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26 de fevereiro de 2012

O Caso Urdangarin.

A monarquia em Espanha, como qualquer ideologia, é um problema de nacionalismos. Sem monarquia, Espanha não existe e isso, como é óbvio, agrada a uma maioria que deseja dividir para reinar. O caso Urdangarin é um excelente exemplo de bode expiatório. Não havendo implicações directas ao rei que, como é óbvio, é o chefe de estado e a quem cabe a representação do país, o genro é o melhor rastilho pelo qual, de momento, se prepara o assalto à coroa.
Algumas centenas de manifestantes, diz a comunicação social, foram indignar-se junto ao tribunal onde o Duque de Palma foi hoje ouvido. "Manifestantes, convocados por la organización independentista Maulets, los Joves d'Esquerra Unida, Unidad Cívica por la República (UCxR) y la asamblea de estudiantes de la UIB". É justo, todos os países têm contristas - se é numa república, monárquicos, se numa monarquia republicanos. Mas é curioso que muitos dos cartazes filmados pelas televisões mostravam frases que iam além da simples manifestação: estes protestantes mais do republicanos, são antimonárquicos. Isto é bem revelador de incapacidade de diálogo destes grupos com o mainstream político e ideológico. Duvido que, para eles, a própria ideia de sistema republicano lhes sirva.
E não está em causa saber se o genro do rei é culpado ou não. Isso é o mesmo que imputar culpas ao presidente de uma república se a mulher ou a filha estiverem envolvidas em negócios ilícitos. Dever-se-ia extinguir o regime por essa causa?
Depois das acampadas, particularmente expressivas e em moda por terras de Espanha, criou-se aquela ilusão de que a partir de agora é mais fácil derrubar pessoas e regimes. Será por acaso que isto sucede no país que ensaiou a devastação da Europa nos anos 30 e 40 do século passado?
Creio que não.

6 de setembro de 2010

Nacionalistas ou Oportunistas?




O líder do PNR (Partido Nacional Renovador), José Pinto Coelho, vai candidatar-se ao lugar de Presidente da República, não obstante declarar-se monárquico (segundo o mesmo esta convicção é «um assunto de segundo plano»). Não conheço muito do percurso de vida deste indivíduo, embora me tenha bastado esta entrevista para ficar com uma ideia bastante precisa do que é que o senhor quer e para onde vai. § Qualquer um pode ser monárquico. Deve sê-lo com uma ideia essencial de que o sistema em que acredita não é o melhor de todos, mas uma alternativa séria, fundamentada e, sobretudo inclusiva, em relação a todas as outras. Tenho observado como os Movimentos Nacionalistas se vão colando à ideia de Causa Monárquica, subrepticiamente tomando para si a herança do Integralismo Lusitano e tentando aproveitar a boleia do movimento emergente neo-monarquista que não tinha tanta força desde as incursões Paiva Couceiro. Entendo e aceito porque vivemos em liberdade e contra a expressão e a crença não acredito nem subscrevo amarras e censuras. Mas não concordo. Não posso concordar nem apoiar que se tente passar a imagem de um Partido Nacionalista sem xenofobia, sem teses rácicas e sem desejos opressores. Aliás, vi o chefe da Casa Real numa manifestação pró-família quase ladeado por manifestantes do PNR e não gostei. Acredito numa monarquia constitucional, em que o chefe de estado não está manietado por ideologias, grupos, ou pressões. lobistas É por isso que sou monárquico e não republicano. E como acredito num sistema de cidadania activa não-partidária, tenho todo o direito para invocar esta minha crença para não subscrever os partidos enquanto redes formais e informais de influências individuais e colectivas, seja ele o BE ou o PNR. De resto, já aqui fiz a comparação entre ambos. Houve quem discordasse, mas é difícil rebater uma coisa: os extremos tocam-se. Tocam-se na mesma atitude agressiva ante o Outro, no mesmo discurso inóquo sobre grupelhos e intocáveis e na forma de estar perante a sociedade em geral, seja em defesa das baleias, dos homossexuais ou dos brancos arianos.