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26 de fevereiro de 2011

A República explicada às crianças

A monarquia é uma forma de regime em que o chefe de Estado é um rei ou uma rainha. Ao contrário do regime republicano, o rei não é eleito, e a representação do país está numa pessoa cujos antepassados participaram na construção e na História do país. Por isso não são estranhos ao povo e como os príncipes criados para reinar não precisam de ter uma carreira política, conhecemo-los desde a infância, até à idade adulta, quando assumem o cargo de Chefe de Estado.
Já viste o que seria se tivesses de escolher os teus pais, ou os teus pais dissessem: eu tenho o direito a escolher o filho que quero? Passa-se o mesmo em República. O nosso Chefe de Estado, em vez de ser alguém que conhecemos e gostamos desde pequenino, é apenas um político que quer um emprego. Representa o país durante 5 ou 10 anos e depois vai-se embora...
A nossa monarquia durou 771 anos como sabes, pois em 1910 um golpe de estado expulsou o rei D. Manuel II, a sua mãe e a sua avó para fora do país. Isso foi bom ou foi mau? Deve caber a ti estudares para compreenderes as alterações dessa época, mas gostava de te explicar que a República instaurada em 5 de Outubro de 1910 não veio trazer a democracia a Portugal. Nessa altura o nosso país já tinha liberdade. As pessoas podiam votar e a Imprensa publicava todas as críticas que queria.
Ao contrário do que a propaganda republicana tem dito, a democracia foi introduzida em Portugal em 1834, suspensa algumas vezes até 1926  e neste ano definitivamente silenciada, dando origem a uma das mais longas ditaduras de sempre, em todo o mundo! Foi o Estado Novo ou Segunda República, que durou de 1933 até 1974! Neste ano a Democracia voltou a Portugal, pela Revolução de 25 de Abril, como decerto já ouviste falar.
Em 771 anos tivemos 33 monarcas, o que perfaz uma média de cerca de 22 anos por reinado. Compreendes a importância desta estabilidade? Em 100 anos de República, de 1910 a 2010 tivemos 19 presidentes, o que se traduz numa média de 5 anos por mandato...  alguns deles conflituosos, pois o presidente procura fazer os possíveis para agradar aos eleitores e ao partido ou partidos que o apoiam. Não está ali simplesmente para representar o país, mas para se representar a si mesmo e a quem vota nele...
Também tivemos algumas rainhas e regentes, mais ainda não tivemos nenhuma mulher presidente da República!
Mas, então, perguntarás, se a monarquia tinha vantagens, porque terminou? Bem, como tens visto na televisão, em relação às revoluções no estrangeiro, nem sempre estas revoluções são populares. Muitas vezes, um grupo pequeno, bem relacionado e que recorra à violência pode derrubar regimes. Foi o que aconteceu em Portugal. Os republicanos estavam em menor número, mas:
- aproveitaram-se do desgaste partidário, ocasionado pela alternância constante entre 2 partidos no poder;
- aproveitaram-se das ideias nacionalistas de pátria e de herói para fazer passar a sua mensagem;
- fizeram ataques ferozes ao Rei D. Carlos e à sua família, espalhando boatos e criando uma imagem negativa da monarquia que diziam despesista e ostensiva;
- recorreram à violência através de uma organização terrorista e chamada Carbonária que assassinou o Rei e o seu filho, de 21 anos, D. Luís Filipe, em 1908 (foi o Regicídio) e através de uma organização secreta que ainda hoje existe, a Maçonaria, conseguiram controlar o exército e alguns políticos;
-e, finalmente, como o país, infelizmente, ainda era constituído essencialmente por pessoas iletradas, culturalmente pouco informadas, facilmente o Partido Republicano pode controlar os cidadãos, com mensagens demagógicas e inflamadas. (É por isso que deves estudar e questionar tudo para seres um adulto com consciência cívica!)
Depois de instaurada a República, sucederam-se imensos atropelos à liberdade que o novo regime tinha prometido. Pessoas foram perseguidas por serem católicas, monárquicas ou simplesmente por não colaborarem com o novo regime. E os próprios republicanos lutaram entre si para conquistar e aguentar o poder. Em 1914 a república levou milhares de jovens a entrar na I Grande Guerra. Muitos morreram e o país desmoralizava perante uma crise económica, social e política. Todos os dias havia atentados em Lisboa, o governo caía, os presidentes demitiam-se ou eram demitidos por golpes de estado. Entre 1911 e 1926 houve quase 50 governos!
Porém, a monarquia sempre foi uma alternativa democrática em Portugal, tanto durante a Primeira República, como durante o Estado Novo e mesmo hoje.
A Europa, como deves saber é praticamente constituída por Monarquias Constitucionais, como Portugal o era antes de 1910. Monarquias Constitucionais e (ou) Parlamentares são aquelas em que o rei não governa (para isso existe o Primeiro-Ministro e o seu Conselho de Ministros que nós elegemos), cabendo-lhe apenas a representação e a regulação das instituições do seu país. Por isso países desenvolvidos como a Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, e aqui ao lado Espanha são monarquias. E fora da Europa encontramos muitas mais: Japão, Marrocos, Jordânia, etc. o Reino Unido, por exemplo, e a Comonwealth que estende pelo Canadá e pela Austrália, entre outros países, cuja chefe de Estado é a rainha Isabel II.
Não há regimes perfeitos. Nem pessoas. Acima de tudo deves procurar saber o que melhor serve a tua nação e pensar por ti. Não grites Viva a República! sem perguntares a quem to manda fazer, se existe uma alternativa e se essa alternativa é melhor ou pior. Acima de tudo sê um cidadão informado pois só assim podes construir um país melhor e contribuir para um futuro mais sorridente a quem viver em Portugal nos próximos anos. E que estes anos sejam mais pacíficos e prósperos do que foram os últimos 100.

