Eu gostava de lembrar aos Ateus que foi preciso recorrer a um Papa para garantir a existência de Portugal. E embora os tempos sejam outros, o documento, chamado Bula Manifestis Probatum, lavrado em 1179, ainda é um dos tesouros dos nossos Arquivos Nacionais. Mas , oque digo eu? É que Católico só o é quem quer; parece, contudo, que os Ateus, na sua sanha mobilizadora (não muito afastada de uma certa catequese) exigem o requisito da estupidez para acesso à seita. A visita de um Papa não só é um assunto de Estado, como um acontecimento da maior importância a nível diplomático. Para Católicos ou não Católicos.
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29 de setembro de 2009
4 de abril de 2009
Triste figura.
Não sei se por coincidência, se por provocação, um amigo enviou-me uma crónicas das que já nos habitou o senhor Miguel de Sousa Tavares. A crónica intitula-se "Tristes trópicos, triste papa" e, entre muitas coisas, diz o seguinte:
«Os Papas gostam muito de ir a África. São viagens que asseguram sempre uma grande cobertura mediática, estádios cheios de multidões com bandeirinhas que não entendem nada do que o Papa lhes vai dizer nem estão lá para isso, discursos de efeito fácil e inócuo contra a pobreza e o subdesenvolvimento que ficam sempre bem à imagem de uma Igreja preocupada com questões sociais. De caminho, os Papas não se preocupam nada ou quase nada com a caução que dão às ditaduras que visitam, à corrupção que elas praticam e à miséria que promovem.
(...)
No curto espaço de três semanas, este infausto Papa, imposto por longas manobras da cúpula 'negra' da Igreja Católica, conseguiu mostrar o pior de si mesmo. Primeiro, levantou a excomunhão contra o arcebispo nazi inglês Williamson e a sua seita anti-Vaticano II e apenas duas semanas depois de ele ter repetido que o Holocausto era uma invenção dos judeus; depois, defendeu e confirmou a excomunhão decretada pelo arcebispo de Olinda e Recife contra a mãe e os médicos que procederam ao aborto de uma menina de 9 anos (!), violada repetidamente e engravidada pelo padrasto, e que nem sequer percebeu que estava grávida e tinha deixado de estar; enfim, decretou, ao pisar África, que o preservativo não só não serve para atacar a disseminação da sida como até "a pode agravar". E isto, em nome da "vida". Que saberá o Papa da vida? Como é que algum católico, a começar por ele próprio, pode acreditar que Deus fala por ele?
(...)
Enquanto se ocupa a excomungar médicos que salvam a vida a uma criança violada pelo padrasto, Bento XVI prepara-se fatalmente para dar sequência ao que seria apenas uma anedota portuguesa, não fosse também uma vampirização da nossa História: fazer de D. Nuno Álvares Pereira santo, só porque uma senhora de Vila Franca de Xira se queimou com o óleo da cozinha, rezou ao beato e curou-se... graças aos médicos que a assistiram e às defesas do organismo. E fica em silêncio quando tantos devotos católicos e financeiros, seguidores do também beato Escrivá de Balaguer, fundador da Opus Dei, levaram o culto de vendilhões do templo a tal extremo que conduziram o mundo a uma crise global e reduziram milhões de pessoas à moderna escravidão do desemprego e da pobreza. (...)»
Eu devo dizer que gosto tanto de Ratzinger como de Miguel de Sousa Tavares. Mas enquanto me devo preocupar mais com as acções do primeiro, pois da sua importância deriva ainda muito da ordem mundial, o segundo pouco me transmite que não a sombra de uma personalidade imbecil, medíocre e arrogante que em nada, mas nada, honra o nome genial da sua mãe e o carácter vertical do pai. Para além de uma nulidade como escritor, este senhor, com uma língua bífida e viperina, enche as paragonas de jornais com dislates e ocupa tempo televisivo a insultar metade do país sem perceber que não vale absolutamente nada. § Não sei que tipo de mensagem querem fazer passar os seguidores desta mensagem de Miguel de Sousa Tavares. Ódio à Igreja Católica? um ódio dissimulado, talvez, quando provavelmente os mesmos que odeiam são capazes de beijar a mão a bispos e padres apenas para subir no escalão hierárquico da sociedade. Sim, não vou mentir e dizer que faço um balanço positivo do pontificado de Bento XVI. Não me agrada a influência da Opus Dei e já manifestei aqui o meu descontentamento quanto à questão do preservativo e da sexualidade abordada pela IC. Não tenho que fazer de advogado do Diabo ou, neste caso, do Sumo Pontífice da Igreja Católica - mas algo me diz que um dia descobriremos como não adianta colocar as culpas nos deuses e nos seus sacerdotes, quando o mal vem de dentro de nós.
29 de março de 2009
A propósito da visita papal a África: a Igreja e a Sexualidade.
