existem historiadores em Portugal. São quarenta, todos republicanos e de esquerda e acham que é um crime erradicar o feriado 5 de Outubro. Por uma questão de direito ao descanso. Está em causa o ataque ao lazer, antes da destruição da memória. Virá aí uma História do Lazer em Portugal? É que uma obra colectiva assinada por estes 40 historiadores podia resultar num best-seller. Estranho, estranho, é que estes doutos só saiam da pedra quando espicaçados por um líder - aquele velhinho poeta de Coimbra. Porque quando é preciso defender a classe, a disciplina ou a cidadania em geral nenhum deles deixa a catédra para vir falar à plebe que agora pretende defender.
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16 de dezembro de 2011
4 de dezembro de 2011
9 de novembro de 2011
"Enfins"
Só quem não trabalha em História, quem não tem de se deparar com empregos precários, quem não sente o que é ser-se desprezado quando se apresenta a alguém com uma licenciatura que não em gestão, direito, engenharia ou medicina, enfim, só quem não vive no fio da navalha para ser reconhecido ou respeitado é que não fica indignado ou mesmo enjoado com o que foi gasto nos últimos 2 anos em propaganda ideológica a propósito do Centenário da República.
Quando, por um lado, se fecham os centros de investigação das Universidade, se reduzem bolsas de estudos e se cortam nos apoios às edições científicas e por outro se gastam somas incontáveis de dinheiro em sinecuras, edições de luxo, exposições, tudo acrescido de um design de primeira água, apresentações sumptuosas pontuadas por cocktails e brindes, é que percebemos o quanto este país se revolve em interesses de grupelhos que pretendem e atingem o poder, manejando a seu bel prazer o erário público.
Nunca fui contra as comemorações do regime, embora as considere provincianas e bacocas tal como as de 1940, quando Salazar mostrava à Europa um país pobre mas alegre e virtuoso no seu Império de pacotilha. Compreendo que Portugal de 2010 se queira por em bicos dos pés para mostrar mais do que é, pretendendo enganar as agências económicas com a ideia de uma república centenária, cheia de valores e ideais que nunca cumpriu, não cumpre, e dificilmente cumprirá. Mas não aceito que se gaste sem olhar a meios, desviando do absolutamente necessário para outra áreas o dispensável. Que se celebre o regime e que alguns se orgulhem dele, pois empregou mais gente nestes 100 anos do que empregará nos próximos. Mas que se lembre de que a História não começou em 1910 e que os historiadores são pagos para escrevê-la e torná-la inteligível e não para mascará-la.
Quando, por um lado, se fecham os centros de investigação das Universidade, se reduzem bolsas de estudos e se cortam nos apoios às edições científicas e por outro se gastam somas incontáveis de dinheiro em sinecuras, edições de luxo, exposições, tudo acrescido de um design de primeira água, apresentações sumptuosas pontuadas por cocktails e brindes, é que percebemos o quanto este país se revolve em interesses de grupelhos que pretendem e atingem o poder, manejando a seu bel prazer o erário público.
Nunca fui contra as comemorações do regime, embora as considere provincianas e bacocas tal como as de 1940, quando Salazar mostrava à Europa um país pobre mas alegre e virtuoso no seu Império de pacotilha. Compreendo que Portugal de 2010 se queira por em bicos dos pés para mostrar mais do que é, pretendendo enganar as agências económicas com a ideia de uma república centenária, cheia de valores e ideais que nunca cumpriu, não cumpre, e dificilmente cumprirá. Mas não aceito que se gaste sem olhar a meios, desviando do absolutamente necessário para outra áreas o dispensável. Que se celebre o regime e que alguns se orgulhem dele, pois empregou mais gente nestes 100 anos do que empregará nos próximos. Mas que se lembre de que a História não começou em 1910 e que os historiadores são pagos para escrevê-la e torná-la inteligível e não para mascará-la.
Quando pensava que este regabofe acabar, ei-lo em jorro diário de eventos pagos e patrocinados por organismos públicos ou se não por estes, por Fundações como a de Mário Soares, generosamente subsidiada pelo Estado.
Vamos ser sinceros: já chega. Acabou. Não há mais nada para exaltar, comemorar ou louvar. Este "enfim,a república", bem podia ser o suspiro de cansaço de um regime que, para além de falido, está perfeitamente esquecido.
12 de março de 2011
O "baptismo" da presidência?
Eu já me envergonho mais do que me espanto com algumas pessoas deste país. Como é possível que os comentadeiros de serviço e demais politógos, tudólogos e opiniosos venham elogiar, ou sequer dar crédito às palavras do discurso inaugural do novo, e felizmente último, mandato de Cavaco Silva? A memória não é assim tão curta que ninguém se lembre das manigâncias daquele senhor enquanto Primeiro-Ministro? Basta ir buscar as capas do Independente para resgatar dum passado bem presente as estratégias de poder do cavaquismo. Mérito em vez de apartidarismo? Diz muito bem o senhor presidente, mas quando esteve à frente do governo, encheu ministérios e serviços públicos com boys e simpatizantes do PSD. Durante a sua governação parte do país, bem agarrada à fina camada de "ouropeu", distribuiu benesses a torto e direito, beneficiou determinadas classes, criando polvos com tentáculos bem extensos e cujas ramificações, lá se vão desgrilhoando, aos poucos, mas para dar lugar a ventosas de outra cor política. Esta coisa do Presidente da República emergir do passado das trevas ou do lamaçal político, novo e puro, é uma figura muito bonita, mas pouco credível. O ar sinistro do senhor Cavaco Silva, misto de Salazar e de Américo Tomás, lembra tudo menos a juventude e a mudança. Lembra-me uma década de desperdício, de destruição e de progresso insustentável. Infelizmente, o cargo de presidente da república, não confere o perdão dos pecados, nem a entrada no reino dos justos. O senhor Cavaco Silva NÃO TEM moral suficiente para tecer as considerações que teceu. É só mais um dos políticos que ajudou ao enterro económico e social deste país. Qualquer bênção ou lição que este senhor dê não deve ser tomada a sério.
25 de outubro de 2010
Birds of a feather flock together*
Publicada em Vias de Facto. Clique para aumentar.
A árvore genealógica acima publicada é um extraordinário documento sobre a perpetuação do poder económico e político em Portugal nos últimos 150 anos, entregue a uma burguesia liberal e económica, próxima da maçonaria. Esta nova aristocracia nada tem a ver com o conceito de aristocracia portuguesa do Ancien Régime, a qual, aliás, estava (como sempre esteve), nas vésperas do liberalismo, falida e totalmente dependente dos credores. Pelo contrário, os senhores das famílias Silva, Mayer, Espírito Santo e outras, construíram-se nos balcões da mercearia, conspirando contra a velha Ordem, segundo eles decrépita e avessa ao progresso. Mas como acontece com qualquer complexo mal resolvido, o objecto odiado é também o objecto do desejo e, nesse sentido, não foi preciso muito para que a velha Ordem fosse substituída por um novo estado de coisas, governado por esta oligarquia de antigos marçanos que acalentaram a ideia de República para o bom sucesso dos seus negócios. Os netos, bisnetos e trinetos desses senhores ainda aí estão, financiando a causa republicana, enquanto ela lhe for útil aos seus negócios. E ainda há quem se espante com isto.
* provérbio inglês, cuja tradução pode ser "pássaros da mesma plumagem acasalam entre si".
Publicado no Centenário da República.
Publicado no Centenário da República.
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