23 de outubro de 2010

Citação do dia.

[Público]: Um adulto pode chegar [ao Programa Novas Oportunidades] com o 6.º ano e sair, em poucos meses, com o 12.º?


Pode acontecer. Há uma ruptura com a lógica de disciplinas, das metodologias de ensino e aprendizagem para uma lógica mais abrangente de evidenciar o que o adulto sabe e integrar a sua experiência. Um autarca com o 6.º ano não tem experiência e competências que lhe permita terminar o secundário? Não tem mais do que um jovem de 18 anos que conclui o secundário? Não vou preocupar-me com o tempo que as pessoas levam a adquirir um certificado. Eu preocupo-me se o mecanismo da avaliação está a ser cumprido com rigor. Quem passar pela INO tem que passar por todos os saberes. Os nossos alunos têm que demonstrar competências. [Luís Capucha, director da Agência Nacional para a Qualificação]

Está tudo dito.

18 de setembro de 2010

Recortes #3


Este é o Estado de Portugal. Daqui para a frente só pode ser pior. Não pensem nos vossos filhos, não. Deixem-se estar quietinhos com a vossa vida pacata, os vossos 2 carros, as idas ao centro comercial, e as férias ao estrangeiro. Vão deitando o voto nos mesmos partidos e deixando que políticos profissionais transformem a cidadania em gestão, para que coisas como a Saúde ou a Educação sejam ultrapassadas por obras irreais de betão e ferro. Não se acautelem, não, que quando acabar o dinheiro e a comida escassear vamos ter que pôr muitas dezenas de anos de conhecimento útil em dia. O paleio sobre o Humanismo Social, o Relativismo, o Bem Público e o Desenvolvimento Sustentável vai levar-nos ao ponto de partida. Se para uns a lição vem a tempo, lamento que para as gerações futuras seja um triste castigo.

15 de setembro de 2010

Na boca de Alçada, a esperança morreu.


O comunicado de Isabel Alçada ao país é a súmula dos últimos 30 anos de experiências pedagógicas e da dança de cadeiras dos políticos e tecnocratas da educação. É bambochata. É ridículo. E trágico. Lembra a estrofe de António Nobre: "Amigos, Que desgraça nascer em Portugal.".

2 de outubro de 2009

O Regime e a Educação.


