
Imagem retirada daqui
Para que serve um diário? para adolescentes confusas mapearem o caminho até à libido? para intelectuais dolentes grafitarem frases avulsas de viagens íntimas (escancaradas)? Seja qual for o uso que se lhe dá, um diário é a melhor das armas e o maior dos medos. Saber que alguém conta os seus segredos e os dos outros, com a impunidade de um gesto pelas costas chega a ser delicioso. Obscenamente delicioso. Adoro diários. Sobretudo lê-los (os dos grandes escritores, claro). Não escrevo regularmente anotações pessoais suficientes para chegar a construir a que possa chamar "diário". Mas tenho as minhas notas. E às vezes (confesso, confesso...) penso o quão bom seria se aquelas páginas se soltassem. Porque há pessoas que vivem uma alegre fantasia perante os outros. Julgam que ninguém sabe, julgam que ninguém sonha e, afinal de contas, já todos leram os diários uns dos outros. O diário é apenas um exercício, sem garantia de confidencialidade. Basta ler Sebastião da Gama ou Miguel Torga - nós não somos os voyeurs, eles é que o são.