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18 de abril de 2017

Gordon Parks e Portugal.

Gordon Parks

 
Gordon Parks

Falecido há 11 anos Gordon Roger Alexander Buchanan Parks, mais conhecido por Gordon Parks esteve (como muitos) em Portugal a serviço da revista LIFE e, ao contrário dos que já cá estavam, contribuiu para equilibrar a imagem de um país pictorialista e doce.
As suas fotografias são das mais cruéis captações de uma realidade escondida à vista de todos. 
Fazendo o percurso que todos faziam, por Lisboa e pelo Estoril, conseguiu através das suas fotografias captar tanto a arrogância, como a pobreza, sem menosprezar o retratado.
Com os seus planos picados e contra-picados, transforma homens e mulheres em gigantes aproximando-se das suas expressões  e dos seus sentimentos.
A mulher pedinte está, quanto a mim, ao nível da mãe migrante, da Dorothea Lange. Mas são outros tempos e...outro lugar.

Gordon Parks

5 de outubro de 2011

Foto de 5 de Outubro de 2011.


Coroa que remata a frontaria da estação de Viana do Castelo. 
Atrás, ao cimo: cúpula e zimbório do santuário de Santa Luzia. 
Outubro de 2011 (c) Nuno Resende.

9 de fevereiro de 2011

CG_002

[S.a.] - Armazens Grandela. Catálogo Geral das Novidades para Inverno. Porto: [Emprêsa Gráfica "A Universal"], [1913?]; 97 páginas, impressão tipográfica sobre papel; 25,8 x 18,5 cm. Colecção de Nuno Resende.

Como prometido, já está disponível, via flickr, o Catálogo Geral das Novidades para o Inverno dos Armazéns Grandela para o inverno de 1913-1914. Escusado será desenvolver, com pormenor, as vantagens desta fonte histórica. Para os Historiadores da Arte do século XX é um repositório fundamental de termos e imagens, fornecendo dados sobre a moda, mobiliário, fotografia, etc; outrossim, para os linguistas e escritores, a própria denominação dos objectos, a influência dos galicismos e outros estrangeirismos, etc; e para os Historiadores, um manancial de dados económicos, sociais e mentais, na véspera da Grande Guerra. De resto, folhear este catálogo é uma delícia para os olhos. Esta é uma das minhas contribuições para compreender a vivência lisboeta durante a Primeira República, longe dos discursos laudatórios sobre figuras e ideologias. Porque a História também se escreve com imagens.

Para aceder às imagens em conjunto, clique aqui.
Para ver um slideshow das imagens, clique aqui.

1 de novembro de 2010

Pensamentos fotográficos



(C) NR. Marginal do Porto, junto a Matosinhos, 2010.

1 de setembro de 2010

Teenage dream




"É uma certeza que o demónio apresenta-se por vezes na forma de pessoas não apenas inocentes, mas também muito virtuosas".
Rev. John Richards, século XVII


Eu tiro fotografias a pessoas. A conhecidos ou anónimos, o que inclui adultos e crianças. Faço-o, claro, sem implicar identificações não consentidas. E gosto, especialmente, de fotografar crianças pela sua espontaneidade, pela vivacidade, pelos sorrisos. É óbvio que a fotografia implica uma captação, a fixação daquele instante (parafraseando M. de Sá Carneiro) que é sempre tão íntimo e tão pessoal e por cuja razão o seu uso deve ser ponderado e correcto. Mas não posso deixar de ficar preocupado com as recentes notícias que dão conta de certas detenções ocorridas em Vilamoura e Moledo. Dois fotógrafos foram detidos após queixa de alguns pais. Segundo estes, os indivíduos actuavam de forma "estranha" e tinham na sua posse várias centenas de fotografias de crianças. Parece notório o crime, porém não posso deixar de considerar censurável que se actue perante este problema (o da exposição pública de crianças) com dois pesos e duas medidas. Todos os dias milhões de fotografias são despejadas na internet por crianças e adolescentes. A maioria delas apela para a exaltação da nudez e da sexualidade. Sites como o hi5, o netlog, o flickr e mesmo o facebook têm acessíveis fotografias francamente explícitas e não foram colocadas por terceiros, se não pelos menores nelas apresentados. E não sei se têm reparado como os videoclipes musicais sexualizam cada vez mais a criança/adolescente (um dos últimos vídeos de Katy Perry, intitulado Teenage Dream, é francamente paradigmático). Então, quem responsabilizamos? Doravante terei mais cuidado com as fotografias que executar. Talvez erradique a figura humana e volte ao abstraccionismo puro. Parece-me que neste novo tempo de caça às bruxas é cada vez mais complicado distinguir entre inocentes e virtuosos...

