"Num paralelismo histórico, as empresas por detrás dos SOPA e PIPA estão para as indústrias culturais como a Igreja Católica Apostólica Romana esteve para a prensa de Gutenberg (o que não deixa de ser uma daquelas ironias em que a História é fértil). Na perspetiva de perder a exclusividade da intermediação do acesso das massas às escrituras, a ICAR começou por diabolizar a tipografia. O futuro não deu razão alguma aos resistentes, pelo contrário, desmentiu-os: a imprensa acabou por se tornar no instrumento por excelência da posterior difusão do catolicismo que sem ela nunca teria atingido a dimensão mundial de que gozou até ao século XX."
Há sempre uma vontade, vesga de resto, de certos publicistas em comparar todas as desgraças actuais da humanidade a certos factos do passado, sobretudo quando os factos (ou mais frequentemente narrativas) dizem respeito a instituições cujos fins esbarram com a ideologia do redactor. Na Europa o ultra-laicismo regojiza-se e está de boa de saúde. Neste sentido o publicista-que-tudo-sabe (desde biologia molecular até História, pois intervém frequentemente num amplo conjunto de verbetes da wikipédia) faz do seu blogue um ensaio de considerações enfatuadas sobre tudo. A Igreja Católica, que o publicista ateu ou simplesmente ignorante tornou no seu alvo preferido torna-se um compêndio de certezas, urdindo longas tramas que sustenta, só e apenas, em opiniões. A maioria delas sem a mais leve sustentabilidade crítica ou científica. Nunca algo foi tão etéreo como o discurso desta gente.
