....aparecem uns posts que não podem passar em branco:
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal. Mostrar todas as mensagens
11 de novembro de 2008
29 de outubro de 2008
"Dicionário do cidadão sem medo"
SAVATER, FERNANDO - DICCIONARIO DEL CIUDADANO SIN MIEDO A SABER.
EDITORIAL ARIEL, S.A.: Barcelona, 2007. ISBN: 9788434453395
Comprei este pequeno livro (lê-se numa viagem de autocarro) em Madrid, há quase 2 anos. Ainda não foi traduzido para português, nem o tenho visto, sequer, nos escaparates das livrarias mais abrangentes. Com grave prejuízo para os leitores portugueses, quanto a mim. Fernando Savater (para quem desconhece, trata-se de um filósofo espanhol com vasta obra publicada que toca o social e o político contemporâneos) sistematiza o pensamento e a organização social actuais e todas as implicações que advêm de uma democracia ocidental em crise. Se não, vejamos: os verbetes que desenvolve no seu dicionário, são em torno da participação política e de um homem político (moribundo?): Cidadania, Constituição, Direita/Esquerda, Diálogo, Estado, Identidade, Imigração, Laicismo, Nacionalismo, Opinião pública/opinião pessoal, Parlamento, Paternalismo, Paz, Políticos, Progressista/Reaccionário, Povo, Sectarismo, Separação de poderes, Terrorismo, Tolerância. Savater oferece-se para discutir connosco problemas preementes, como o terrorismo ou a cidadania, tendo sempre presente a necessidade primeira da discussão (que dá o mote para quebrar um silêncio cada vez maior dos cidadãos com medo). «Em democracia políticos somos todos», diz. Talvez seja esta a razão fulcral do livro, penso eu, se não por que é que Savater abordaria questões como os sectarismos, a inevitável imparcialidade dos media e a formação de uma classe de «especialistas em mandar», como designa os políticos actuais? A democracia anestesiou a participação cívica. Não se trata de uma forma de censura, mas sim de uma espécie de cura pela doença que deixa no organismo vivo que é a sociedade um total desinteresse pela participação e pela cidadania (dando azo ao oportunismo de alguns que vêm no amorfo o terreno fértil para instalar o seu consulado).
P.S. Agrada-me especialmente a entrada "paternalismo". Savater define e resume bem a hipocrisia dos Estados, face aos seus cidadãos: El vicio de los goviernos y de las autoridades públicas de empeñarses en salvar a los ciudadanos del peligro que representan para sí mismos (...). los Estados suelen ofrecerse solícitamente para dispensar a los ciudadanos de la pesada carga de su autonomía. Su lema es «Yo te guiaré: confía en mi y te diré lo que debes comer comer y beber, lo que debes leer, los programas de televisión o las películas que debes ver, cuánto debes gasta en el juego, qué debes hacer com tu cuerpo, etc.» Por supuesto, semejante solicitud no es de todo inocente.
9 de setembro de 2008
O serviço público de um Historiador. Relembrar quem nos enfiou o "barrete"
"... não creio que valha a pena preparar, oficialmente, ou mesmo em meios académicos, a celebração dum mau defunto que foi esse regime de década e meia de vigência atarantada, e que, bem feitas as contas, teve nada menos do que 47 governos que a desgovernaram por trancos e barrancos (...) de atribuladíssima e caótica duração, com muitas bernardas castrenses de permeio, sedições várias, tumultos constantes e quase sempre mais ou menos sangrentos, de atropelos à legalidade e ditaduras disfarçadas ou às escancaras, sem falar da Ditadura das Urnas, com o 'partido democrático' do dr. Afonso Costa (aquele homem de Direito que foi uma vez ao Porto, em 1902, com uma soqueira, para agredir à traição o Sampaio Bruno), mais uma participação em tudo funesta e catastrófica nos conflitos europeu e africano, e, por fim, uma degola que nos privou da Liberdade, com certa lógica fatal depois de tanta bagunça, desassossego, insensatez política e falta de implementação mínima dum regime sério de Cidadania, Educação generalizada ou Progresso material, porquanto nem se educou o povo, nem se fez de cada português um cidadão livre, nem se melhorou a vida dos portugueses"
João Medina, 2006, via "Centenário da República"
Porque a um historiador não cabe o exclusivo papel de arrumar o Passado, os Homens e as suas relações em gavetas que nunca se abrirão, se não para deleite de intelectuais. E o comum dos mortais? E a educação? E a intervenção cívica e política? Ao Historiador cabe preparar as fundações para um futuro mais culto, mais tolerante, mais justo e mais íntegro. N.R.
12 de junho de 2008
A excessiva partidarização da democracia e o silêncio da verdade: ideias, não ideologias.
