Mostrar mensagens com a etiqueta Tendais. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tendais. Mostrar todas as mensagens

26 de agosto de 2011

Em

Mourelos, desconhecida aldeia da freguesia de Tendais, concelho de Cinfães, uns patuscos lisboetas inventaram uma festa religiosa para beberem uns copos, comerem umas febras e deitarem uns foguetes. É um faroeste só desculpável porque possível apenas uma vez por ano. E porque em Mourelos. Como já disse aqui, vão-se embora e aldeia fica tristemente pobre como foi e sempre será.

3 de setembro de 2009

Carta aberta a um amigo leitor.

«A verdade é que já foram mais os que creram e muitos mais os que cumprindo mandamentos e doutrinas não ousavam pôr em causa uma ordem estabelecida pelas Instituições, que servindo-se de um deus qualquer amordaçava as consciências, tornando-as deprimidas, confusas e submissas».
«Tendais como muitas outras localidades plácidas de brandos costumes, embora de forma mais lenta, todas elas sofrerão as marcas de uma evolução que tem como epicentro a "Teoria do Conhecimento"».

Meu caro amigo prof. José Oliveira, muito obrigado pelas palavras que dirigiu ao post "apontamentos sobre uma aldeia da serra". Comecemos pelo princípio, passe a redundância.§ As doutrinas que não ousavam pôr em causa uma ordem estabelecida não morreram, estão aí, com ou sem Igreja Católica. Têm vários nomes: dinheiro, corruptibilidade, ausência de valores, em suma, a biologia humana. Ainda agora mesmo uma televisão nacional sofreu o embate da livre expressão com os ditames de um regime habituado a estratégias censórias. Sem que o Papa ou qualquer padre atirasse com indulgências ou a ameaça de anátemas. Anátema maior, nos dias de hoje, é a ignorância pois através dela se guia o Homem como marioneta presa pelos fios do medo. O caro amigo olhe à sua volta, acha que não há deprimidos, confusos e submissos, não obstante a evidente secularização dos Homens? De quem é a culpa? Da Religião que resta? Não há ateus submissos? Agnósticos deprimidos? A falta de um caminho de transcendência, de espiritualidade tem levado, pelo tal «percurso pesado, incompreendido, inquietante, mas também desafiador», à morte precoce. Lembro Antero de Quental. § Vou-lhe citar Chesterton, que leio presentemente, e cuja obra recomendo (em especial a «Ortodoxia», de onde vou transcrevendo os excertos): «O cristão admite que o universo é variado, admite mesmo que é uma miscelânea; e qualquer homem são sabe que ele próprio é um ser complexo. Eu diria mesmo que um qualquer homem sabe que tem uma parte de animal, uma parte de demónio, uma parte de santo, uma parte de cidadão; mais ainda, um homem que seja de facto são sabe que também tem uma parte de louco. Já o mundo do materialista é totalmente simples e sólido, tal como o louco tem a certeza absoluta de que está são. O materialista tem a certeza de que a história foi, pura e simplesmente, uma cadeia de causas e efeitos (...)». Ora eu nem iria tão longe. Para mim o tal determinismo de que me fala não é discutível, porque é absurdo. Se me disser que a ideia de um Deus é absurda, eu digo-lhe que a ideia de um Determinismo factual é absurda. Mas desejo-me na companhia do deus absurdo. Entre um mundo asséptico, racional - esquizofrénico - modelar, sem riscos nem dimensões ulteriores, quero-me cego e confuso pela imaginação divina. Ao menos morrerei com esperança. «Os materialistas e os loucos nunca têm dúvidas», diz Chesterton e com razão. Mas a pequena história que narrei sobre uma aldeia de Tendais, nada tem a ver com o Determinismo. Os indivíduos que rodopiaram aqui durante três dias seguidos, ouvindo e olhando embasbacados o estouro e o estrajelar