Não aprecio ser subestimado. Creio que ninguém apreciará. Não se trata de uma questão de sobranceria. O respeito pelo saber individual está devidamente consagrado na Declaração dos Direitos Humanos e nas Constituições. O marceneiro não gosta que lhe corrijam o aplainar ou teçam considerações teóricas sobre o ensamblamento, o cientista, com provas dadas em determinada pesquisa, não gosta de ser posto em causa na sua área, por quem é alheio à questão. Já utilizei e volto a utilizar esta expressão: "quem manda ao sapateiro tocar rabecão?"
Vivemos um tempo de certezas absolutas. Uns têm certeza de tudo, são os tudólogos, o país está cheio deles. Outros cheios de certezas de nada, que são os políticos. Entre uns e outros, temos uma sociedade marimbista e de cegos, onde quem tem um olho reina.
O facebook é o exemplo deste maniqueísmo. Neste espaço imaterial, onde se peca sempre por excesso, a razão não tem sentido, a ética não vale um chavo furado e a reciprocidade não existe. Voyeurs, predadores, personalidades nulas na vida real lançam sobre o facebook a personalização de desejos e traumas. Em público não diriam metade das coisas que expressam por ali, nem agiram segundo aquela conduta, ou melhor, o facebook é a ausência de conduta. Em suma, o FB é um jogo que se joga sem regras. Numa partida "regular", o jogador A espera algo do B e vice-versa. Para se avançar em direcção a um ponto (meta, objectivos finais ou intermédios), espera-se uma reciprocidade. No facebook desconhecem-se as regras elementares; é , na maior parte das vezes, um diálogo de cegos e surdos.
Ao ler a troca de correspondência entre Jorge de Sena e Sophia, entrei por alguns minutos num mundo totalmente diferente do actual. Para saber, deseja-se a correcção: Sena corrige e é corrigido, numa cordialidade difícil de ponderar actualmente. Naquele tempo de suaves cartas que demoravam, esperava-se, ponderava-se, analisava-se. O tempo é um bálsamo para o ódio. Hoje, com as sms, os emeiles, os chats, as redes sociais e os blogues, sabemos tudo de tudo, tudo de todos e o anseio por saber mais é como um excesso de líbido. Basta percorrer os "posts" para compreender este estado de situação: uns escrevem por absoluta necessidade de exibição, outros pelo desejo de confissão, outros pelo ataque. E depois os comentários, anónimos, destrutivos, despidos de qualquer fundamentação são a epítome deste percurso caótico.
É preciso mais honestidade intelectual. Mais humildade.
Nascemos e vivemos cheios de certezas. A arrogância é tal que sabemos onde está, ou não está, Deus, se é feito da matéria dos crentes ou dos cépticos. Perdão, onde se lê cépticos, deve ler-se crentes, onde se lê crentes, deve ler-se cépticos. Já não há, sequer, lugar para o chavão "só sei que nada sei". Só certezas absolutas.
Vivemos um tempo de certezas absolutas. Uns têm certeza de tudo, são os tudólogos, o país está cheio deles. Outros cheios de certezas de nada, que são os políticos. Entre uns e outros, temos uma sociedade marimbista e de cegos, onde quem tem um olho reina.
O facebook é o exemplo deste maniqueísmo. Neste espaço imaterial, onde se peca sempre por excesso, a razão não tem sentido, a ética não vale um chavo furado e a reciprocidade não existe. Voyeurs, predadores, personalidades nulas na vida real lançam sobre o facebook a personalização de desejos e traumas. Em público não diriam metade das coisas que expressam por ali, nem agiram segundo aquela conduta, ou melhor, o facebook é a ausência de conduta. Em suma, o FB é um jogo que se joga sem regras. Numa partida "regular", o jogador A espera algo do B e vice-versa. Para se avançar em direcção a um ponto (meta, objectivos finais ou intermédios), espera-se uma reciprocidade. No facebook desconhecem-se as regras elementares; é , na maior parte das vezes, um diálogo de cegos e surdos.
Ao ler a troca de correspondência entre Jorge de Sena e Sophia, entrei por alguns minutos num mundo totalmente diferente do actual. Para saber, deseja-se a correcção: Sena corrige e é corrigido, numa cordialidade difícil de ponderar actualmente. Naquele tempo de suaves cartas que demoravam, esperava-se, ponderava-se, analisava-se. O tempo é um bálsamo para o ódio. Hoje, com as sms, os emeiles, os chats, as redes sociais e os blogues, sabemos tudo de tudo, tudo de todos e o anseio por saber mais é como um excesso de líbido. Basta percorrer os "posts" para compreender este estado de situação: uns escrevem por absoluta necessidade de exibição, outros pelo desejo de confissão, outros pelo ataque. E depois os comentários, anónimos, destrutivos, despidos de qualquer fundamentação são a epítome deste percurso caótico.
É preciso mais honestidade intelectual. Mais humildade.
Nascemos e vivemos cheios de certezas. A arrogância é tal que sabemos onde está, ou não está, Deus, se é feito da matéria dos crentes ou dos cépticos. Perdão, onde se lê cépticos, deve ler-se crentes, onde se lê crentes, deve ler-se cépticos. Já não há, sequer, lugar para o chavão "só sei que nada sei". Só certezas absolutas.

