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9 de janeiro de 2010

Os 4 A's

A internet veio sublinhar a impossibilidade de dialogar com os três A's:

Ateus,
Anarquistas,
Anónimos.

Todos Autistas.

29 de outubro de 2009

2#Pensamentos rápidos



Gripe, crise, roubos, mortes. Não há nada de novo debaixo do sol. Às vezes apetecia-me por a cabeça fora do mundo só para ouvir o silêncio das esferas.

4 de julho de 2009

Um post em dois tempos e meio.

I

Não é por falta de tempo. É por falta de interesse. Este monólogo, umas vezes catártico, outras exercício exorcista, pouco mais alimenta que a necessidade de desenvolver temas que acabam por morrer na praia. Não sou comentador, ou seja, não corro a comentar notícias, nem a alimentar especulações de polémicas frescas. Aliás, se o fosse não teria mãos a medir, tal a torrente, tal a catadupa de casos caricatos ou situações bizarras que este país produz diariamente. Sempre fui um free-lancer, auto-didacta orgulhoso que tem o gosto de mostrar a quem mais gosto aquilo de que gosto. Por isso  o Obliviário não aparece entre os primeiros nas estatísticas, nem nos recortes blogosféricos dos jornais. Mas é bom. É bom conquistar um lugar discreto, quase um cantinho aconchegante neste mundo estranho e às vezes distante que é a internet. 

II

O que é democracia? - pergunto aos meus alunos. Eles dizem-me que é algo teórico e eu tento convencê-los do contrário. Mas contradigo-me e sinto-o ao seguir atentamente a política portuguesa. Os movimentos de bastidor, os negócios, os subterfúgios, as mentiras. Fala-se em qualidade de democracia e imputa-se aos políticos uma melhoria da mesma, mas esquecem-se do essencial: os cidadãos, a base de uma pirâmide que não se sustenta sem cultura e sem educação. Para mim a democracia pode melhorar se melhorar o sentido de ética, que falta aos jornalistas, que falta aos funcionários e a todos que partilham uma responsabilidade colectiva no dia-a-dia. Aliás, a comunicação social atiça o incêndio da discussão, mas talvez seja ela própria o incendiário e a chama inicial. Como Quarto Poder, (em alguns casos, Poder Único) modela a consciência dos menos afortunados pelo interesse e pela crítica. Como a maioria dos universitários, pouco criativos, menos ainda conscientes e cada vez mais dependentes do oportunismo, os jornalistas são, na sua maioria, medíocres e pouco exigentes. Os restantes, politizados, vão segurando o bastão do poder e manejando esta gente amorfa. Sim, foi o gesto de Manuel Pinho que decidiu a sua própria fortuna, mas é a imagem moldada pela comunicação social que torna o facto mais ou menos relevante. A responsabilidade da democracia deve ser repartida por todos. Ela não é dos políticos, nem dos jornalistas. É nossa.

Uma nota: o facebook e o twitter são as ferramentas do momento e permitem criar espaços mais intimistas de troca de ideias. É um dos motivos pelo qual o Obliviário tem estado mais silencioso e vazio. Não obstante o facto de ter já comentado quer num quer noutro a morte de Michael Jackson não posso deixar de acrescentar algumas linhas a este respeito. Li, num tópico da internet, uma frase grosseira, "proferida" num tom irónico por um psicólogo (!) que dizia "gostar muito de Carlos Cruz mas que este não chegava aos calcanhares de Michael Jackson". É óbvio que a afirmação, um tanto ou quanto rude (e irresponsável, se pensarmos que foi proferida por um cientista) apelava para o facto de ambos serem acusados de crimes semelhantes, relacionados com o abuso sexual de menores. Cá está um exemplo de como, em Portugal, tudo passa pelos media: a política, a cidadania, a democracia, a justiça, começa e esgota-se nos jornais e na televisão. O processo Casa Pia ainda não terminou e já há culpados. É-se acusado, julgado e condenado virtualmente; partidos sobem e descem por estatísticas que, se não são manipuladas, são-o com certeza tendenciosas e aplicadas no "momento certo". Enfim, Michael Jackson, que mais do que ninguém beneficiou da imagem e da sua manipulação, viveu sob o pêndulo dos media. Foi glorificado e crucificado e, na morte, reabilitado a ícone maior. A pedofilia (crime pelo qual não chegou a ser condenado) é um delito abominável. Mas as suas supostas vítimas, como as supostas vítimas de Carlos Cruz, ficarão para sempre anónimas. Esta é a hipocrisia  ou a realidade do mundo em que vivemos. Não podemos combater a biologia humana, mas podemos crescer em crítica e valores. E isso é que é importante. As grandes coisas só são grandes se lhes dermos importância.

