Nós, os vencidos do catolicismo
que não sabemos já donde a luz mana
haurimos o perdido misticismo
nos acordes dos carmina burana
Nós é que perdemos na luta da fé
não é que no mais fundo não creiamos
mas não lutamos já firmes e a pé
nem nada impomos do que duvidamos
Já nenhum garizim nos chega agora
depois de ouvir como a samaritana
que em espírito e verdade é que se adora
Deixem-me ouvir os carmina burana
Nesta vida é que nós acreditamos
e no homem que dizem que criaste
se temos o que temos o jogamos
«Meu deus meu deus porque me abandonaste?»
Ruy Belo
(«Nós os vencidos do catolicismo» é também o título de um ensaio sobre a participação/desilusão de J. Bénard da Costa como católico opositor ao Estado Novo que vale a pena ler por todas as razões, para compreender como a Igreja é composta, e felizmente, de homens que ou estão muito atrás, ou vão já muito à frente).