8 de junho de 2012
Pequenas sacanices.
29 de janeiro de 2011
Com papas e bolos.
28 de julho de 2010
Dos anónimos.
Em 12 de Julho de 1738 entrou neste Hospital [D. Lopo de Almeida] hum homem que trouxerão em hua cadeira huas molheres do Reimão e ai disserão ellas o acharão sem fala com hum accidente e porque elle homem que paressia galego logo faleceu se não soube quem hera nem como se chamava.
27 de julho de 2010
Os galegos e Portugal: uma servil amizade.
Dado que o Obliviário tem sido visita amiúde dos nossos irmãos gémeos (separados à nascença), desse bonito rincão chamado Galiza/Galicia, não podia deixar de presenteá-los com uma das mais curiosas descrições da sua presença em Portugal oitocentista. Trata-se do testemunho de James Murphy, um britânico que de passagem pelo Porto em 1788 deixou o relato sobre a presença dos galegos nesta cidade. O texto é expressivo o suficiente sobre a condição social e profissional destes milhares de homens e mulheres e a sua relação com Portugal (veja-se hoje o caso de trabalhadores de leste e de África) dispensando comentários mais elaborados:
«Os trabalhadores com mais emprego são nativos da Galiza, província de Espanha; por isso são chamados Galegos. O seu número ronda os 8 milhares só na cidade do Porto, enquanto em todo o reino pensa-se existirem não menos de 50 mil galegos destes aventureiros industriosos. Se o meu cálculo está correcto (e não possuo autoridade para o afirmar veementemente) e se cada homem ganha, em média, 18 pence por semana, então o comércio mais lucrativo de Portugal é feito pelos Galegos, pois as suas poupanças, de acordo com estes cálculos, chega a 195 mil libras por ano, que eles mandam para a sua terra. Aqueles que testemunharam o seu modo de vida, admitiram que a soma é inferior ao calculado, pois os Galegos são os indivíduos mais poupados do Mundo. São alimentados gratuitamente à porta dos conventos, alojam-se nas caves de vinho, nos estábulos ou nos claustros, vestem os trapos em que habitualmente dormem. No entanto muitos deles possuem propriedades e casas na sua terra, para onde regressam, partindo pela família o seu salário suado, retirando-se finalmente com o suficiente para viverem independentes do seu trabalho e para passar o ocaso da vida aproveitando a felicidade doméstica. Para honra desta raça industriosa não devemos esquecer que a atracção do ganho raramente levou algum delas a cometer algum tipo de acção desonesta.»
James Murphy [1760-1814] – Travels in Portugal […]. Londres: A. Strahan, and T. Cadell and W. Davies, 1795.
2 de maio de 2010
30 de janeiro de 2010
Notícias da Mui nobre e sempre leal
O que Serralves tem a ver com o 31 de Janeiro?
Entretanto, 4 artistas querem comer da mesma malga: Rui Veloso, Pedro Abrunhosa, Rui Reininho e Sérgio Godinho. Vão cantar os gloriosos feitos republicanos. O primeiro vem dizer que «É o povo quem exerce a soberania». Se assim fosse não era o Rui a ser contratado, mas o Quim Barreiros.


E os Tripeiros o que terão a dizer acerca disto?
Provavelmente nada. Não é com festejos e recriações históricas que esta república doutrinará. Na segunda-feira, ninguém se lembra do 31 de Janeiro de 1891, porque para quem tem que se levantar ás 6hs da manhã, e tem prestações para pagar ao fim do mês, o relambório propagandista, mesmo à custa de 10 milhões de euros, não conta para nada. Vão ser necessário muitos anos de celebrações, de lavagem cerebral dos nosso alunos para criar republicanos em Portugal.
26 de janeiro de 2010
Tesouros da cidade do Porto #1
Tríptico do Espírito Santo
Pintura sobre carvalho do Báltico
Autor desconhecido (atrib. Van Orley)
c. 1512-1517, Antuérpia (?)
Prov. Capela do Espírito Santo de Miragaia (até 1877)
Hoje depositado na Sacristia da Igreja Paroquial de Miragaia)
9 de janeiro de 2010
29 de novembro de 2009
O Norte, os aviões e a regionalização que se segue.
