Quando os telejornais abrem com as pussy riot, o jornalista a repetir pussy vezes sem conta, pergunto-me se estarei a ouvir bem. Três palerminhas, lá longe, na grande mãe autocrática chamada Rússia, velha de séculos ditatoriais, com as cabeças metidas num gorro gritam alienadamente contra um dos seus governantes, eleito, re-eleito e prestes a sê-lo. Não, não é o protesto em si, que me espanta. Há centenas deles por mês, milhares por ano. Há quem se regue com gasolina, quem faça greve de fome, quem se atire da janela. Estas três tontinhas meteram-se numa igreja, frenéticas, loucas, furiosas, a pular e a grunhir. O mundo aplaude. Não, não é o mundo aplaudir, o que me espanta, o mundo aplaude tudo o que faça ruído e tenha cor. Eu acho que o que me espanta nisto tudo é quase obrigarem-me a ser compassivo com três idiotas que querem fama, apoiar três malucas que acham que o poder autocrático da Rússia muda com os seus grunhidos histéricos. Lá longe há lutas para travar? Imensas. E cá não há? mesmo à porta de casa, dentro das nossas casas, não há problemas? Incontáveis. O mundo não encolheu assim tato, ou pelo menos teria encolhido se tivesse um cérebro. Felizmente que tudo isto, como qualquer coisa que os média glorificam, acaba em pouco tempo. Coitado é daquele que luta em silêncio, que trabalha para se libertar e libertar os mais próximos, que está preso ou no exílio por querer uma liberdade séria, honrada e com valor. De resto, manifestações apoiadas por artistas como Madonna só revelam o que são: exercícios de estilo, hipócritas porque vindos de quem vive o cómodo luxo da liberdade. Definitivamente os ideais desmancham-se dia após dia na mediocridade dos seus arautos. Basta ver como soa confrontar free Mandela, ou free Aung San Suu Kyi com free pussy riot.
Mostrar mensagens com a etiqueta auto-estima. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta auto-estima. Mostrar todas as mensagens
17 de agosto de 2012
13 de abril de 2011
Nacionalidade sem nacionalismos.
Visito Londres durante a preparação para o casamento do século, o do Príncipe Guilherme de Windsor com Katherine Middletton. O acontecimento é um estado febril. Por todo o lado lojas oficiais e não oficiais desdobram-se em merchandising: canecas, pratos, bandeiras, bules, etc, etc, tudo com a efígie do casal. Não há mãos nem braços que cheguem para abarcar a publicidade que se faz à cerimónia, ao cortejo e a toda a preparação para o real enlace. Na rua, a somar às incontáveis Union Jack que edifícios públicos e privados exibem com brio, várias pessoas transportam consigo pequenos estandartes e bandeirinhas. De resto, nas exposições que se multiplicam sobre a Monarquia, ouvia as crianças perfeitamente familiarizadas com o nome de cada um dos seus monarcas e uma ou outra característica sobre a sua vida, por mais desinteressante que seja.
O símbolo da Coroa está por todo o lado, desde as obras dedicadas ao Jubileu da Rainha, à lembrança de Diana de Gales, e aos príncipes Guilherme e Harry. O turismo vive, afinal, destas "futilidades" de castelos, reis, princesas, como se vê pelas filas intermináveis para entrar na Torre de Londres e ver as jóias reais. (Quantos pagariam para ver o guarda roupa da primeira-dama de Portugal?) E quanto mais difíceis estão os tempos, mais estas figuras (que alguns consideram vazias) significam algo para o povo que as exaltam. Que (a maioria) as trata com respeito e reverência, como o capitão do barco que fez a visita guiada e que nunca se dirigiu à monarca pelo nome, mas por Her Majesty The Queen.
Volto a Portugal. Os jornais tratam, desde o presidente ao primeiro-ministro por tu, os políticos tratam-se uns aos outros por ladrões e, nos cafés e na rua, todos se tratam mal. Não é uma questão de respeito, é uma questão de auto-estima. Um país que não gosta da sua História, que não acredita nela nem nos seus intervenientes, que não se agrega em redor dos seus símbolos em tempo de crise, dificilmente conseguirá chegar a ser um país.
Somos como muitas das bandeiras republicanas espalhadas por edifícios públicos: cheias de surro, esfarrapadas e mal representadas.
O símbolo da Coroa está por todo o lado, desde as obras dedicadas ao Jubileu da Rainha, à lembrança de Diana de Gales, e aos príncipes Guilherme e Harry. O turismo vive, afinal, destas "futilidades" de castelos, reis, princesas, como se vê pelas filas intermináveis para entrar na Torre de Londres e ver as jóias reais. (Quantos pagariam para ver o guarda roupa da primeira-dama de Portugal?) E quanto mais difíceis estão os tempos, mais estas figuras (que alguns consideram vazias) significam algo para o povo que as exaltam. Que (a maioria) as trata com respeito e reverência, como o capitão do barco que fez a visita guiada e que nunca se dirigiu à monarca pelo nome, mas por Her Majesty The Queen.
Volto a Portugal. Os jornais tratam, desde o presidente ao primeiro-ministro por tu, os políticos tratam-se uns aos outros por ladrões e, nos cafés e na rua, todos se tratam mal. Não é uma questão de respeito, é uma questão de auto-estima. Um país que não gosta da sua História, que não acredita nela nem nos seus intervenientes, que não se agrega em redor dos seus símbolos em tempo de crise, dificilmente conseguirá chegar a ser um país.
Somos como muitas das bandeiras republicanas espalhadas por edifícios públicos: cheias de surro, esfarrapadas e mal representadas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)