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22 de maio de 2009

A deseducação em Portugal.

É fácil deseducar em Portugal, mas nunca como nas últimas décadas se deseducou tanto. Aquela geração rasca que falava o Vicente Jorge Silva, nos anos 90, era já um produto desse "percurso educativo" feito de avanços exagerados e retrocessos ideológicos. No período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 a escola tornou-se de todos, os alunos constestavam e muitos professores foram acolher-se nas correntes marxistas para construir uma nova escola. Foi assim muito além da integração de Portugal na C.E.E., mas mal o país de refazia dessa "nova escola", viu-se perante uma formatação europeísta. A história pátria, (eminentemente fascista, claro) foi substituída pela tecnocracia europeia, repleta de siglas e datas sugestivas onde os tratados assumiam o lugar das velhas guerras. Entretanto, a educação - o ensinar e o aprender - foi sendo substituída por experiências pedagógicas. A criança, outrora tratada à força da palmatória, emancipou-se. Tudo lhe era (é) perdoado e o professor reduzido a mero figurante cénico nesta tragicomédia. E chegamos, recentemente, ao absurdo: um absurdo perigoso chamado Educação e Formação de Adultos ou cursos EFA introduzidos pelo edénico programa Novas Oportunidades que o actual governo gizou. § Na ânsia de subir depressa uma escada há muito tempo escalada pela maioria dos países do centro e norte da Europa, inventou-se um sistema de diplomas em massa. Através de um programa educativo inócuo, obtém-se a escolaridade que não se alcançou pelo sistema "normal". O mote, dizem os teóricos, é o estimulo à criatividade, mas tudo orbita em redor de uma mediocridade que limita a crítica do aluno. Aluno não, o formando, pois o sistema reduz o binómio docente-discente a um estranho diálogo de reflexões e apreciações vagas que o formador deve acatar como resultado do incipiente trabalho do formando. Este, sem bases seguras a nível estrutural (língua materna e outras, matemáticas, etc) passa as Unidade de Competências e os Núcleos Geradores com reflexões supostamente críticas que não são mais do que devaneios momentâneos sem qualquer substância conceptual. Nestes Cursos tudo é acrónimo e siglas: EFA, NG, UC, que o formando assimila automaticamente sem saber definir conceitos ou aplicá-los. Na ânsia de poupar formadores e o grande sistema concebido para uma transição fácil e uma formação pela rama, não há avaliação qualitativa, apenas validação de competências que culminam com uma análise do Portefólio. Este Portefólio, que ninguém sabe muito bem o que é nem o que realmente pretende ser, resume tudo aquilo que o formando efectou ao longo do curso: uma miscelânea de documentos, sem qualquer homogeneidade, ou sentido prático. § Fui recentemente assistir a uma acção levada a cabo por uma Direcção Regional de Educação sobre estes cursos EFA e fiquei absolutamente siderado. Os agentes da dita DRE debitavam um discurso apologético e perfeitamente formativo do ponto de vista ideológico, que os professores, perdão, formadores presentes, acatavam conscientemente (poucos) ora de forma pavloviana (os restantes), como se dependesse daquilo o seu modo de vida já tão arrastado pelas ruas da amargura... bom, no fundo depende. Com o dinheiro disponibilizado pela U.E. canalizado através de um certo Programa de potencialização humana (POPH) estes cursos EFA são o pão de muita gente e os bolos de outros tantos oportunistas - mas isso são outros quinhentos. Depois, quando aparecem casos como o da Escola de Espinho, gritam aqui del'rei. Não estamos já habituados? Formam-se maus alunos e estes serão maus professores. O círculo é vicioso, será que ainda ninguém o compreendeu?

25 de novembro de 2008

Quem ler até acredita que é verdade.

Ver em APH.


No site da Associação de Professores de História há um link que nos remete para um sumário da História de Portugal, em inglês. A ideia, tanto quanto percebo, é permitir a um estrangeiro que visite o espaço da APH conhecer a História do nosso país em 10 minutos. Uma espécie de tudo-o-que-você-quis-saber-sobre-Portugal ou Portugal-for-dummies. Interessante é quando chegamos à parte em que cabe explicar o significado das lindas cores da bandeira republicana.


The green is the colour for hope in the future.

The red is the symbol of the courage and blood spilled by Portuguese soldiers on the battle field.

(O verde é cor da esperança no futuro. O vermelho o símbolo da coragem e do sangue derramado pelos portugueses no campo de batalha).


Eu já não acredito neste relambório Estado novista desde os bancos da primária. E pergunto: é isto que a maioria dos professores de História ensina aos seus alunos? Se é, não há dúvida que as comemoração do centenário da república levam já um grande avanço. É que as cores absolutamente díspares e aberrantes que constituem a bandeira pós-1910 têm a sua origem nas correntes socialista (vermelho) e positivista (verde) que maravilhavam a trupe republicana implicada no golpe de estado de 5 de Outubro. Não há cá esperança alguma, nem sangue dos heróis portugueses. Ou melhor, talvez o vermelho da bandeira seja a parcela branca da bandeira nacional tingida de rubro com o sangue derramado pelo D. Carlos e pelo Princípe D. Luís Filipe, quando estes foram assassinados à queima-roupa, pelas costas por dois carbonários republicanos. Nesse caso sim, poderíamos dizer que a bandeira vermelha e verde tem alguma nobreza na sua existência.