A monarquia é uma forma de regime em que o chefe de Estado é um rei ou uma rainha. Ao contrário do regime republicano, o rei não é eleito, e a representação do país está numa pessoa cujos antepassados participaram na construção e na História do país. Por isso não são estranhos ao povo e como os príncipes criados para reinar não precisam de ter uma carreira política, conhecemo-los desde a infância, até à idade adulta, quando assumem o cargo de Chefe de Estado.
Já viste o que seria se tivesses de escolher os teus pais, ou os teus pais dissessem: eu tenho o direito a escolher o filho que quero? Passa-se o mesmo em República. O nosso Chefe de Estado, em vez de ser alguém que conhecemos e gostamos desde pequenino, é apenas um político que quer um emprego. Representa o país durante 5 ou 10 anos e depois vai-se embora...
A nossa monarquia durou 771 anos como sabes, pois em 1910 um golpe de estado expulsou o rei D. Manuel II, a sua mãe e a sua avó para fora do país. Isso foi bom ou foi mau? Deve caber a ti estudares para compreenderes as alterações dessa época, mas gostava de te explicar que a República instaurada em 5 de Outubro de 1910 não veio trazer a democracia a Portugal. Nessa altura o nosso país já tinha liberdade. As pessoas podiam votar e a Imprensa publicava todas as críticas que queria.
Ao contrário do que a propaganda republicana tem dito, a democracia foi introduzida em Portugal em 1834, suspensa algumas vezes até 1926 e neste ano definitivamente silenciada, dando origem a uma das mais longas ditaduras de sempre, em todo o mundo! Foi o Estado Novo ou Segunda República, que durou de 1933 até 1974! Neste ano a Democracia voltou a Portugal, pela Revolução de 25 de Abril, como decerto já ouviste falar.
Em 771 anos tivemos 33 monarcas, o que perfaz uma média de cerca de 22 anos por reinado. Compreendes a importância desta estabilidade? Em 100 anos de República, de 1910 a 2010 tivemos 19 presidentes, o que se traduz numa média de 5 anos por mandato... alguns deles conflituosos, pois o presidente procura fazer os possíveis para agradar aos eleitores e ao partido ou partidos que o apoiam. Não está ali simplesmente para representar o país, mas para se representar a si mesmo e a quem vota nele...
Também tivemos algumas rainhas e regentes, mais ainda não tivemos nenhuma mulher presidente da República!
Mas, então, perguntarás, se a monarquia tinha vantagens, porque terminou? Bem, como tens visto na televisão, em relação às revoluções no estrangeiro, nem sempre estas revoluções são populares. Muitas vezes, um grupo pequeno, bem relacionado e que recorra à violência pode derrubar regimes. Foi o que aconteceu em Portugal. Os republicanos estavam em menor número, mas:
- aproveitaram-se do desgaste partidário, ocasionado pela alternância constante entre 2 partidos no poder;
- aproveitaram-se das ideias nacionalistas de pátria e de herói para fazer passar a sua mensagem;
- fizeram ataques ferozes ao Rei D. Carlos e à sua família, espalhando boatos e criando uma imagem negativa da monarquia que diziam despesista e ostensiva;
- recorreram à violência através de uma organização terrorista e chamada Carbonária que assassinou o Rei e o seu filho, de 21 anos, D. Luís Filipe, em 1908 (foi o Regicídio) e através de uma organização secreta que ainda hoje existe, a Maçonaria, conseguiram controlar o exército e alguns políticos;
-e, finalmente, como o país, infelizmente, ainda era constituído essencialmente por pessoas iletradas, culturalmente pouco informadas, facilmente o Partido Republicano pode controlar os cidadãos, com mensagens demagógicas e inflamadas. (É por isso que deves estudar e questionar tudo para seres um adulto com consciência cívica!)
Depois de instaurada a República, sucederam-se imensos atropelos à liberdade que o novo regime tinha prometido. Pessoas foram perseguidas por serem católicas, monárquicas ou simplesmente por não colaborarem com o novo regime. E os próprios republicanos lutaram entre si para conquistar e aguentar o poder. Em 1914 a república levou milhares de jovens a entrar na I Grande Guerra. Muitos morreram e o país desmoralizava perante uma crise económica, social e política. Todos os dias havia atentados em Lisboa, o governo caía, os presidentes demitiam-se ou eram demitidos por golpes de estado. Entre 1911 e 1926 houve quase 50 governos!
Porém, a monarquia sempre foi uma alternativa democrática em Portugal, tanto durante a Primeira República, como durante o Estado Novo e mesmo hoje.
