Mostrar mensagens com a etiqueta ateísmo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ateísmo. Mostrar todas as mensagens

29 de janeiro de 2012

Citações

"Num paralelismo histórico, as empresas por detrás dos SOPA e PIPA estão para as indústrias culturais como a Igreja Católica Apostólica Romana esteve para a prensa de Gutenberg (o que não deixa de ser uma daquelas ironias em que a História é fértil). Na perspetiva de perder a exclusividade da intermediação do acesso das massas às escrituras, a ICAR começou por diabolizar a tipografia. O futuro não deu razão alguma aos resistentes, pelo contrário, desmentiu-os: a imprensa acabou por se tornar no instrumento por excelência da posterior difusão do catolicismo que sem ela nunca teria atingido a dimensão mundial de que gozou até ao século XX."

Há sempre uma vontade, vesga de resto, de certos publicistas em comparar todas as desgraças actuais da humanidade a certos factos do passado, sobretudo quando os factos (ou mais frequentemente narrativas) dizem respeito a instituições cujos fins esbarram com a ideologia do redactor. Na Europa o ultra-laicismo regojiza-se e está de boa de saúde. Neste sentido o publicista-que-tudo-sabe (desde biologia molecular até História, pois intervém frequentemente num amplo conjunto de verbetes da wikipédia) faz do seu blogue um ensaio de considerações enfatuadas sobre tudo. A Igreja Católica, que o publicista ateu ou simplesmente ignorante tornou no seu alvo preferido torna-se um compêndio de certezas, urdindo longas tramas que sustenta, só e apenas, em opiniões. A maioria delas sem a mais leve sustentabilidade crítica ou científica. Nunca algo foi tão etéreo como o discurso desta gente.

9 de maio de 2010

Eu defendo a laicidade do Estado, mas não a desresponsabilização em relação ao património espiritual. Olhamos à nossa volta e qualquer referência mínima, cultural, artística, simbólica, remete para o catolicismo. Mal ou bem. Fazer tabula rasa disto não é ser laico, é agir de má fé (até esta expressão, judicial, tem origem religiosa...). Enfim, vivemos tempos conturbados, em que as modas ateístas tomam conta das consciências menos preparadas.

8 de maio de 2010

Um caso de saúde... política.

Eu não tenho medo de assumir o meu catolicismo, num tempo em que o terror começa a tomar conta de algumas opiniões e aqueles defendem a intolerância, a abolição dos racismos e das xenofobias, vêm pedir, contra os católicos e a Igreja, intolerância e xenofobia. Possuo a verticalidade necessária para assumir o que penso e fundamentá-lo, ao contrário da maior parte das opiniões que se escrevem em fóruns, comentários a notícias de jornais, etc. De resto, esses comentários valem o que valem. São, na maioria, frases proferidas a quente, sem substância que não seja a agressão gratuita - algo a que possibilidade da internet nos habitou desde cedo. Eu, como Católico tenho o direito de defender uma Igreja menos assente na discussão da sexualidade e mais na dignidade humana no seu todo. De facto, não posso deixar de citar as palavras do sr. Cardeal Patriarca de Lisboa que, numa entrevista recente, disse que se a Igreja cedesse às vontades destes grupos de pressão a Igreja deixava de existir. Ora a Igreja existe e ainda bem que existe. E a oposição à Igreja existiu e existirá sempre, e é salutar. Mas, quando um grupo vem dizer que tenciona distribuir preservativos durante a visita papal sabendo qual é a posição da Igreja sobre o assunto e, ao mesmo tempo, diz que nada tem contra a Igreja, isso não faz sentido. É óbvio que tem algo contra a Igreja e deve assumi-lo. Se pretendesse distribuir preservativos independentemente da visita Papal, ou até intitulasse a iniciativa com um nome que não o de «Preservativos "ao" Papa em Portugal», talvez houvesse lugar para essa razão, possivelmente inocente, que não o é, nem será por muitas voltas ou aspas com que se enrole o texto. Aqui, o preservativo não é um caso de saúde pública, se não um caso político. Ponto. Tudo bem. Como disse, haverá sempre oposição à Igreja. Mas até numa guerra há regras (partindo do princípio que não falamos com Ateus, Anarquistas ou Autistas - os 3 A's que infelizmente são incapazes de dialogar). Dizer que a Igreja propaga a sida, ou que é responsável por milhões de mortos por seropositividade não é sequer desinformação. É um golpe baixo, baixíssimo ,que resulta da necessidade de atear o fogo mais depressa, com mais combustível. (No âmago dos pretensos laicos de hoje em dia há um pequeno Nero). De resto, não percebo a obsessão com o preservativo, por parte de um grupo de pessoas que defende o Aborto e eventualmente a Eutanásia. Se defendem que cada mulher seja livre de abortar, porque raio hão-de impingir o preservativo a alguém? Em termos éticos, a lógica é muito semelhante. Um qualquer indivíduo, independentemente de ser católico, tem o direito a escolher se usa ou não o preservativo, havendo acordo mútuo com o seu parceiro/parceira. E, continuo, a insistir: preocupa-me que estejamos tão distraídos com o preservativo, enquanto a Indústria Farmacêutica ganha dinheiro com a sida. Para ela não interessa uma cura, nenhuma cura... e isso é que devia escandaloso.

