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27 de abril de 2011

Sorry, old republican chaps!



Pode ser um exagero, pode ser uma lamechice, pode ser excessivo em tempos de crise. Mas a euforia não se esconde, só os mais tristes não gostam de uma história de amor e dinheiro gera dinheiro. Lamento muito pelos republicanos que nos dias que correm espumam mais raiva do que o habitual mas, caros amigos, a cerimónia vais ser transmitida a biliões de pessoas, milhões vão estar presentes e, provavelmente a maior parte do mundo (que é feminina) queria estar no lugar da Kate. É certo que segundo as últimas sondagens 10 por cento dos britânicos queria ter uma república, mas acho melhor não passarem pelo vexame republicano da Austrália que viu negado os seus "democráticos" intentos pelo referendo de 2005. E certo é também que nestes dias aumentam os clamores moralistas sobre os gastos daquela gente que vive o conto de fadas. Porém, no país de Oscar Wilde, toda a publicidade, mesmo a má, é boa. Sugiro aos que nunca sonharam que no próximo dia 29 desliguem a televisão, a rádio e que nos dias a seguir não leiam jornais. Vai ser doloroso.

11 de novembro de 2009

Coisas interessantes ou coisas que interessam?

Num país com uma longa tradição de corrupção, numa altura em que aumentam de dia para dia os escândalos descobertos nas esferas da alta finança, o Governo e a Igreja vêm discutir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tanto o Estado, na sua faceta providencialista, (quando não simplesmente manipuladora), como a Igreja, enquanto instituição dotada de personalidade jurídica e com inegável importância na sociedade portuguesa (quer queiram os jacobinos, quer não) têm todo o direito a intervir nesta questão que ultrapassa aspectos meramente legalistas. § Mas se do lado do Estado, a questão se assume de um simples ponto de vista - cumprimento de uma agenda política (PS), dependente de outra (BE) - preocupa-me que a Igreja, enquanto instituição com preocupações assistenciais e sociais, alinhe nesta estratégia do atirar areia para os olhos dos portugueses. Um referendo esclareceria a questão: ganharia, muito provavelmente, a abstenção. Mas é desnecessário. § A quem interessa o assunto? Às minorias, a um Bloco de Esquerda que se esgota neste tipo de abordagens e a uma franja da Igreja acoitada que tenta fundamentar-se num modelo de família heterossexual, fiel e monogâmica, recusando a mudança social, rápida e indiferente ao casamento. Hoje mesmo uma notícia o confirma: os portugueses casam-se cada vez menos e os divórcios duplicam. Não seria melhor que a Igreja fizesse uma campanha a favor do casamento heterossexual em detrimento de uma política de agressão (que não quer, nem pode aguentar) contra o Governo? O que não deixa de ser paradoxal; ou seja, que as pessoas do mesmo sexo, queiram equiparar-se aos casais heterossexuais, constituindo uma família (ainda que sem laços consanguíneos), espelho daquela que a Igreja advoga como pedra basilar da sociedade. Em que ficamos então? Ficamos a olhar para uma desagregação da Sociedade em uniões de facto, outras momentâneas, poligâmicas, promiscuas em vez de apoiar as estruturas nucleares (que, como bem sabemos nunca foram o modelo apresentado pelo catolicismo) (*)? § A Igreja não pode aguentar esta batalha, nem quererá, dado que é refém da República Portuguesa. Esta dependência começou no Liberalismo e hoje é cada vez mais evidente, quer na forma como do Estado dependem em larga escala as IPSS's católicas, que a nível municipal onde os párocos locais são, tantas vezes, extensões das edilidades que, em alguns casos, não se poupam a esforços para agradar a fiéis e comissões fabriqueiras. § Que o Partido Socialista use destes truques para ludibriar as atenções sobre a corrupção, o desemprego, ou o défice, etc, compreende-se, sendo certo que colhe tais habilidades na cartilha para a boa arte da política. Mas que a Igreja embarque nesta perigosa aventura, preocupa-me. O assunto não se esgota ou no sim ou no não, nem é situação que obrigue a uma discussão urgente. Mais ainda quando todos os dias encontro um novo sem abrigo a dormir numa das ruas aqui do Porto.

(*) Basta percorrer os antigos Róis de Confessados para perceber que o modelo «heterossexual», patriarcal e fechado é uma construção meramente teórica...