Eu sou monárquico e não vejo qualquer vantagem numa república, muito menos numa onde as instituições não funcionam (o que não só limita a democracia, mas enfraquece o desenvolvimento e a confiança da economia, males primários de Portugal). Mas há algo que tem contribuído para que, cá, esta engrenagem não funcione devidamente, de tal forma que qualquer que seja o regime ou o governo, cada um deles seja frequentemente abalado por algo que nos é intrínseco: a maledicência e a falta de respeito. Há quem diga que é uma pescadinha de rabo na boca: os políticos não se respeitam entre si, portanto que exemplo terá o "povo" para o fazer. Não, não é assim. Não tem que ser assim. A capacidade de dizermos mal uns dos outros corrói todas as relações e interfere no regulamento da sociedade. Das escolas à política não há respeito, não há vergonha, não há um pingo de decência. O Prof. Doutor Cavaco Silva, filho de um gasolineiro, com todos os defeitos com que ultimamente nos tem presenteado, é Presidente da República. Não é um bandalho qualquer. E, no entanto, tem sido tratado com menos respeito do que alguns criminosos da praça. Isto não é de agora e tem um culpado maior, que se chama Comunicação Social, na sua maioria um grupelho de comentadores mal formados que se tem nos píncaros da importância. E talvez seja mesmo um dos resultados da República que, à pressão, pouco depois de 1910 transformou «padeiros» em «técnicos de panificação» e criadas em «empregadas». E porque todas as profissões têm o seu valor individual o nivelamento forçado da República originou uma massa amorfa de indivíduos-tu-cá-tu-lá, sem brio, sem distinção. Mesmo o Doutor que pela frente é tratado com servil deferência, mal vira as costas está a ser caluniado. Como se muda isto? Já não se muda. A educação e o civismo que devia ser afeiçoado das Escolas desapareceu com a desautorização constante dos professores e com as novas práticas pedagógicas do laissez faire... E reparem que não afirmo isto com tom moralista, a liberdade está aí é para ser usada. É, para mim, a forma como a usamos que nos distingue entre «seres» e «humanos». Eu prefiro a humanidade.

22 de maio de 2009

A deseducação em Portugal.

É fácil deseducar em Portugal, mas nunca como nas últimas décadas se deseducou tanto. Aquela geração rasca que falava o Vicente Jorge Silva, nos anos 90, era já um produto desse "percurso educativo" feito de avanços exagerados e retrocessos ideológicos. No período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 a escola tornou-se de todos, os alunos constestavam e muitos professores foram acolher-se nas correntes marxistas para construir uma nova escola. Foi assim muito além da integração de Portugal na C.E.E., mas mal o país de refazia dessa "nova escola", viu-se perante uma formatação europeísta. A história pátria, (eminentemente fascista, claro) foi substituída pela tecnocracia europeia, repleta de siglas e datas sugestivas onde os tratados assumiam o lugar das velhas guerras. Entretanto, a educação - o ensinar e o aprender - foi sendo substituída por experiências pedagógicas. A criança, outrora tratada à força da palmatória, emancipou-se. Tudo lhe era (é) perdoado e o professor reduzido a mero figurante cénico nesta tragicomédia. E chegamos, recentemente, ao absurdo: um absurdo perigoso chamado Educação e Formação de Adultos ou cursos EFA introduzidos pelo edénico programa Novas Oportunidades que o actual governo gizou. § Na ânsia de subir depressa uma escada há muito tempo escalada pela maioria dos países do centro e norte da Europa, inventou-se um sistema de diplomas em massa. Através de um programa educativo inócuo, obtém-se a escolaridade que não se alcançou pelo sistema "normal". O mote, dizem os teóricos, é o estimulo à criatividade, mas tudo orbita em redor de uma mediocridade que limita a crítica do aluno. Aluno não, o formando, pois o sistema reduz o binómio docente-discente a um estranho diálogo de reflexões e apreciações vagas que o formador deve acatar como resultado do incipiente trabalho do formando. Este, sem bases seguras a nível estrutural (língua materna e outras, matemáticas, etc) passa as Unidade de Competências e os Núcleos Geradores com reflexões supostamente críticas que não são mais do que devaneios momentâneos sem qualquer substância conceptual. Nestes Cursos tudo é acrónimo e siglas: EFA, NG, UC, que o formando assimila automaticamente sem saber definir conceitos ou aplicá-los. Na ânsia de poupar formadores e o grande sistema concebido para uma transição fácil e uma formação pela rama, não há avaliação qualitativa, apenas validação de competências que culminam com uma análise do Portefólio. Este Portefólio, que ninguém sabe muito bem o que é nem o que realmente pretende ser, resume tudo aquilo que o formando efectou ao longo do curso: uma miscelânea de documentos, sem qualquer homogeneidade, ou sentido prático. § Fui recentemente assistir a uma acção levada a cabo por uma Direcção Regional de Educação sobre estes cursos EFA e fiquei absolutamente siderado. Os agentes da dita DRE debitavam um discurso apologético e perfeitamente formativo do ponto de vista ideológico, que os professores, perdão, formadores presentes, acatavam conscientemente (poucos) ora de forma pavloviana (os restantes), como se dependesse daquilo o seu modo de vida já tão arrastado pelas ruas da amargura... bom, no fundo depende. Com o dinheiro disponibilizado pela U.E. canalizado através de um certo Programa de potencialização humana (POPH) estes cursos EFA são o pão de muita gente e os bolos de outros tantos oportunistas - mas isso são outros quinhentos. Depois, quando aparecem casos como o da Escola de Espinho, gritam aqui del'rei. Não estamos já habituados? Formam-se maus alunos e estes serão maus professores. O círculo é vicioso, será que ainda ninguém o compreendeu?

