910, se tornou um dos mais fervorosos órgãos pró-republicanos da comunicação social, tornou-se exímia escola da manipulação fotográfica.
Em ano de centenário, não basta evocar. É preciso conhecer, expôr, estudar. Para quando um estudo sério e profundo sobre esta questão?
Nota: a fotografia foi publicada em RELVAS, José – Memórias políticas, vol. 2. Lisboa: Terra Livre, 1978.
Publicado aqui.
13 de junho de 2010
4 de junho de 2010
Romarias.

Na foto um baile improvisado durante a romaria (1915)
«A romaria do senhor de Matosinhos, que se realisa nas proximidades do Porto, em local pouco distante do mar e embrenhado em uma pitoresca mata, é uma das mais concorridas do Norte. Os seus folguedos duram tres dias, durante os quaes os comboios, automoveis, carruagens, emfim, todos os meios de transporte, incluindo as gericadas deixam ali milhares de pessoas que se entreteem bebendo, comendo, dançando, em suma, gosando a vida no que, no seu entender, ela tem de aprazivel e belo. N'esta romaria consomem-se milhares de almudes de vinho e o santuario do Senhor de Matosinhos costuma receber algumas arrobas de cera de "promessas", fóra o dinheiro que enche as caixas colocadas na egreja.»
Da revista Ilustração Portuguesa, n.º 486, 14 de Junho de 1915.
«A romaria do senhor de Matosinhos, que se realisa nas proximidades do Porto, em local pouco distante do mar e embrenhado em uma pitoresca mata, é uma das mais concorridas do Norte. Os seus folguedos duram tres dias, durante os quaes os comboios, automoveis, carruagens, emfim, todos os meios de transporte, incluindo as gericadas deixam ali milhares de pessoas que se entreteem bebendo, comendo, dançando, em suma, gosando a vida no que, no seu entender, ela tem de aprazivel e belo. N'esta romaria consomem-se milhares de almudes de vinho e o santuario do Senhor de Matosinhos costuma receber algumas arrobas de cera de "promessas", fóra o dinheiro que enche as caixas colocadas na egreja.»
Da revista Ilustração Portuguesa, n.º 486, 14 de Junho de 1915.
7 de junho de 2009
Porque há Pessoa(s) para todas as ocasiões.
(...)
Maravilhosa gente humana que vive como cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais,
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos, porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!
(Na nora do quintal da minha casa
O burro anda à roda, anda à roda,
E o mistério do mundo é do tamanho disto.
Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente.
A luz do sol abafa o silêncio das esferas
E havemos todos de morrer,
Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,
Pinheirais onde a minha infância era outra coisa
Do que eu sou hoje...)
(...)
Ode Triunfal, de Álvaro de Campos.
20 de maio de 2009
Digitalização de prova fotográfica, 1945, Porto, autor anónimo, colecção de N.R.
Entre as minhas recentes aquisições está esta prova fotográfica, datada de 1945. Um grupo de jovens mulheres posa para a câmara, enquanto veraneia numa praia da foz do Douro (atrás vê-se parte da famosa e bela pérgola felizmente ainda existente). Talvez sejam costureiras (uma delas traz consigo uma bolsa com novelo e agulhas de tricot) ou criadas de servir. Supomo-lo pelos vestidos simples e pelo penteado singelo. Não usam alianças, ou jóias ostensivas. Acompanha-as a sobrinha de uma delas? Ao fundo, as barracas de tecido listado e madeira fervilham de bulício. Entre os dois planos, uma senhora, mais velha, vestida de negro, com uma criança ao colo, quase nos distrai com a sua passagem enquanto, um pouco mais adiante, um homem de fato e chapéu na mão observa o acto do fotógrafo. Era em 1945. Longe desta costa, na Europa, terminava um pesadelo de seis anos.
30 de março de 2009
Nuno Gonçalves (c)
No próximo dia 2 de Abril, em Lisboa, no Hotel Fénix, vai acontecer um leilão de livros, fotografia e manuscritos organizado pela Otium Cum Dignitate. Recebi o catálogo e não resisti a digitalizar esta fotografia. Integra um vasto espólio fotográfico da autoria de Sebastião Cunha sobre o funeral do senhor Doutor António Oliveira Salazar. Esta belíssima fotografia condensa meio século de ditadura e perniciosa modelação do carácter nacional: numa pomposa cama, Salazar, de capelo universitário tendo nas mãos uma enorme cruz e terço jaz em cadáver magérrimo (*) de mãos longíneas. Ao lado, uma Maria enlutada (como as mães de província choram filhos e maridos ausentes) carpe a morte do senhor doutor, velado por uma Nossa Senhora de Fátima em plástico e uma pagela de Santa Teresinha de Jesus. Eis o providencial salvador da pátria, que honrou os tamancos do pai transformando Portugal numa enorme horta regida com mãos calejadas pela enxada e pela pena.
(*) O Prof. J. Oliveira chamou-me a atenção para a forma magérrimo como forma desconhecida ou incorrecta do superlativo sintético de magro, sugerindo, em alternativa, macérrimo ou magríssimo. Contudo, como refere o site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, «o "Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, Michaelis" regista magérrimo como superlativo absoluto sintético de magro, embora considere este termo uma forma anormal, sendo a correcta macérrimo. Ainda regista magríssimo. A "Nova Gramática do Português Contemporâneo" de Celso Cunha e Lindley Cintra só refere macérrimo e magríssimo. O "Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa" de D. P. Cegalla diz, na entrada macérrimo, o seguinte: "(...) A forma magérrimo é anormal. Prefira-se macérrimo (forma erudita) ou magríssimo (forma vulgar)."Contudo, já o conceituado "Dicionário de Questões Vernáculas" de Napoleão Mendes de Almeida só refere, para superlativo sintético de magro, as formas magérrimo e magríssimo». Conferir aqui. Assim, considerando certa as formas apontadas pelo caro amigo, e embora magérrimo não seja comum, não se considera incorrecto utilizá-la.
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