22 de fevereiro de 2010

Eis a república portuguesa.

Ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX fomos sempre vistos com paternalismo, sobretudo pela cultura inglesa. Primeiro pelos britânicos que em troca de lã nos sorviam o vinho, olhando com desprezo quem lhes pisava o néctar divino. Depois, mais tarde, pelos norte-americanos que, num misto de curiosidade e desinteresse, respigavam estes apontamentos de folclorismo criado pela Segunda República de Portugal, ou Estado Novo de cujos resquícios nos não livramos tão cedo. Para eles seremos sempre típicos. Do Zé Povinho à Vianesa, passando pelo Galo de Barcelos fomos nós que nos criámos, que aceitámos que nos modelassem e que nos promovemos desta forma. Podemos julgá-los pelo olhar que têm de nós?

15 de outubro de 2009

Os Rostos da Verdade.




Depois de ter terminada a interessante exposição sobre os "Rostos de Afonso Henriques", organizada pela Fundação Martins Sarmento, em Guimarães, sugiro a visita ao blogue daquela instituição para ficarmos a conhecer as faces do Fundador. Todas elas são verdadeiras. Traduzem um espírito e uma convicção que ficou patente na memória e na historiografia ao longo dos séculos. Através delas podemos, pelo menos, olhar Afonso Henriques de frente, nos olhos. O mesmo não se pode dizer da certeza da leitura de certos documentos e, muito menos da sinceridade dos seus leitores. É tão fácil perdermo-nos no labirinto das palavras, sobretudo quando somos cegos de soberba e tomamos o Minotauro como nosso guia.

17 de setembro de 2009


Quinta do Paço [e não "Paço da Serrana"] (c) N.R.


Em Cinfães, depois de não sei quantas negociatas, e de não sei quantos olhos fechados, e de não sei quantos assobios para o lado, ardeu o chalet do Paço, uma das últimas residências, ainda que temporária, do explorador e africanista, Alexandre Alberto de Serpa Pinto. Desde a sua alienação pela família, nos anos 80, que a casa andava em bolandas e o recheio foi sendo depredado sem dó nem piedade, não obstante o espaço ter sido adquirido pelo Município. Em 20 anos, pensou-se em tudo e não se fez nada. Até que recentemente, o actual executivo, resolveu ceder aquilo por tuta e meia, durante 50 anos, a uma empresa imobiliária que pretende (pretendia?) transformar o local em resort turístico. Tudo nas barbas de quem diz e faz e acontece. Porquê? Porque aqui o dinheiro e os interesses falam sempre mais alto do que as convicções. Entretanto, não muito longe de Cinfães, a Câmara de Sabrosa gastou 2,5 milhões de euros a recuperar um espaço para dinamizar o nome de Miguel Torga.

6 de junho de 2009

Crónicas de uma viagem I

El Escorial


El Escorial, 2009 (c) N.R.

Há algo de extremista em viajar sozinho. Poder saltar de comboio em comboio sem ouvir as desvantagens e poder assumir, só, as desvantagens. Contudo, há sempre uma nostalgia da presença, o não poder comentar um quadro, ou o não pedir ajuda quando a viagem nos prega as inevitáveis partidas de quem se move no desconhecido. Não obstante os contras, sou um fã das travessias solitárias, da contemplação sem pressas, do silêncio ante cenas, espaços, pedras, árvores... § Os últimos dias foram quase uma sucessão alucinante de ligações, de enganos na hora certa, de um vai e vém constante entre espaços conhecidos e por conhecer. E de imprevistos. No fim tudo resulta num somatório entre o pensado e o executado o que, assim visto, nunca resulta no pensar que viagem foi uma perda de tempo ou de recursos. E cada percurso, por muito que o vejamos destituído de utilidade espiritual não deixa de ser iniciático. Quando estamos sozinhos damo-nos conta disso, de como as viagens começam e acabam dentro dentro de nós. Perante sítios como o Escorial, ou os Picos das Astúrias, ou mesmo ante a mole frenética de Madrid, experienciamos sentimentos diversos que nos confrontam entre gostos, desejos, saudades - vêm ao de cima pessoas, lugares, tempos. Não sendo nacionalista, amo Espanha. Amo este país diverso até à raíz das suas fundações e acredito que o melhor de Portugal para lá derivou ou por lá ficou: uma capacidade histórica e inata para criar e recriar que, algures entre os séculos XVI e XVIII se perdeu deste lado e do outro prosseguiu, até aos dias de hoje. O Escorial que finalmente tive a oportunidade para apreciar (mesmo apesar de conhecer melhor Madrid do que Lisboa) é a prova dessa tenacidade castelhana para prevalecer e rentabilizar. O mosteiro serve a glória dos homens e das suas batalhas, mas como espaço de administração bastou um anexo menor de onde Felipe redigia os seus memorandos lia e coleccionava relíquias numa actividade que teria mais de fetichista do que de religiosidade. Em quase todos os cantos uma marca portuguesa: rainhas e infantes mortos a recordar uma presença que foi grande ante a Europa, passando por Espanha (grande não no sentido patrioteiro e nacionaleiro do termo, entenda-se, grande como em diálogo vertical, face a face que hoje não existe). Aqui e ali o brasão composto do império de Felipe, que incluía o Portugal herdado, comprado e conquistado, fez-me querer que aquele edifício tão austero como belo fosse nosso. Saramago bem podia ter escrito o Memorial do Escorial. Ah, não, já me esquecia. Só o que é feito pelos nossos é mau, é beato e é inútil. Afinal de contas é por isso que ele vive do lado de lá.