A Europa, como deves saber é praticamente constituída por Monarquias Constitucionais, como Portugal o era antes de 1910. Monarquias Constitucionais e (ou) Parlamentares são aquelas em que o rei não governa (para isso existe o Primeiro-Ministro e o seu Conselho de Ministros que nós elegemos), cabendo-lhe apenas a representação e a regulação das instituições do seu país. Por isso países desenvolvidos como a Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, e aqui ao lado Espanha são monarquias. E fora da Europa encontramos muitas mais: Japão, Marrocos, Jordânia, etc. o Reino Unido, por exemplo, e a Comonwealth que estende pelo Canadá e pela Austrália, entre outros países, cuja chefe de Estado é a rainha Isabel II.
Não há regimes perfeitos. Nem pessoas. Acima de tudo deves procurar saber o que melhor serve a tua nação e pensar por ti. Não grites Viva a República! sem perguntares a quem to manda fazer, se existe uma alternativa e se essa alternativa é melhor ou pior. Acima de tudo sê um cidadão informado pois só assim podes construir um país melhor e contribuir para um futuro mais sorridente a quem viver em Portugal nos próximos anos. E que estes anos sejam mais pacíficos e prósperos do que foram os últimos 100.
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26 de fevereiro de 2011
22 de maio de 2009
A deseducação em Portugal.
É fácil deseducar em Portugal, mas nunca como nas últimas décadas se deseducou tanto. Aquela geração rasca que falava o Vicente Jorge Silva, nos anos 90, era já um produto desse "percurso educativo" feito de avanços exagerados e retrocessos ideológicos. No período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 a escola tornou-se de todos, os alunos constestavam e muitos professores foram acolher-se nas correntes marxistas para construir uma nova escola. Foi assim muito além da integração de Portugal na C.E.E., mas mal o país de refazia dessa "nova escola", viu-se perante uma formatação europeísta. A história pátria, (eminentemente fascista, claro) foi substituída pela tecnocracia europeia, repleta de siglas e datas sugestivas onde os tratados assumiam o lugar das velhas guerras. Entretanto, a educação - o ensinar e o aprender - foi sendo substituída por experiências pedagógicas. A criança, outrora tratada à força da palmatória, emancipou-se. Tudo lhe era (é) perdoado e o professor reduzido a mero figurante cénico nesta tragicomédia. E chegamos, recentemente, ao absurdo: um absurdo perigoso chamado Educação e Formação de Adultos ou cursos EFA introduzidos pelo edénico programa Novas Oportunidades que o actual governo gizou. § Na ânsia de subir depressa uma escada há muito tempo escalada pela maioria dos países do centro e norte da Europa, inventou-se um sistema de diplomas em massa. Através de um programa educativo inócuo, obtém-se a escolaridade que não se alcançou pelo sistema "normal". O mote, dizem os teóricos, é o estimulo à criatividade, mas tudo orbita em redor de uma mediocridade que limita a crítica do aluno. Aluno não, o formando, pois o sistema reduz o binómio docente-discente a um estranho diálogo de reflexões e apreciações vagas que o formador deve acatar como resultado do incipiente trabalho do formando. Este, sem bases seguras a nível estrutural (língua materna e outras, matemáticas, etc) passa as Unidade de Competências e os Núcleos Geradores com reflexões supostamente críticas que não são mais do que devaneios momentâneos sem qualquer substância conceptual. Nestes Cursos tudo é acrónimo e siglas: EFA, NG, UC, que o formando assimila automaticamente sem saber definir conceitos ou aplicá-los. Na ânsia de poupar formadores e o grande sistema concebido para uma transição fácil e uma formação pela rama, não há avaliação qualitativa, apenas validação de competências que culminam com uma análise do Portefólio. Este Portefólio, que ninguém sabe muito bem o que é nem o que realmente pretende ser, resume tudo aquilo que o formando efectou ao longo do curso: uma miscelânea de documentos, sem qualquer homogeneidade, ou sentido prático. § Fui recentemente assistir a uma acção levada a cabo por uma Direcção Regional de Educação sobre estes cursos EFA e fiquei absolutamente siderado. Os agentes da dita DRE debitavam um discurso apologético e perfeitamente formativo do ponto de vista ideológico, que os professores, perdão, formadores presentes, acatavam conscientemente (poucos) ora de forma pavloviana (os restantes), como se dependesse daquilo o seu modo de vida já tão arrastado pelas ruas da amargura... bom, no fundo depende. Com o dinheiro disponibilizado pela U.E. canalizado através de um certo Programa de potencialização humana (POPH) estes cursos EFA são o pão de muita gente e os bolos de outros tantos oportunistas - mas isso são outros quinhentos. Depois, quando aparecem casos como o da Escola de Espinho, gritam aqui del'rei. Não estamos já habituados? Formam-se maus alunos e estes serão maus professores. O círculo é vicioso, será que ainda ninguém o compreendeu?
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