4 de maio de 2009


"Variações" (c) N. R.

As estações de caminho de ferro, sobretudo as mais movimentadas, são locais extraordinários para observarmos expressões, sentimentos, movimentos ordinários ou extravagantes, enfim, para aquilatarmos da dimensão do mundo próximo àquele microcosmos. Por ali, adivinhamos o que nos espera fora dos trilhos e fora das portas da gare. A estação de São Bento, no Porto, é um destes espaços, um dos espaços mais belos da cidade. A forma como a luz entra pelos enormes vãos e vitrais, como o azul dos azulejos de Colaço expandem o sol pelas paredes altas e esmagadoras, deixa qualquer visitante extasiado. Depois, passando às gares, as esguias colunas de ferro fundido, pintadas de verde, são como troncos de sequóias que sustentam folhagem envidraçada, translúcida, como um céu nocturno enevoado. Quando era pequeno, nos meus 4 ou 5 anos e cheguei, pela primeira vez ao Porto, por comboio, depois ter atravessado a longa noite do túnel projectado por Baére, imaginei que a cidade era apenas acessível por aquela passagem estreita, tão estreita que a minha imaginação se contraía com medo para depois se maravilhar com a luz e o movimento da estação, onde afluíam todos os desejos. § Enfim, já me dispersei. Voltando às pessoas: todo e cada um daqueles indivíduos espera, procura ou encontra algo. Nas chegadas e nas partidas revela-se algo surpreendente, ou mesmo mágico e tornámo-nos espontâneos. É interessante como as pessoas assumem uma postura de quase ritual enquanto aguardam e nessa altura somos capazes de vislumbrar-lhes para além do anónimo. Vincam-se as diferenças, as gerações, não sei se pela luz, pela expressão de ansiedade. Noutros sítios sentimos que a sociedade se abate perante um cinzento de inexpressividade. Ali não. Bom, tudo isto será, talvez, um delírio meu...para cair na realidade lembro-me de um amigo meu que com quase 50 anos não fala para mim há mais de seis meses. Amuou com a minha sinceridade. É nestes momentos que eu me lembro que nem sempre as gerações assumem os seus papéis, às vezes diluem-se e quem devia ser não o é. E um adulto passa a ser uma criança. Às vezes é bom, para avivar a memória. Mas outras vezes não, pois infantiliza-a.

20 de março de 2009

S. Paulo c. 1470-80 [Nuno Gonçalves]
óleo sobre madeira 135 x 83 cm
Museu Nacional de Arte Antiga
Lisboa, Portugal
retirado daqui

Si Dios ha hecho este mundo, yo no quisiera ser Dios. La miseria del mundo me desgarraría el corazón.
A. Shopenhauer
Todos os dias peço a Deus para que me não me deixe abrasar pelo fogo do ateísmo e das heresias, tão avassaladora é, cada vez mais, a malvadez humana. Não falo do dia-a-dia e das pequenas estratégias que marcam a pequena cupidez aflita de quem nos rodeia. Refiro-me do veneno com que a comunicação social nos inocula, todos os dias. Quantos Joseph Fritzl haverá neste mundo doentio? Não é com moralismo que o digo. É com náusea. Quero um deus justiceiro, como o Cristo medieval, que castigue com pragas severas esta humanidade patologicamente má. Quem sonha ou executa sevícias das que cruelmente nos descrevem esses agourentos arautos é a prova mais do que provada que somos intrinsecamente maus e não buscamos ser melhores. Já saldamos as dívidas entre nós. Atingimos a o grau máximo da escória. Deus, Cristo Pantocrator, São Miguel ou esse São Paulo misógino e moralista que agora se comemora: brandam a espada sobre as nossas cabeças, deixem-na cair e antecipem o juízo final. Dêem-nos paz.