Já há algum tempo atrás que, em conversa com amigos, tem surgido a discussão sobre a necessidade de outro partido em Portugal. De todas as vezes tenho insistido no meu ponto de vista: a democracia, tal como está, repleta de clivagens ideológicas e em alguns casos à beira do abismo, pode ser salva pela entrega do poder ao povo. É óbvio que não digo isto numa perspectiva marxista. Digo-o com a necessidade de transferir a dominante cartelização em que se transformou o sistema democrático através dos partidos políticos, para o indivíduo comum. Talvez no caso de Portugal não estejamos suficientemente maduros para aceitar tal conversão. Mas de certeza que, se deixássemos este rotativismo miserável que traz este país no fio da navalha numa pluralidade consensual de opiniões, e de intervenção directa do cidadão - uma meritocracia em vez de uma mediocracia política - talvez o desinteresse da juventude nestas matérias não espantasse o Sr. Silva, filho do gasolineiro que nas horas livres come bolo-rei e diz disparates. Eu queria ver a coragem de um país que na sua assembleia de cidadãos efectivamente os ouvisse e deliberasse, não com base em orientações partidárias, mas em valores individuais e (ou) colectivos que exteriorizassem não ideologias, mas ideias. Deixo aos politólogos e a todos os teóricos da internet (a maioria dos blogues que eu leio todos os dias poderia dar uma ajuda) na concepção de uma sistema que admitisse esta distribuição do poder político unipessoal em detrimento do partidarismo obsoleto e condicionador. Eu, pela minha parte, gostava de poder lançar o desafio a quem pensa em agrupar-se para trabalhar por um país melhor: agrupem-se, sim, para pensarem por si e não pela cartilha de grupos ideológicos ou partidários. Se for para poder reconstruir este sistema de lóbis e cartéis, contem comigo. Caso contrário, um partido a mais ou a menos é só um partido.
1 de junho de 2008
E se boicotássemos o futebol?
Todo o santo dia os canais portugueses debitaram futilidades sobre futebol. Nem parece que estamos a atravessar uma crise. Um senhor, daqueles afoitos que vieram do interior profundo para ver a selecção nacional, disse que o que mais queria era que Portugal ganhasse o Europeu. Não quer melhores salários, nem que o preço dos combustíveis desça. Quer que a selecção ganhe. Os portugueses não querem, afinal, melhoria de vida - desejam ardentemente que um grupo de privilegiados, na maior parte pseudo-adultos que não passaram a fase da adolescência e a quem, todos os meses, é passado um cheque em branco, ganhem um jogo de futebol. Que metam uma bola numa baliza. Que dêem um chuto numa bola. Um pedaço de pele sintética cosida a rolar na erva. Um jogo. E aqui, perto da realidade, há desemprego, há fome, há angústia, há pobreza, há velhice, há solidão, há famílias desestruturadas, há marginalidade, e há exclusão. § Uma bola...? § Nos últimos dias tenho sido bombardeado com mensagens a apelar ao boicote das empresas petrolíferas - eu, que nem conduzo. Não seria melhor boicotarmos o futebol?
25 de maio de 2008
...o reino nos despovoa.
© Blog da Rua NoveNão me temo de Castela
Donde inda guerra não soa
Mas temo me de Lisboa
Que ao cheiro desta canela
O reino nos despovoa.
(Sá de Miranda)
O país sangra lá fora. À conta de especulações, de políticos hábeis e inábeis (dependendo da ocasião), homens saem para buscar fora da terra o sustento que a própria já não vende (nunca o deu, até o pó é ingrato). Não contente, aquele monstro devorador, - Cronos projectado em Lisboa -, que regurgita os ossos dos seus, obriga à fuga, à debandada. Os que não morrem, supliciam como Prometeu ou Tântalo. A pouca gente da minha terra, do meu Douro, vai morrendo por essas estradas afora para pagar as dívidas de um país alienado. Não, não me temo de Castela. Temo Lisboa.
29 de abril de 2008
Sangue pobre em oxigénio.
Apenas cheguei a Portugal pude maravilhar-me com uma reportagem da sic transmitida domingo à noite sob o título «Sangue Azul» (podem vê-la, na íntegra, aqui). Um punhado de aristocratas titulados (eram eles o Conde de Albuquerque, o Marquês de Fronteira, a Duquesa de Cadaval, o Conde de Calheiros e o Marquês de Abrantes) provenientes de vários pontos do país discursava sobre a sua etérea condição de nobres adiados, numa república que os tolera entre a compaixão e o desprezo. Fiquei petrificado com tudo aquilo (que é o mesmo que dizer que se me gelou o pouco sangue azul que tenho nas veias), mas a jornalista, ainda que tenha batido às portas erradas, explicou (mesmo sem o saber) muitas das razões que levaram o nosso movimento monárquico a ter sido mal gerido, durante anos, por gente como esta - alheada e realmente sufocada pelo sangue venoso em excesso que lhes corre nas veias. § O Camilo dizia que a genealogia era «uma ciência em que se distinguem muitos parvos» (Vinho do Porto), e de facto assim é. Ao invés de servir o estudo histórico, social e familiar, a genealogia tem sido usada para compilar listagens de nomes e apelidos, numa profusão de mentiras ou não-verdades que, sem método ou objecto, apenas servem descendentes ou aspirantes a fidalgos. § É um facto que a Casa de Cadaval, ou a de Fronteira desempenham ainda um papel determinante na sociedade portuguesa, proporcionando ao público o acesso às artes e à cultura. Mas os seus representantes são o produto de uma construção idealizada que parece desajustada ao nosso tempo. O ar blasé, o caminhar em bicos dos pés, peito para fora e ar enfadado dá a esta gente uma pincelada demodé e pobremente arrogante que já não cabe na sociedade dos dias de hoje. § Eu sou pela nobreza, acho-a absolutamente necessária - e não em venham com a conversa da igualdade. Perante a lei e o nosso semelhante somos todos iguais, sem prevalência de um sobre o outro e vice-versa. Mas não tentem escamotear a verdade: se fomos todos iguais (algo que nem a biologia ratifica) seria impossível a ideia de progresso, em qualquer uma das suas acepções. Mas a nobreza, mais do que herdada, deve ser merecida. E pela amostra, da qual se destacaram, pela positiva, dois ou três exemplares desta fauna, parece-me que a maioria recebeu mais do que aquilo que dá.