31 de maio de 2009

Cidade a ponto luz bordada

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Lisboa, Maio de 2009 (c) N.R.
Uma semana em Lisboa com uma média de 30 graus. O brilho da pedra a expandir a luz em todas as direcções; ruas cheias de gente; eléctricos dolentes a subir e a descer a calçada de São Vicente. Lisboa exaure. O primeiro impacto, para quem vem do norte, é a luz, que ofusca primeiro e depois amolece. A calçada polida, estreita ou subitamente larga, esguia ou aberta na encosta das colinas, demove o mais afoito investigador. Assim foi durante 5 dias: uma caminhada de passo compassado, quase arrastado, pelas ruas e avenidas da cidade. Nos Anjos um hotel com a janela do quarto virada para um pátio interior foi o oásis. Por momentos abstraí-me do movimento da Almirante Reis onde a expressão multiculturalismo atinge o verdadeiro sentido. Uma hera trepava a parede vagamente iluminada pelo sol abrasador e fazia recordar-me a letra de Ary dos Santos: Da luz que meus olhos vêem tão pura / Teus seios são as colinas, varina / Pregão que me traz à porta, ternura / Cidade a ponto luz bordada / Toalha à beira mar estendida...

15 de maio de 2009

Os diálogos da cidade.

Os diálogos da cidade

(c) N.R. "Largo do Moinho de Vento, Porto, 2009

"Os diálogos da cidade"

Amanhã há por cá uma caminhada que tenho o gosto em ciceronear: "O Porto dos Escritores". Mas na preparação da mesma dei-me conta de que, por alguns dos sítios por onde vamos passar, não há nem gente, nem resquícios de uma cidade que ainda há vinte anos conheci, buliçosa e alegre. A Baixa está semeada de um pavimento granítico horroroso e de esterilidade. As paredes, pichadas com tags e grafitos com mensagens duvidosas. Esperando algum diálogo, um arquitecto menos dotado pensou em plantar as cadeiras que vêm na foto, em alguns largos. Na Batalha, a pouco e pouco, e por força do hábito, os mais velhos lá foram ocupando estes módulos, um pouco contra vontade, mas dominados pela retirada inexplicável dos antigos bancos de madeira e ferro. Noutros sítios o mais certo é, contudo, encontrarmos aquelas cadeiras sem amparo, vazias. § Esta desumanização tem tornado o Porto menos pessoal, mais fria, só para turista ver. Os portuenses, aqueles de pai e avô, são cada vez mais raros...

4 de maio de 2009


"Variações" (c) N. R.