27 de novembro de 2008

Nos tempos que correm...

"O Rei surge como a única força que no País ainda vive e opera."
Eça de Queirós, referindo-se a Dom Carlos I, um vencido da vida. Quem vive e opera, hoje?



...sabe bem recolhermo-nos na leitura dos pensamentos dos Vencidos da Vida. A razão estava e está do lado deles.


Combater apenas o analfabetismo do povo por meio de escolas primárias e de escolas infantis sem religião e sem Deus, não é salvar uma civilização, é derruí-la pela base por meio do pedantismo da incompetência, da materialização dos sentimentos e do envenenamento das ideias. Quem ignora hoje que foi a perseguição religiosa e o domínio mental da escola laica o que retalhou e fraccionou em França a alma da nação? Quem é que nesse tão amado, tão generoso e tão atribulado país não está vendo hoje objectivar-se praticamente o profético aforismo de Le Bon: «É sobretudo depois de destruídos os deuses que se reconhece a utilidade deles»!

29 de outubro de 2008

Da ingratidão e da soberba.

Das qualidades que mais aprecio na Humanidade é a gratidão. Grato não é aquele que servilmente acorre a acudir ao benfeitor, como resposta, (quase estímulo), ao favor que lhe fora prestado. Falo de quem, verticalmente, saberá agradecer um gesto, uma acção, ou até um sentimento que lhe foi dirigido. Até porque acredito fielmente (e sem qualquer tipo de esoterismo) que o tudo aquilo que damos, o recebemos a curto, médio ou longo prazo. Ou seja, é preciso dar amor para recebê-lo. É uma experiência que podemos fazer no dia-a-dia: quando encontramos alguém em baixo, uma palavra carinhosa e franca pode ser a luz dessa pessoa. Por isso, quando penso nos ingratos que me rodeiam, lembro-me sempre da imagens antigas sobre uma espécie de limbo, lugar escuro e húmido, propício a dolorosas repetições infindas. Dar é uma benção, mas ser digno de receber também. Dizia um pensador árabe, Muslah-Al-Din Saadi, que «O coração ingrato assemelha-se ao deserto que sorve com avidez a água do céu e não produz coisa alguma». Não me podia ocorrer imagem mais adequada.

26 de outubro de 2008

O espírito associativo? (I)

Diz a máxima clássica que o sol quando nasce, é para todos (embora saibamos que, na prática, não é bem assim). E as associações, quando se constituem, para quem se constituem? Bom, cada vez menos uma associação parece ser sinónimo de união, ou porque é fruto de orientações menos cuidadas, em que o objecto social não é pensado e pesado convenientemente para acudir a problemas emergentes ou prementes, ou porque se revela tantas vezes uma simples desculpa para a ascensão social, política e académica deste ou aquele indivíduo. Não obstante, participo e sempre participei no movimento associativo, convicto da sua utilidade social. Com 16 anos apenas fundei uma associação para a defesa do património numa freguesia de Cinfães, numa época em que este concelho despertava (alguma vez despertou?) para a importância da cultura, do ambiente e do património no desenvolvimento local. Depois, já durante a universidade pugnei por estar sempre envolvido, quer individual, quer conjuntamente, na «luta» (não confundir a expressão com clichés do movimento marxista, pf.) pela preservação de ideias, valores, etc. Quem sabe do que falo, sabe que falo de chatices. Sim, verdadeiros aborrecimentos porque passamos demasiado tempo a ocuparmo-nos com questões a que todos dizem respeito, mas das quais ninguém quer saber ou porque mesmo estes, - os que não querem saber -, fazem tudo para que quem faz, enfrente todo o tipo de barreiras - a tradicional postura do cidadão português face à iniciativa do «outro». Em suma, nestes anos todo de participação no movimento associativo só me trouxe dissabores. Se valeu a pena? Valeu. Em todos os aspectos: pela aprendizagem no relacionamento interpessoal, pelo fortalecimento de percepções e dinâmicas, pelo ganho obtido no conhecimento de técnicas e estratégias. E falo em estratégias propositadamente pois tenho uma amiga (a quem daqui envio o meu abraço) que abomina "estratégias", com tudo o que de pior envolve esta palavra: maquinações, conjuras, tramas. Mas, cara amiga, o que me aborrece verdadeiramente não é a estratégia em si, sinónimo de percursos que conduziram o organismos unicelular da sopa primordial até à criatura complexa que somos; o que me encanita verdadeiramente é uso da estratégia para a prossecução de determinados fins que impliquem a destruição de segundos e terceiros.

