Mostrar mensagens com a etiqueta cunha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cunha. Mostrar todas as mensagens

14 de maio de 2012

Breve história do clientelismo português.

O problema não está em observar a predominância destas práticas na sociedade portuguesa do século XVIII e XIX, mas sim em perceber por que é que elas mudaram tão pouco, mesmo com o aparecimento de burocracias modernas e com o fim do antigo regime. Antes da existência de uma burocracia moderna, supostamente alicerçada no mérito, na carreira, nos títulos escolares e académicos e na competência profissional, era natural este mecanismo de troca de favores, entre todos os que acediam ao poder, que intercediam por si e pelos debaixo de si. Mas é impossível deixar de encontrar um espelho dos costumes pátrios que continua a existir, agora sem serem postos no papel e de forma mais sofisticada, mais cara e... ilegal.
 José Pacheco Pereira, Abrupto e Público.

16 de dezembro de 2011

Aprecio

...o corporativismo da BAD (associação portuguesa de bibliotecários, arquivistas e documentalistas)  cujos elementos que a compõem têm constatado existir: 


mas infelizmente já vai tarde. O clientelismo atinge todas as áreas do Estado. Há muito tempo que as pessoas inúteis com habilitações pouco adequadas (ou sem habilitações) preenchem vagas úteis. E, de resto, os lugares são abertos não em função das necessidades, mas das pessoas que os requerem junto dos edis - a quem compete gerir os prémios por bom serviço à causa partidária. Este problema só se resolve com tempo e educação pois até legalmente pode ser contornado. E com certeza que muitos dos associados da BAD - sendo-lhe ofertada uma vaga a medida num qualquer organismo público - infelizmente não denunciariam essa valiosa oportunidade para ingressar numa carreira pública. Vamos ser realistas...

1 de dezembro de 2011

Agradeçam ao senhor Cunha.

Parece que um organismo internacional descobriu o que o governo da República Portuguesa anda a tentar ocultar há anos: a "corrupção no sector público" como causa da crise da dívida em Portugal. Não era preciso gastar milhões em estudos, como aqueles que foram gastos na OTA e no TGV para perceber uma coisa simples, que a corrupção, seja ela do tipo clientelista (como a cunha) ou da alta finança produz efeitos bombásticos no desenvolvimento de um país.
A cunha, por exemplo, tem semeado a incompetência na administração pública que pretere o mérito pela admissão de indivíduos ligados a famílias e partidos. Não ignoremos que a maioria dos concursos públicos estão viciados: ou são feitos à medida de um certo candidato ou o próprio júri justifica com intrincáveis preciosismos a sua escolha, frequentemente um medíocre tirado das fileiras de inúteis que alimentam as Queimas universitárias. Da administração central ao governo, do cantoneiro ao primeiro ministro, faz tudo parte de uma imensa cadeia de favores mútuos que vem do passado: uns ajudam outros e todos se ajudam.
A verdadeira ética que alguns chamam republicana era acabar com a partidocracia e devolver ao cidadão o controle da política. Mas isso, claro, não convém a ninguém. Mesmo os que agora criticam o que antes aplaudiam. Quando havia dinheiro para distribuir e cunhas para agradar a todos, toda gente era pró-europeísta, votava a torto e a direito em PS e PSD. Agora, tirada a gamela, morra o Euro, morra PSD, morra o PS, abaixo os políticos e acabe-se com a corrupção.
É a cair que se aprende a andar, meus amigos.

24 de outubro de 2009

#Sugestões (2)

I. Adeus à Era dos Jornais? Um velho tema, reciclado no The New Republic.
II. O regresso à Linha do Tua: o fim estará mesmo próximo?
III.O anúncio do nascimento do senhor D. Duarte Pio João de Bragança, herdeiro da Coroa de Portugal (1945).
IV. A tripla estrela de Saturno num quadro de Rubens.
V. Câmaras Municipais Portuguesas obrigadas a ter um plano contra a corrupção? Contra qual corrupção? [Ainda há dias um funcionário público me dizia que existem vários níveis de corrupção dentro das Câmaras Municipais, a «cunha» do Presidente da Câmara anula a «cunha» do Vereador que, por sua vez, anula a cunha do técnico administrativo, etc, etc. Faz lembrar aquela arenga revisteira: tudo rouba minha gente. É difícil acabar com isto...digo eu.]
VI. O debate Padre Carreira das Neves versus Saramago. Não foi uma luta épica, antes confrangedora, entre dois velhinhos em cavaqueira amena. Saramago sai a ganhar. A Igreja Portuguesa é muito branda e relaxada. E tem um problema que é o seu pecado capital maior: quer estar de bem com Deus e com o diabo. Quando perceber que isso não é possível será, talvez, tarde de mais. [Post scriptum: o Caderno Anti-Saramago tem, como é seu apanágio, uma magistral resposta à polémica. Uma resposta à altura, aliás, daquelas que o Prof. Carreira das Neves não conseguiu aplicar].

17 de julho de 2009

Já corrompeu ou foi corrompido, hoje?


O que você tem a ver com a corrupção? Um filme para as consciências (Brasil)

"Administração Pública muito permeável à corrupção". O tema percorre as notícias de jornais e de estudos de tempos a tempos. Discute-se, avalia-se a posição de Portugal em relação a outros países, em suma: um "costume", um "hábito social". Pacheco Pereira chamou-lhe o lubrificante da sociedade portuguesa - ao que eu acrescentaria um lubrificante que induz à desaceleração da máquina económica, produtiva e funcional. Porquê? Embora não estejamos habituados a associar a vulgar "cunha" à corrupção, esta pode ser uma das principais causas do atraso económico e social deste país ao admitir em lugares que exigiam mérito, indivíduos medíocres e com pouca formação que só lá chegaram por serem amigos de A ou B. E por isso o país vive, alegremente, à conta da "cunha". É natural. É daqueles alimentos que se come da mesma gamela. E enquanto a gamela estiver sempre cheia e der para uma maioria, esvaziá-la vai ser difícil, pois ninguém quererá morder a mão que o alimenta. Por todo o lado, a cunha, a conveniência, o clientelismo primário tem efeitos: colocações de novos funcionários públicos, aceleração ou desaceleração de projectos urbanísticos e arquitectónicos, etc. E agora que a educação passa para as mãos dos municípios o perigo de monopolização e manipulação das consciências é maior: "dou-te emprego se..." "arriscas-te a perder o emprego se..." O "se" é sempre a lógica partidária, é o tal lubrificante que faz mover a República Portuguesa. A mudança tem de partir que baixo. Tem que partir dos desempregados que o estão por terem sido preteridos por um amigo do vereador ou do presidente da câmara. Já me ofereceram emprego em troca de silêncio ou de um cartão partidário. Recusei, e é mesmo provável que um dia morra à fome enquanto ao meu lado, um rotundo gordo, medíocre e idiota, ensina, governa ou gere à conta de um percurso académico mais pobre do que o meu. Uma coisa é certa, posso ir para a sepultura esfomeado, mas não sem dar luta.