do foguetório, têm tanto respeito, conhecimento ou entendimento sobre um Deus (seja ele bom ou autoritário), como sobre ou um certo Determinismo teórico. A sua teoria é a do vinho e da carne enquanto estimulantes físicos dos sentidos apurados pela música retumbante, repetitiva e lúbrica. Mais nada. E nem é esta ausência de cultura, evangelização ou conhecimento que é desoladora. O quadro maior, e triste, que eu constato, é que é uma vantagem, uma honra do hoje, o querer ser ignorante, estímulo dos novos pedagogos, frente a um quadro desvalorativo do empenho, do sacrifício e da recompensa - tudo coisas que o Determinismo dispensa pois está de mãos e pés atados pela corrente do Facto, que tudo inunda, não deixando espaço para a bóia salvífica. Antes existisse nesta aldeia uma seita de deterministas! Seria mais interessante debater com eles a ausência do divino, do que ser obrigado a fugir das suas sonoras teorias báquicas que se bebem aqui a sôfregos goles. § Sem querer cansar, vou terminar citando novamente G. Chesterton: «Ora, a acusação que fazemos contra as principais deduções do materialista - [e ao "nós", junto a minha convicção] - é a de que, bem ou mal, elas lhe destroem gradualmente a humanidade; não me refiro apenas à simpatia, refiro-me à esperança, à coragem, à poesia, ao espírito de iniciativa, a tudo aquilo que é humano. Por exemplo, se pensarmos que o materialismo arrasta os homens para um fatalismo absoluto (como geralmente acontece), é perfeitamente ocioso fingirmos que esta doutrina é, seja em que sentido for, uma força libertadora. É absurdo afirmar que se está a promover imensamente a liberdade, quando a liberdade de pensamento apenas serve para destruir a liberdade de acção (...) Assim, pois, considerado como personagem, o materialista tem os fantásticos contornos da figura do louco. Ambos assumem uma posição que é, simultaneamente, irresponsável e intolerável.»
P.S. A referência ao Prof. José Hermano Saraiva é, creio, uma jovial brincadeira do meu caro amigo, que me fez sorrir. Apesar de reconhecer que o gosto "popular" pelo "antigo" tenha sido espicaçado pelas referências, às vezes ingénuas mas na maioria tolas, daquele senhor Prof., nem a pouca simpatia que nutro pelo senhor (e toda a aura de "determinismo" que dele emana), nem a pouca qualidade científica do seu discurso me levariam a querer tentar um modelo semelhante ao que conduz na televisão. Os meus fracos dotes de oratória matariam de enfado qualquer pobre espectador. E a minúcia que uso como lema conduziria o programa ao fracasso. O dito "provincianismo do interior" só em existe em situações como a que narrei no post anterior. De resto - e tenho podido constatá-lo nas minhas recentes deambulações pela serra de Montemuro - não pode ser qualificado em relação a um cosmopolitismo (que nem sequer existe em Portugal), nem pesado segundo cânones de desenvolvimento que ultrapassem os limites da aldeia. Cada comunidade tem o seu grau de desenvolvimento. Ele não é bom, nem é mau, não é menor, nem maior. E quanto a mim, no meu espírito anti-determinista, o pior é querer avaliar esse grau, ou formatá-lo, que é o que tem acontecido por aqui, por esta pacata e agora (felizmente) serena aldeia da serra.
Aceite os cumprimentos e os agradecimentos pela leitura (sempre atenta) destes pensamentos possíveis,

Pelo autor d'O Obliviário

P.S2: Para além da sugestão supra referida (CHESTERTON, G.K., - Ortodoxia. Aletheia Editores: [Braga], 2008), sugiro ainda a leitura da Encíclica de SS. Bento XVI, Caritas in veritate, que foi recentemente editada em português pelas edições Paulinas.

30 de agosto de 2009

Apontamentos sobre uma aldeia da serra.