15 de abril de 2010

Notas

Eu até compreendo a sanha ateísta. Como não podem garantir que Deus não existe, apenas podem contribuir para que a religião deixe de existir.

1 de abril de 2010

Cheira a sangue.

Desde as vésperas de 14 de Julho de 1789 que não havia um aroma destes no ar. Cheira a sangue. Nesse tempo, a populaça electrizava por líderes ressabiados, queria, não o poder, mas um desconto nos impostos. Hoje, os líderes são os mesmos, mas não há descontos. A razão é puramente filosófica: acabar com as religiões. A primeira a extirpar é a que faz mais sombra ao Ocidente, embora seja cada vez mais forte a Oriente: a Igreja Católica. A cabeça a rolar, a do Papa. Há muito que se não via uma tal campanha mobilizadora da opinião pública. Se em 1789 os líderes exacerbavam com gestos e gritos um auditório iletrado e analfabeto, hoje usam uma extensão dos membros para propugnar um mundo limpo de padres, cruzes e igrejas. Mas a tarefa não é fácil. Depois do Caos da queda, que arrastará todo um universo institucional de solidariedade a que o ateísmo não conseguirá, nunca, dar forma porque apenas acredita na força individual do homem e não no tecido espiritual do Corpo comum, seguir-se-à a ruína do património edificado. Mas, de Mozart a Miguel Ângelo, da língua à Mente, vai ser difícil matar a Glória do divino. Os ateístas não compreendem isso: que até poderiam ter razão, se se ficassem pela metafísica do pensamento da existência, ou não, de deuses. Partir para uma cruzada actual, com as armas que as igrejas noutros tempos usaram para veicular a sua palavra, retira-lhes qualquer sentido de responsabilidade. Esquecem-se que, num mundo cada vez mais individualista e secularizado, as coisas não estão melhores. O século XX foi a prova provada. E o XXI, nesse aspecto, não começou melhor.

23 de março de 2010

O triunfo da ignorância!

"Segundo julgo perceber, só cometida por padres é que a pedofilia é um crime horrível."

Tenho evitado pronunciar-me sobre a questão dos escândalos de pedofilia na Igreja Católica.
Não suporto generalizações, muito mais as que a Comunicação Social faz, seja para vender, seja para cumprir a sua agenda.
Está a passar-se a mensagem de que a Igreja é constituída por homens doentes e perversos e que, como tal, é preciso erradicá-la, cortar o mal pela raíz. Não é o ateísmo, nem o agnosticismo que ganham adeptos. É a ignorância.
Comparar casos que nem sequer foram a julgamento a uma «epidemia de mal», abalançando-se na qualidade de clérigos dos visados para moralizar a Moral, é a mesma coisa que extrapolar conclusões do Processo Casa Pia considerando a maioria dos políticos, artistas e outros envolvidos como pervertidos. Existem homens e mulheres bons e boas, maus e más em todas as religiões, em todas as crenças, em todos lados. Existem, com certeza, ladrões ateus, homicidas agnósticos.
A sociedade está cada vez mais secularizada e, no entanto, o ódio aumenta de dia para dia. Não é uma questão de deuses, é uma questão de homens. Podemos ser felizes com ou sem religiões. Com ou sem crenças. Mas primeiro temos que querer ser melhores. O ódio à Igreja Católica e a outras religiões, não é um meio disponível para um progresso, é só uma forma de violência.