As estações de caminho de ferro, sobretudo as mais movimentadas, são locais extraordinários para observarmos expressões, sentimentos, movimentos ordinários ou extravagantes, enfim, para aquilatarmos da dimensão do mundo próximo àquele microcosmos. Por ali, adivinhamos o que nos espera fora dos trilhos e fora das portas da gare. A estação de São Bento, no Porto, é um destes espaços, um dos espaços mais belos da cidade. A forma como a luz entra pelos enormes vãos e vitrais, como o azul dos azulejos de Colaço expandem o sol pelas paredes altas e esmagadoras, deixa qualquer visitante extasiado. Depois, passando às gares, as esguias colunas de ferro fundido, pintadas de verde, são como troncos de sequóias que sustentam folhagem envidraçada, translúcida, como um céu nocturno enevoado. Quando era pequeno, nos meus 4 ou 5 anos e cheguei, pela primeira vez ao Porto, por comboio, depois ter atravessado a longa noite do túnel projectado por Baére, imaginei que a cidade era apenas acessível por aquela passagem estreita, tão estreita que a minha imaginação se contraía com medo para depois se maravilhar com a luz e o movimento da estação, onde afluíam todos os desejos. § Enfim, já me dispersei. Voltando às pessoas: todo e cada um daqueles indivíduos espera, procura ou encontra algo. Nas chegadas e nas partidas revela-se algo surpreendente, ou mesmo mágico e tornámo-nos espontâneos. É interessante como as pessoas assumem uma postura de quase ritual enquanto aguardam e nessa altura somos capazes de vislumbrar-lhes para além do anónimo. Vincam-se as diferenças, as gerações, não sei se pela luz, pela expressão de ansiedade. Noutros sítios sentimos que a sociedade se abate perante um cinzento de inexpressividade. Ali não. Bom, tudo isto será, talvez, um delírio meu...para cair na realidade lembro-me de um amigo meu que com quase 50 anos não fala para mim há mais de seis meses. Amuou com a minha sinceridade. É nestes momentos que eu me lembro que nem sempre as gerações assumem os seus papéis, às vezes diluem-se e quem devia ser não o é. E um adulto passa a ser uma criança. Às vezes é bom, para avivar a memória. Mas outras vezes não, pois infantiliza-a.

16 de abril de 2009

Olhares da fé


N.R. (2005)
Muito antes de descobrir que Miguel Torga se interessara por este extraordinário Cristo crucificado, tive a oportunidade de lhe dedicar um breve estudo histórico e iconográfico. À sua memória acrescenta-se hoje a impressão da memória de outrem. Os objectos, e as pessoas, também se constroem com as memórias das memórias. E estas são, muitas vezes, tudo o que resta.
"Um Cristo rústico, gótico, quase em tamanho natural, de saiote e cabeleira postiça, tão humano que esteve para ser enterrado um dia destes. O povo, cansado de não encontrar sentido na presença passiva e física de uma divindade mal amanhada, resolveu liquidar o caso numa cova. Queimá-lo, era sacrílego; dá-lo para o museu, não solucionava o problema; metê-lo debaixo da terra é que tinha todas as vantagens morais e materiais. § Um homem morto, sepulta-se. Infelizmente, entrou a casuística em acção, e a escultura foi apodrecer para um canto discreto. § O bom povo, embora às cegas e aos repelões, acaba sempre por encontrar a expressão exacta dos seus sentimentos e a soma dos sete palmos de lama no final de cada conta. Mas aparece-lhe um teólogo e dá com tudo em pantanas. Por cada arrazoado que faz um desses sofistas, é mais um paradoxo do mundo. § O daqui, é este deus com pernas e braços de cavador, mas que não cava, acolhido á sombra de telhas sagradas, mas discretamente escondido no fundo de uma sacristia." Miguel Torga, Diário IV (4.ª edição), p. 93 [Arneirós, Lamego, 1 de Abril]

15 de abril de 2009

Quem sabe?

Quizás, quizás, quizás (Loewe) com Jennifer Pugh e produção de Eugenio Recuenco

Aprecio a publicidade, sobretudo quando elaborada com cuidado, arte e imaginação. Se a imprensa e toda a comunicação social, como bem se sabe, são o 4º poder, não há dúvida de que o 5º é publicidade. Cada vez mais virada para os sentidos, brinca com a nossa sensibilidade, apelando para os nossos instintos mais primários. Os publicitários são hoje psicólogos, que cuidadosamente sabem onde tocar e a que recantos mais longínquos da nossa mente devem chegar. Alguém escreveu que a pena é mais poderosa do que a espada. Verdade. As profecias dizem que Cristo virá para matar com a palavra, - Aquele que nunca deixou nada escrito (ou deixou e a areia tratou de engolir-lhe as palavras) - e houve até um imperador chinês que mandou queimar todos os livros para que houvesse memória apenas desde o seu reinado (mais tarde um ditador sentado na mesma cadeira, fez algo semelhante). Mas quem escreveu aquela máxima nunca viu uma imagem num ecrã. Hoje, a imagem é mil vezes mais forte do que a palavra e mil vezes mais afiada do que a espada. Quem quer vender perfumes, manteiga ou presidentes das repúblicas, sabe-o bem. Tudo se vende, tudo se compra, tudo se transforma (e nem sempre de bom para melhor...).