Aproxima-se o final do período de Estio "civil" e a aldeia já se vai esvaziando. Escuso-me de referir-lhe o nome, sob pena de cansar a pouca magia que o topónimo ainda acarreta e por respeito a um outro justo que cá vive. Também não adianta escondê-lo, nem fazer segredo disso, todos o sabem, pois não é a primeira vez que escrevo notas à margem da vivência desta povoação. É na freguesia de Tendais, e basta. Aliás, podia bem ser aqui o que narro, ou noutro lugar qualquer, onde a iniquidade e a desmoralização vão abrindo caminho, substituindo velhas noções valorativas por vácuo e frivolidade. A que me refiro? É simples e fácil de descrever. Durante o ano a aldeia repousa sob o manto de uma paz podre. Aqui não há emprego, não há progresso, não há esperança. Os mais jovens vão à escola (cada vez menos escola e mais centro recreativo) e voltam para esperarem sair, um dia, talvez sem regresso à vista; a aldeia como muitas da região não tem as infra-estruturas básicas do mundo dito civilizado, ou seja a água canalizada para todos, o saneamento e as condições básicas de salubridade, que tudo soma com o envelhecimento dos habitantes, o abandono dos campos, a dependência total dos produtos que, podendo cultivar-se aqui, são trazidos de fora. § Os verões, no entanto, são animados. Vem gente de Lisboa, do Porto, de outros lados. Trazem os costumes da cidade e, enquanto cá estão, esses já "enteados da terra", querem a aldeia como o espelho das suas cidades, dos seus subúrbios, dos seus hábitos. Há uns anos reinventaram a festa da padroeira, a Virgem da Livração. Mas para eles, para esses estranhos na própria terra, a espiritualidade não conta. Instalam-se altifalantes no campanário da ermida e, durante três dias, mesmo apesar de poucos dias antes ter falecido uma filha da terra o som estridente e poluente de música "popular" quebra o sossego da aldeia. Para quê? Aparentemente para nada. Ninguém liga aos problemas sociais que os rodeiam durante um mês e, no entanto, os três dias de festas parecem querer congregar as pessoas em volta do adro. Mas este adro, outrora espaço de comunhão é apenas palco de dança. Não há caridade, nem solidariedade, nem empatia pelo próximo. Apenas rodopio, música, comida, bebida, foguetes que estralejam. É a expressão máxima do fútil. A Igreja, a quem cabe a função de esteio moral, colabora. Abre as portas do templo, para a festividade, quando devesse, talvez, abrir os olhos da comunidade para a inutilidade do desperdício, para a compassividade que falta e para a solidariedade que não existe. A aldeia, como todas as povoações dos arredores, está cheia de estradas e estradões que não levam a lado nenhum. Nem ao progresso civilizador, nem ao coração dos Homens. Os daqui, por exemplo, são, em regra, pouco tolerantes e muito pouco respeitadores. Todos fecham os olhos à lei, todos cometem ilegalidades, todos as aceitam naturalmente e praticamente todos as acalentam e estimulam. O lixo é atirado para a propriedade vizinha, casas, garagens, barracos e toda a sorte de estruturas crescem sem licenciamento e sem controlo, derrubes e arranque de árvores alheias são actos comuns. Com os animais que, infelizmente têm o azar de nascer aqui, acontecem as maiores atrocidades, cometidas por gente que desconhece o valor da Vida: tratados ao pontapé, andam esfomeados e cheios de chagas pelos muros, caminhos e campos até alguém os envenenar. Ao fazê-lo, quem o faz, não está a cometer qualquer acto de piedade, está antes a por em marcha um cínico plano de desresponsabilização. Quem não ama os animais, as plantas, o colectivo, não ama o seu semelhante. É mau, é um indigno ser humano. § O Inverno lava algumas chagas, mas não as chagas sociais. Até ao próximo verão ninguém mais quer saber da alguém nem dos "velhos", nem dos "novos" da aldeia. § Acabo de ler a encíclica de Bento XVI "Caritas in veritate". Partilho da preocupação de Sua Santidade: «Sem verdade, sem confiança e amor pelo que é verdadeiro, não há consciência e responsabilidade social, e a actividade social acaba à mercê de interesses privados e lógicas de pode, com efeitos desagregadores na sociedade, sobretudo numa sociedade em vias de globalização, que atravessa momentos difíceis como os actuais» (Caritas in Veritate, Introd., 5). § Ao ver acontecer tais coisas numa aldeia tão pequena como esta, é impossível não temer pelo que se passará no resto do Mundo. Onde está a Caridade, onde está a Verdade que, durante séculos, tem sido apanágio das gentes desta serra?