25 de novembro de 2008

Quem ler até acredita que é verdade.

Ver em APH.


No site da Associação de Professores de História há um link que nos remete para um sumário da História de Portugal, em inglês. A ideia, tanto quanto percebo, é permitir a um estrangeiro que visite o espaço da APH conhecer a História do nosso país em 10 minutos. Uma espécie de tudo-o-que-você-quis-saber-sobre-Portugal ou Portugal-for-dummies. Interessante é quando chegamos à parte em que cabe explicar o significado das lindas cores da bandeira republicana.


The green is the colour for hope in the future.

The red is the symbol of the courage and blood spilled by Portuguese soldiers on the battle field.

(O verde é cor da esperança no futuro. O vermelho o símbolo da coragem e do sangue derramado pelos portugueses no campo de batalha).


Eu já não acredito neste relambório Estado novista desde os bancos da primária. E pergunto: é isto que a maioria dos professores de História ensina aos seus alunos? Se é, não há dúvida que as comemoração do centenário da república levam já um grande avanço. É que as cores absolutamente díspares e aberrantes que constituem a bandeira pós-1910 têm a sua origem nas correntes socialista (vermelho) e positivista (verde) que maravilhavam a trupe republicana implicada no golpe de estado de 5 de Outubro. Não há cá esperança alguma, nem sangue dos heróis portugueses. Ou melhor, talvez o vermelho da bandeira seja a parcela branca da bandeira nacional tingida de rubro com o sangue derramado pelo D. Carlos e pelo Princípe D. Luís Filipe, quando estes foram assassinados à queima-roupa, pelas costas por dois carbonários republicanos. Nesse caso sim, poderíamos dizer que a bandeira vermelha e verde tem alguma nobreza na sua existência.

25 de março de 2008

Wikipédia: a construção do conhecimento ou a destruição do Saber?

Felizmente alguém se lembrou de lançar esta questão: e se a wikipédia, um projecto altamente meritório e interessante - talvez o livro interminável de areia, de que falava o Borges - se tornasse na coutada de «uma oligarquia de esquizofrénicos com insónia»? A pergunta é pertinente se atinarmos, verdadeiramente, com o esquema de governo pelo qual se rege este imenso «reino do conhecimento». Partilhar conhecimento nem sempre significa partilhar saber. A internet é prova provada deste exemplo. A democratização do acesso e da veiculação de informação transformou o mundo numa sopa primordial de «nada», de lodo estéril, de onde de vez em quando pontilha um broto de saber. A wikipédia é gerida pelos chamados geeks, que podem perceber muito de informática, de comandos básicos, simples e complexos da linguagem informática, mas muito pouco de História, Filosofia e Literatura. O caminho que a wiki segue nas mãos desta gente é um caminho terrífico de corte e cose, de desmanchos caprichosos e de orientações poucos claras, umas vezes de pendor político, religioso e outras, apenas, atribuídas a um qualquer furor clubístico. Aliás, numa altura em que se discute o acordo ortográfico, seria bom que os nossos governantes e gramáticos dessem uma vista de olhos pelo ciberespaço - a pátria de Pessoa foi com a corte para o Rio de Janeiro e não voltou. Pior, ficamos sem rei nem roque e sem língua. O Brasil tem o único Museu da Língua Portuguesa e com razão - eles falam o verdadeiro português, nós não. A wikipédia é prova disso - e é com isto afinal que estamos a educar a nossa juventude.