Em Castro Daire, uma criança deu livre expressão à sua imaginação rebelde: enforcou o primeiro-ministro numa árvore na praça principal da vila. Como o "espantalho" era feito em materiais reciclados e porque resultava da fértil imaginação do petiz, chamou-se àquilo arte. Os tiranetes do costume mandaram (ou, segundo alguns, aconselharam) retirar a efígie que magoava os sentimentos dos camaradas e, talvez, de um ou outro transeunte. Foi notícia nos telejornais. Até parece que os senhores jornalistas não vivem em Portugal. E talvez não vivam mesmo: com certeza a maioria deles nunca viu uma queima do Judas, resquício de anti-semitismos e satirismo político onde o coitado do Judas e ás vezes uma comadre e um compadre - personificando sempre um paladino do poder local ou nacional - é queimado ou arrebentado sob o olhar atento e risonho do Zé Povinho. É óbvio que a criancinha, na sua prematura tendência para a crítica política abusou do tema que lhe era proposto: o de expressar-se com materiais reciclados. Podia tê-lo feito retratando as abelhinhas, as alegres vacas que pastam nos viçosos campos das margens do rio Paiva. Enforcou o primeiro-ministro e leva, por um lado com a palmadinha nas costas de um professor ressabiado e, por outro, com o lápis azul destes autarcas nascidos sob a égide estado-novista. A criancinha, além de precoce, deve ser sobredotada: inspirou-se com certeza no lixo reciclado e a reciclar chamado Imprensa que todos os dias enforca políticos e cidadãos sem o mínimo senso daquilo de diz e faz. Com pais, professores e autarcas assim pode assacar-se-lhe culpa? Com certeza que não.
Mostrar mensagens com a etiqueta censura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta censura. Mostrar todas as mensagens
27 de maio de 2012
25 de agosto de 2011
O
moralismo das Esquerdas é muito mais eficaz que o das Direitas.
Ao passo que o segundo não passa de umas citações bíblicas mal amanhadas atiradas ao prevaricadores da rua da aldeia, o primeiro corta o mal pela raíz: censura tudo o que cante, dance ou fale.
Na China é assim. Em breve será no mundo todo.
Ao passo que o segundo não passa de umas citações bíblicas mal amanhadas atiradas ao prevaricadores da rua da aldeia, o primeiro corta o mal pela raíz: censura tudo o que cante, dance ou fale.
Na China é assim. Em breve será no mundo todo.
12 de abril de 2010
Deus ex machina
«Porquê esta fixação na Igreja? Herman esclarece que, "na altura, estávamos convencidos de que um dos problemas maiores da sociedade portuguesa seria a pressão obsessiva da Igreja Católica sobre o poder político. Já em 1988 - apesar de ninguém mo ter confirmado - consta que o final do programa Humor de Perdição teria tido mão pseudodivina. Estava no entanto longe de imaginar que, dez anos mais tarde, teria a prova de que os mais perigosos garrotes da liberdade de expressão desta espécie de democracia residem dentro das togas e não das batinas".»
Herman José, sobre a pretensa censura do Humor de Perdição. E sobre a «censura», em geral.
Herman José, sobre a pretensa censura do Humor de Perdição. E sobre a «censura», em geral.
Subscrever:
Mensagens (Atom)