24 de março de 2009

Tendais (ao centro a torre sineira da igreja matriz)
(c) N.R.


Nestes dias, por força do meu ofício, têm passado pelos meus olhos centenas, se não mesmo milhares, de nomes de indivíduos que outrora habitaram casas, lugares, quintas e casais de uma extensa região entre o Porto e Lamego. Nesse percurso de folhas que eu já percorri de comboio tantas vezes, de carro em incontáveis idas e voltas e em pensamento sempre que posso, ocorreu lembrar-me do meu quinto avô, Félix Pereira, que foi enjeitado na roda do Porto por volta de 1730. Calculei esta data a partir do seu casamento que ocorreu na paróquia de Santa Cristina de Tendais a 25 de Janeiro de 1762. Teria, portanto, cerca de 30 anos quando desposou Maria da Mouta, do lugarejo de Vila de Muros. Fui à procura do seu nascimento, crente que, sendo o seu nome pouco comum por terras de Cinfães, o encontraria rapidamente. Os livros da Misericórdia que eu corri durante um dia numa cave bafienta de um arquivo do Porto, foram muito claros quanto à identificação do meu longínquo avô: se Félix era nome raro nas serranias de Tendais, era-o menos no burgo portuense de setecentos. Sem uma pista concreta, apontei o nome de todos os Félix enjeitados na primeira metade do século XVIII aguardando o dia em que o acaso me traga uma pista para resgate da memória do seu nascimento. § Dentre todos os meus avós devidamente identificados, ascendentes legítimos e ilegítimos, fidalgos e plebeus, este é um dos que mais me faz pensar. Muito embora não saiba em que circunstâncias nasceu, nem quem foram os seus pais (muito menos porque foi abandonado à sorte de rodeiras e amas), sempre me perguntei por que razão, tendo ele nascido no Porto, foi terminar os seus dias a Tendais. No século XVIII, porém, a relação entre a zona ribeirinha de Cinfães e o Porto, derivada do florescente tráfego comercial, era mais evidente do que nos dias de hoje. Das margens do Douro escoava-se vinho e sumagre, castanha, carqueja e urze ou carvão feito a partir das raízes deste arbusto. A fluidez do intercâmbio comercial ditava a dinâmica das relações sociais. Não admira, pois, que entre negócios, caminhos de foros e rendas, Félix Pereira, enjeitado da roda do Porto, viesse, por vias travessas, casar com uma senhora de Tendais. E não casou mal. Num universo marginal de filhos ilegítimos, espúrios e (ou) bastardos, engeitados e órfãos, onde o estigma de não pertencer a qualquer estatuto poderia prejudicar a ascensão social, é possível encontrar muitos casos destes, de «bons» casamentos ou matrimónios morganáticos. Maria da Mouta (1742-1809) pertencia à elite da governança municipal de Tendais. Era bisneta de um Capitão-mor e descendia, dentre vários avoengos ilustres, de um tal Francisco Maldonado, por alcunha o castelhano, nobre de Salamanca cuja filha casou em Portugal. Teria sido o casamento de Félix e Maria um casamento de amor? É provável. Seja como for, Félix Pereira devia ser homem aplicado na gestão do seu património e do da sua mulher. Em três gerações os « Pereira Félix» tornaram-se maiores proprietários em Tendais, consorciando os seus filhos com «boa gente» do concelho. E «regressaram» ao Porto: um neto, José Pereira Félix, casou com Augusta de Sousa, cuja filha Vitória Augusta de Adelaide e Sousa fundou o Café Brasil, no Passeio de São Lázaro, frequentado, primeiro pela burguesia oriental da cidade e depois por republicanos e resistentes à ditadura de Salazar. O tio materno desta fora um dos Abades de Miragaia. O café passou ao sobrinho Tibúrcio de Resende e Sousa, inflamado republicano que renegara os costados paternos, repleto de miguelistas e morgados conservadores. § Ainda conheci a sua filha, prima direita do meu avô, estimada escritora e poetisa, que muito contribuiu para que pudesse conhecer estas ligações familiares tantas vezes ocultas nos documentos e pelas fotografias. § Onde o meu quinto avô me levou....as nossas memórias nem sempre se perdem por caminhos que conhecemos, mas por outros que desejamos conhecer. É por isto que gosto da genealogia, pelo seu lado humano e dinâmico do conhecimento de nós próprios e de quem nos rodeia.