Grande Reportagem: "Sangue Azul" Jornalista: Susana André Imagem: Fernando Silva, Pedro Góis, Vitor Quental Montagem: Marco Carrasqueira Grafismo: Cláudia Ganhão Produção: Isabel Mendonça e João Nuno Assunção Coordenação: Cândida Pinto Direcção: Alcides Vieira
31 de março de 2008
A nós também.
«Nós gostamos de dizer mal pelas costas e bem pela frente. Nós gostamos de ser amigos de toda a gente e de não gostar de ninguém. Nós gostamos de ser manhosos e, passe a palavra (olhe, lá está a minha truculência!), gostamos de ser merdosos. E eu não gosto disso. É um lado da alma portuguesa que me irrita profundamente».
José Miguel Júdice, DNa, 22-5-2005
José Miguel Júdice, DNa, 22-5-2005
25 de março de 2008
Wikipédia: a construção do conhecimento ou a destruição do Saber?
11 de março de 2008
Assim, sim.
«Assim, sim», intitulava-se o post que comecei a escrever esta manhã, sobre o programa prós&contras, exibido ontem à noite na RTP1, sobre a questão «Rei ou presidente»?. Ia publicá-lo cheio de energia e afã pelo excelente debate a que assisti. Mas é escusado competir com posts como este, e este. Julgo que depois de ontem há caminho para a Nova «Monarquia Nova». Preciso é que o ideal não esmoreça e a desunião não vença.
12 de dezembro de 2007
Rentabilizar o investimento ou Portugal a retalho.
"A organização das finanças são as estradas, os caminhos de ferro, o desenvolvimento do comércio, das artes e das indústrias".
Fontes Pereira de Melo (1865)
"Desaparece uma linha de caminho de ferro, mas o comboio teve a sua época e o seu tempo. Em regiões com pouca gente e uma grande extensão de território a ferrovia não é viável, pois não há passageiros nem mercadorias capazes de rentabilizar o investimento."
Mota Andrade, deputado de Bragança pelo Partido Socialista (2007)
E houve quem morresse pelo caminho-de-ferro...
11 de dezembro de 2007
A terra de Nod.

Comprei há um par de semanas a Boémia do Espírito (4.ª edição, de 1959 - a 1.ª é de 1886, Lello & Irmãos, brochado, 504 pp.) do meu muito amado Camilo. Trata-se de uma selecta de crónicas várias (históricas e jornalísticas) que o autor engendrou ao longo da sua vida recheada de polémicas e descrições picarescas. Quanto a mim Camilo Castelo Branco é génio, não porque alinhou no snobismo do país para poder conquistá-lo, como fez Eça de Queirós, mas por que se riu dele - do país e dele próprio. É o segredo da alquimia do bem viver em Portugal: rir. E, nesse aspecto, melhor do que ninguém Camilo soube distanciar-se da irracionalidade ao, no trágico da sua vida e do país onde nasceu, espicaçar a condição humana e social de um país que muito pouco mudou em pouco mais de século e meio.
Alexandre Dumas, Filho quer que Caim casasse com uma macaca, natural do país de Nod, terra desconhecida a Estrabão. É lógicamente rigoroso que um país desconhecido a Ptolomeu e outros geógrafos antigos seja país de macacas. Se V. S.ª não achar no mapa de Portugal a terra onde fui criado e educado, a Samardan, fica autorizado a decidir que eu, em pequeno, andava lá pelos bosques a brincar com as caudas dos cinocéfalos, meus mestres de ginástica e gesticulação.
- De onde és tu, meu amor? - pergunto, na praia da Foz, á mulher que adoro.
- Sou de S. Gonhedo - respondeu ela.
- De S. Gonhedo? Espera aí.
Abro o «Dicionário geográfico» de que ando munido depois dos últimos acontecimentos. Procuro S. Gonhedo, e não acho.
Começo a suspeitar que o meu amor é de Nod - que é, pelo menos, amacacada. Disfarço, acendo o meu charuto, e safo-me. É o mais prudente.
C.C.B. in «A Espada de Alexandre», na colectânea Boémia do Espírito.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




