De vez em quando, num gabinete destas Comissões de Coordenação, alguém tem uma epifania. Num país pouco dado a rasgos de génio, porque os génios geralmente não têm cunha para lubrificar o acesso aos lugares de chefia, qualquer ideia é uma excelente ideia. E quando não é, não importa porque o comum dos comuns também não distingue uma ideia brilhante duma alface. Outras vezes, ajuda-se o cérebro com elementos estimulantes, como parece ter sido o caso do inventor das "Montanhas mágicas" a que a ADRIMAG tem dado especial notícia como complemento à ideia de turismo sustentável. As montanhas mágicas de Montemuro, Arada e Gralheira. fazem parte de um pacote de promoção dentro desse conceito metafísico chamado turismo sustentável, que se assemelha um pouco à ideia de uma bomba nuclear, mas sem o barulho da explosão. Subir à serra de Montemuro, pejada de torres eólicas, estradões de terra batida, lixeiras clandestinas, aldeias sem saneamento e serviços, chamar-lhe montanha mágica e ainda supor que se está a promover um tipo de turismo denominado sustentável exige uma dose muito grande de concentração. Ou de erva, daquela que transforma aerogeradores em estrelas e paisagem destruída em magia.