2 de julho de 2008

Maus ventos: a energia eólica e a serra de Montemuro.

«Gradiente paciência»
Gradiente paciência, Tendais, Cinfães (c) N.R., 2007

Ouvi há dias o discurso de um presidente de câmara, sobre as desvantagens da construção das torres eólicas. Que a sua necessidade era indiscutível, claro, num mundo preso aos malefícios do petróleo, mas que se os ditos aerogeradores pudessem ser instalados nas serras sem que a paisagem fosse arroteada por aqueles moinhos de vento diabólicos, seria ouro sobre azul. Tudo aquilo soou a hipocrisia sem limites, dado que as instituições municipais, têm o seu ganha-pão à conta daquelas pás em movimento. Ganha a Câmara Municipal, as juntas e as paróquias em rendas, avenças e sabe Deus mais o quê; e os particulares não hesitam em vender, alugar e escambar a terra e o que for preciso desde que lhes corra o maná, vindo de tão saudáveis ventos. § O que aquele presidente não entende, ou não quer entender porque lhe convém, é que não é de mais formas de energia renovável ou não poluente que nós precisamos. É de uma política de contenção, de educação pela parcimónia e pelo reaproveitamento. Não precisamos de novos magnatas das energias renováveis, para substituir os dos cartéis do petróleo. Não precisamos de destruir mais, para termos mais. Precisamos, isso sim, de preservar o que temos e consumir menos, muito menos. Esta é a verdadeira política de salvaguarda do património e do ambiente a que ainda não se renderam certas associações ambientalistas, nem os nossos governantes. § Mas num mundo em que o que se estraga não se conserta - antes substitui-se por outro objecto novo; ou numa mentalidade em que destruir a paisagem é um meio para atingir um fim razoável, como o semear indiscriminadamente a serra com aerogeradores porque estamos demasiado presos ao petróleo - fazer passar a mensagem de parcimónia, de sobriedade e de contenção é como pregar aos peixes, ou fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha...Estamos presos aos derivados do petróleo? Andemos mais a pé, ou de bicicleta, ou de transportes públicos; compremos menos plásticos, evitemos enfardar as crianças com comida plástica ou presenteá-los com objectos desnecessários! § Já o disse (aqui e aqui), e volto a dizê-lo: não acredito na mensagem limpa, ecológica e humanista da energia eólica. Muita gente enche os bolsos à sua custa. Pode ser (hoje) politicamente correcto, mas é imoral que à conta de poucos percamos o que durante séculos muitos, juntos, lutaram para manter: a autenticidade e o património humano de uma serra, tão bonita como é (ou era) o Montemuro...