Corre por aí boato que versa sobre a possível transferência do Red Bull Air Race, uma competição de aviõezinhos que anualmente traz às margens do Douro uns milhares de pessoas, dando, talvez, a ilusão de que o Porto tem gente e tem poder. Porque isto do poder não é uma coisa inerte, inorgânica ou meramente geográfica. O poder emana dos indivíduos e das suas relações. Como tal sempre tive muita desconfiança em relação à regionalização. Mudar os sinais de trânsito pode alterar a circulação mas pode não diminuir/aumentar o tráfego. Acontece o mesmo com a regionalização: a mudança geográfica, imposta, dos centros de decisão pode não trazer o estatuto de centralidade. § Vejamos o caso do Porto. § Esta cidade criou uma autonomia e uma importância durante a Idade Média e a Idade Moderna. Lutou contra o Bispo e contra o Rei, mas sempre que era necessário era aliava-se a um para combater o outro. Quando todas as cidades tinham o corpo de um santo (eram, portanto, santuários) o Porto arranjou um (São Pantaleão) para se tornar invencível a uma escala espiritual. O Porto não competia com Lisboa, competia com as outras cidades da Europa, queria igualá-las (Lisboa era apenas uma pedra no seu sapato). Os seus governantes tinham o brio de pertencerem a um estatuto especial, o de cidadãos do Porto. Um tipo de nobreza, mas sem fidalguia. Havia, pelo menos, brio. Hoje, a maioria dos que defendem a região não são do Porto, nem querem que o Porto lidere uma futura e eventual Região Norte. E, se calhar, têm razão, o Porto nunca liderou nada que não fosse o seu próprio Burgo. Mas ao estilhaçar o poder, perde-lo-ão. Aqui não cabe a máxima "dividir para reinar". Se o Norte não encontra um poder , uma razão que o una, então é porque não deve ser unido. Deve permanecer como está, uma amálgama de coisas distintas vagamente descrito pelo resto do país por um sotaque, por um certo clima e por uma paisagem mais agreste. Quanto aos aviões irem para Lisboa, não me parece que seja importante a deslocalização de um evento como estes. O mais grave é que já não haja cidadãos, como aqueles de avô e pai, para lutar pela cidade. A fuga das pessoas da cidade é mais importante, do que a fuga dos pequenos e barulhentos aviões. E se forem os carrinhos de corrida, não creio vir mal ao mundo. O que a cidade não se pode deixar ao luxo de deixar fugir são os cérebros, gente activa que invista as suas ideias e a sua força aqui, em projectos centralizadores, permanentes e não apenas cíclicos. De coisas efémeras está o mundo cheio.
20 de maio de 2009
15 de maio de 2009
Os diálogos da cidade.
(c) N.R. "Largo do Moinho de Vento, Porto, 2009
"Os diálogos da cidade"
Amanhã há por cá uma caminhada que tenho o gosto em ciceronear: "O Porto dos Escritores". Mas na preparação da mesma dei-me conta de que, por alguns dos sítios por onde vamos passar, não há nem gente, nem resquícios de uma cidade que ainda há vinte anos conheci, buliçosa e alegre. A Baixa está semeada de um pavimento granítico horroroso e de esterilidade. As paredes, pichadas com tags e grafitos com mensagens duvidosas. Esperando algum diálogo, um arquitecto menos dotado pensou em plantar as cadeiras que vêm na foto, em alguns largos. Na Batalha, a pouco e pouco, e por força do hábito, os mais velhos lá foram ocupando estes módulos, um pouco contra vontade, mas dominados pela retirada inexplicável dos antigos bancos de madeira e ferro. Noutros sítios o mais certo é, contudo, encontrarmos aquelas cadeiras sem amparo, vazias. § Esta desumanização tem tornado o Porto menos pessoal, mais fria, só para turista ver. Os portuenses, aqueles de pai e avô, são cada vez mais raros...
24 de março de 2009
Tendais (ao centro a torre sineira da igreja matriz)16 de fevereiro de 2009
12 de janeiro de 2009
14 de maio de 2008
Senhor de Matosinhos.
26 de fevereiro de 2008
«Meus invisíveis traços»
8 de fevereiro de 2008
Vamos tomar um Porto?
No próximo dia 16 vai haver uma caminhada pelo centro histórico da cidade do Porto. Organizada pela Associação para a defesa do vale do Bestança, para quem quiser passar um sábado diferente a conhecer o Porto, que não é só futebol, a torre dos clérigos ou a ribeira. Inscrições, aqui. Eu vou andar por lá, a partilhar o que sei - e é pouquíssimo - para aprender mais. Porque, afinal de contas, o saber não ocupa lugar.