27 de dezembro de 2009

O ódio por simpatia

Parece que há no facebook um grupo de fãs da mulher que, na indiferença da sua patologia, tentou abraçar o Papa Bento XVI. De um e do outro lado das consciências, aplaudem-se atentados, ou tentativas frustradas de atentados, e isto de uma forma tão vã, tão impensada e tão irracional que a tolerância está cada vez mais longe da dialéctica entre o gostar e não gostar. Nós podemos ser do A ou do B, estarmos certos ou errados, querer o bem ou querer o mal, mas nunca nos devemos esquecer de que a violência é a pior forma de alcançar a razão. Porque é destrutiva para quem a deseja, quem a executa e quem a recebe. E sobretudo aqueles que tantas vezes se arrogam a causas maiores de defesa dos animais e dos menos favorecidos, para quem a Ética é o deus maior, não deveriam, nunca, desejar ou congratular-se com a destruição do seu semelhante. O valor da vida, da dignidade e da integridade humana é uma das conquistas da contemporaneidade. Estamos a regredir e a assistir à eclosão de um novo ódio: o ódio por contágio, o ódio por simpatia, o ódio sem sentimento. Porque odiar, hoje, não deriva de uma pretensa razão, se não de um acto banal de servilismo perante desejos aleatórios e anónimos.

19 de outubro de 2009

Caim ou a inveja do outro.

Na foto José Saramago recebe o Nobel das mãos do Rei da Suécia, a quem faz uma vénia.
O respeitinho é muito bom, mesmo para marxistas e republicanos.



Não é o deus do ou no Antigo Testamento que não é muito simpático. Ao que parece (e a memória recente portuguesa é muito selectiva) no rescaldo revolucionário pós-1974 Saramago também não o era. Mas, vamos por partes. Antes da Bíblia ser compilada não existia violência? Por Zeus, Ishtar ou Ahura Mazda! coisa mais ridícula! claro que existia! Os mitos (muitos deles condensados no AT) são, em geral, violentos, arquetípicos de caos e destruição, vingança e inveja. Em suma: da biologia humana. Saramago aparece tarde de mais para nos ensinar o caminho marítimo para a Índia. Mas apesar de ser um cego ideológico, está longe de ser mais um dos estúpidos e néscios de que se compõe o mundo de que falava o Novo Testamento. Saramago, mesmo senil, cadavérico, tristemente marxista e saudosamente leninista sabe quando se deve vergar ante o Rei da Suécia, beijar a mão ao Capitalismo, ou espicaçar as Religiões. É tudo uma questão de timing. Ainda assim, tenho a impressão de que a Bíblia continuará a ser um best-seller, a adoração a Deus prosseguirá e Saramago, morto ou vivo, apenas a lembrança de um nobelitado português.

29 de setembro de 2009

Uma lembrança aos menos instruídos.

Eu gostava de lembrar aos Ateus que foi preciso recorrer a um Papa para garantir a existência de Portugal. E embora os tempos sejam outros, o documento, chamado Bula Manifestis Probatum, lavrado em 1179, ainda é um dos tesouros dos nossos Arquivos Nacionais. Mas , oque digo eu? É que Católico só o é quem quer; parece, contudo, que os Ateus, na sua sanha mobilizadora (não muito afastada de uma certa catequese) exigem o requisito da estupidez para acesso à seita. A visita de um Papa não só é um assunto de Estado, como um acontecimento da maior importância a nível diplomático. Para Católicos ou não Católicos.

9 de setembro de 2009

Valha-nos Deus que (ainda) alguém escreve e pensa assim!

Acreditar na existência de Deus é tão natural como sentir fome, não se trata de uma invenção propositada de algum homem, pronto vamos lá agora inventar Deus para sermos escravizados por ele e para por meio dele escravizar outros, nada disso. Sempre houve e sempre haverá pessoas que acreditam na existência de Deus, e engana-se Saramago quando pensa que a Igreja Católica se aproxima de uma morte “mais do que previsível” (mais depressa morrerá ele do que cairá um só braço do corpo sagrado da Igreja). A aberração está em se ter a certeza de que Deus não existe, essa é a aberração, não obstante os dados inteligíveis que, através da lógica e da dedução, deitam por terra qualquer tentativa de se negar o inegável. A prova está em que basta dizer que o mero facto de os saramagos não conseguirem enxergar provas da existência de Deus não prova que ele não existe, e que é uma estupidez apropriar-se de meia-dúzia de ideias antagónicas mitológicas ou alegóricas encontradas nos compêndios considerados sagrados para tentar provar com elas que Deus não existe. O absurdo é exactamente esse e não as ideias ou as teorias ou as filosofias ou as teologias ou as parábolas ou as lendas em si; o absurdo é recorrer ao trabalho intelectual sincero de homens do passado e parodiar esse trabalho com o intuito de escarnecer de Deus e de todos os que depositam nele a sua fé e que entendem e reconhecem que ele/ela existe. Grandes são os paroleiros na mediocridade dos seus pensamentos.

De O Caderno de Anti-Saramago