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2 de setembro de 2012

É a vida.

Enquanto via, ainda há pouco, uma reportagem sobre a submersão do santuário de Santo Antão da Barca, em Alfândega da Fé e ao mesmo tempo ouvia as opiniões dos fiéis lembrava-me da bonomia das gentes deste país. Bonomia? Talvez a palavra simplório se aplique melhor ao feitio daquela boa população que entre mudar o lugar do santuário e ter água à farta junto à porta, ficava como um tolinho no meio da ponte sem saber para onde ir. Um convicto romeiro optava pela água, segundo ele para regar - ainda que não haja braços para o fazer, nem campos cultivados que recebam o precioso líquido...
Depois sucediam-se as costumeiras expressões: "é a vida", "tem que ser", "o que se há-de fazer?"... e um riso ou sorriso selavam o contrato praticado entre o poder, longínquo e abstracto, e o povinho, simplório mas sempre alegre, não obstante o fado ou fardo, pesados, que sempre recebe.
É tão fácil governar um povo assim, macambúzio e inerte. Basta comunicar-lhes que em troca de água de que não precisam mudarão o pouso do santo, posto ali há séculos. Uma devota, tratando-o como um pedaço de madeira disse que ele não fala e outra acrescenta que vai para o onde o levarem, sem se dar conta que ela também vai para onde a mandarem e, como o taumaturgo, sem tugir nem mugir.
Há muitos séculos que o progresso de obras vistosas e grandes é ouro para este país. O tal povinho vem ver a construção, os festejos e a obra pronta. Descobre, depois, que foi enganado. 
Paciência, "é a vida".

22 de dezembro de 2011

EDP ou a Casa Amarela.

A EDP, que tenta ocultar o seu carácter empresarial feroz com a pele de um cordeiro filantropo, anda a pintar barragens de amarelo, sob o pretexto de Arte pública ou activo turístico. O Henrique Pereira dos Santos, consegue por-se na pele do lobo e chama-se a si próprio o conservador contraditório (eu chamaria a isso ser do contra, quando todos estão a favor e estar a favor quando todos estão contra). Eu acho que a EDP nos anda a roubar há tempo de mais. Com a agravante de pagar a alguém 150 mil euros (!) para gozar connosco em tom de amarelo. Até a população, que costuma usar a mesma paleta de cores que o Cabrita Reis nas fachadas das casas, acha a cor um asco. Uma habitante local chega mesmo a comparar o flagrante mau gosto com a bandeira nacional que podia lá ser colocada e tinha o mesmo efeito repelente. Não bastava a auto-estima deste país litoral estar em baixo, ainda vão ao interior atemorizar os pobres autóctones com a cor da loucura.

17 de outubro de 2011

Empreitadas De Portugal (EDP)

Muitas pessoas ainda não repararam que a EDP é uma empresa e que, como qualquer empresa, quer fazer dinheiro - lucro para distribuir entre os seus accionistas. Por isso, sempre que vejo um anúncio todo catita, cheio de arvorezinhas e barragens e torres eólicas como se aquilo fosse uma obra da natureza, fico enjoado. A EDP não existe nem para ser amiga do ambiente nem para distribuir paz e harmonia entre os homens. Se fosse assim, era a Santa Casa da Misericórdia, ou uma organização humanitária. Não é, convençam-se disso. Mais barragens, mais eólicas são desculpas para justificar o desperdício. Devemos convencer-nos de uma vez por todas que gastar menos é o caminho para uma vida e um mundo melhor.