28 de maio de 2008

"Só sei que não vou por aí..."

Algumas das minhas opiniões, ou mesmo alguns dos meus posts têm sido transcritos e citados em sites e blogues cuja matriz política e ideológica não coincide com o meu pensamento. Respeito as opiniões de todos e por isso não me pronuncio, nem me oponho à referida transcrição ou comentários. Porém, gostaria de deixar claro que abomino os extremismos. Já o disse e repito-o aqui: qualquer posição extremada, a roçar o obsessivo, é um atavismo ideológico grave que inibe a discussão e impede o progresso. § Sim, nesse aspecto sou progressista se o progresso significar, só e apenas, uma evolução que não implique a destruição. Por isso, no espectro político português, tenho tanta consideração pelo Partido Nacional Renovador, como pelo Bloco de Esquerda, ou seja nenhuma. São partidos cujo fim último é fundação ou refundação de novos sistemas, nada trazem de novo e vivem à sombra da ocasião, de programas maniqueístas, num pêndulo que divide o mundo entre bem e mal, entre bons e maus. Sou monárquico, mas não sou nacionalista. Defendo a manutenção das fronteiras (e sim, confesso, pendo para o euroceptismo) mas cá dentro fermenta um iberismo utópico (também tenho direito a estas «inutilidades» idealistas). Sou conservador, mas não de direita - não admiro nem simpatizo com a direita tradicional portuguesa, que pende entre a beatitude histérica e o provincianismo salazarista. Menos ainda me enquadro na esquerda, mas depressa advogaria certas causas do Partido Comunista, em detrimento das posições do Partido Socialista, ou do B.E. Abomino a partidocracia (o grande mal da democracia ocidental). Não tenho posição definida quanto ao aborto - penso, contudo, que não é tanto uma questão teológica, nem feminista, mas mais uma questão de bom senso - de casos, portanto, e não de causas. Por outro lado, não hesitarei em apoiar certos aspectos da eutanásia. Tanto me faz que os homossexuais queiram casar de véu e grinalda e não vejo neste assunto interesse algum - com a velocidade que as pessoas se «casam» e «descasam» nos dias de hoje e com as constantes críticas à Igreja, acho mesmo ridículo que adultos, gente culta e civilizada, se entretenha nestas discussões estéreis e vãs (por exemplo aqui, e aqui). As uniões acontecem todos dias atrás de portas. E basta (como aliás bastava na Idade Média) o consentimento de ambos. Bem sei que há implicações jurídicas por detrás das uniões de facto, mas são essas que devem ser discutidas, contratualmente, e pouco mais - o casamento simbólico está a morrer - os mesmos que advogam o casamento homossexual assim o exigem, ainda que indirectamente. E como nota devo dizer que temo pela destruição da família nuclear ocidental, por via de uma certa formatação ideológica que BE's e movimentos afins advogam. § Aliás, o ataque à Igreja e à religião, esteio moral e cimento de valores da sociedade vai custar caro - mas infelizmente a civilização só compreenderá quando os esteios ruirem... § Sou católico, mas não sou moralista - abomino a intromissão da religião em questões sexuais com fins estritamente repressivos, ou puramente teológicos. Mudarei, talvez, de posição quando a Igreja ponderar a abolição do celibato. Para já não admito esta pequena hipocrisia. Pelo exposto, não sei bem em que lado da mesa me devo sentar. Talvez me guie um pouco pela máxima do Agostinho da Silva: «não sou do ortodoxo, nem do heterodoxo, cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total». Por isso, definitivamente, não me obriguem a escolher...

20 de janeiro de 2008

Aporia # 1

Como algum conhecimento nos liberta da escravidão da inabilidade e o excesso do mesmo nos agrilhoa à angústia da dúvida.