A Igreja tem um papel fundamental na sociedade moderna. O papel da Igreja, enquanto instituição que zela por fundações de moral e ética, de solidariadade e fé, não pode ser ignorado, nem menorizado. A Igreja deve moralizar, deve contribuir para a construção de um mundo menos anárquico, em que as relações humanas não sejam voláteis, nem estéreis. A Igreja é um esteio indispensável do mundo contemporâneo. No entanto, a Igreja Católica não é dona da verdade, muito embora esteja assente em dogmas inabaláveis ou irrefutáveis. A Igreja deve acolher a divergência, deve debater, deve reconhecer que não tem razão quando efectivamente não tem razão. E eu, como católico, que acredita e se acolhe sobre a Igreja de Roma, tenho o direito a discordar, tenho o dever de discordar e ser ouvido sem que tal anuncie um ataque às suas orientações canónicas e teológicas. Portanto, direi antes de mais que me preocupo com uma Igreja cada vez mais assertiva em relação à sexualidade humana. Não me refiro à recente polémica do uso do preservativo - assunto que, quanto a mim, extravasa de longe os limites da compreensão e do bom senso de ambas as partes. A Igreja, pela boca do seu representante máximo, tem o direito a discordar com o uso do preservativo. Tal, visto pelo senso comum ou uma certa comunidade médica que acha que doenças como a sida ou outras dst's só se evitam pelo uso do preservativo, parece a maior das enormidades, mas não é. O que é facto é que nem o preservativo é seguro, nem constitui a arma máxima contra a propagação da doença. Não são os estados, nem Roma, nem as ONG's com o papel mais importante no combate às doenças. Quem deixa morrer tanta gente em África? É afinal o apelo do Papa "contra" o preservativo? Não. São as farmacêuticas que ganham dinheiro com a morte e com as doenças. Quem o negará? Quem, nos tempos que correm, ousa desvalorizar o papel dos lobbies das grandes empresas? § Ora, não obstante, nem a Igreja tem razão, nem os puristas e moralistas (que só o são por agressão à Igreja) que vêm clamar a favor do preservativo. Se não, vejamos: a Igreja, por razões teológicas (e não bíblicas), não concebe o desperdício do sémen. Este deve ser unica e exclusivamente aproveitado para a procriação. O acto sexual não deve envolver desejo ou concupiscência, apenas uma forma mecânica e biológicamente útil. Ou seja - sei que vou simplificar, mas vou dizê-lo - à luz da teologia o coito apenas serve a função até que seja criada vida. O acto sexual deve repetido até à fecundação. Depois disto torna-se obsoleto, dispensável e mesmo tabu, pois desde S. Paulo que a Igreja tenta refrear o desejo sexual e o matrimónio tornandos-o mero instrumento de criação. Mas a Igreja esquece-se de que matematicamente é impossível considerar uma das hipóteses, ou todo os indivíduos vivem apenas para procriar e em pouco tempo é impossível habitar este planeta, ou se sujeita o crente à abstinência e em pouco tempo extinguem-se comunidades. É bem de ver que a teologia católica não alinha com a Teoria Populacional Matlhusiana. A procriação não pode ser usada como arma de arremesso, tanto mais que exige ser cuidadosamente pensada nos dias que correm. Porque a pobreza se reproduz pelo nascimento, porque a irresponsabilidade é cada vez mais um factor de risco na criação e educação das crianças (vejam-se as recentes notícias de quase-infanticídios). § Por outro lado quem enfatiza o uso do preservativo cai num erro muito grave, que é o de tranquilizar o senso comum para um problema que é ultrapassado por uma metodologia profiláctica pouco fiável. A sida surgiu numa época em que praticamente se erradicara as doenças contagiosas mortais, graças ao desenvolvimento das penincilinas e dos antibióticos. Augurava-se uma era dourada para a vida humana e de lá para cá já se conceberam medicamentos para combater doenças 100 vezes mais perigosas que a sida, como as hepatites e outras. No entanto, ainda existem estranhas discrepâncias sobre esta mediática doença: uma franja da população, quando exposta, não é infectada, o processo de contágio não respeita os postulados de Koch e Evans, enfim, dúvidas a mais e soluções a menos para uma doença que já tem 30 anos. É perigoso reduzir-se o problema da sida ao uso do preservativo quando o que faria sentido era investir numa cura e não num fraco remendo - a não ser claro que a cura não sirva interesses económicos... § O que me deixa absolutamente revoltado é que que os moralistas que abriram a boca para condenar o Papa e a sua opinião sobre o uso do preservativo só se lembrem de África e dos seus habitantes nestas ocasiões - quando, afinal, perante a fome, a guerra e os genocídios, a sida parece ser o "menor" dos seu problemas. E por outro lado, preocupa-me que a Igreja volte a prescrutar o leito dos crentes, repescando na Idade Média e na Contra-Reforma uma certa política de confessionário que procurava saber de "acheganças por detrás", prática da molície, bestialismo e sémen derramado. Não é esse o caminho - o do sexo - para chegar ao coração dos Homens.
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