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5 de julho de 2008

Cortar a cabeça à História?

Maria Antonieta, de Erwin Olaf.


Duas notícias recentes, a da discussão da petição contra o Museu Salazar e a cabeça de cera decepada de Hitler, trazem-me esta ideia: porque é que, em vez de recusarmos admiti-los, não enfrentamos os nossos fantasmas? A História, mau gradoo ar de hobbie que lhe tentam imprimir, serve, quanto mais não seja, para recordarmos. Lembrar o que aconteceu de bom e tudo o que de pior a humanidade legou às gerações futuras. Esconder, ignorar ou propositadamente apagar da História os maus momentos, não só é uma má política - que acidifica relações e desafia grupos ideológicos susceptíveis - como significa um retrocesso educacional. Quando, daqui a 200 anos quisermos contar o Holocausto, quem irá acreditar nele? Sem Hitler, ou sem Salazar, é impossível contar a história toda. Favorecerá (não tenho dúvidas disso), esta lavagem da memória, o aparecimento de novos ditadores sanguinários. Eu, que sou francamente monárquico, não tenho nenhum problema que se comemore ou que exista um Museu da República. Já por outro lado considero impossível existir um «Museu da Monarquia», pois é impensável confinar a um edifício a História total de um povo. Mas certos regimes, como as jovens repúblicas (que precisam firmar-se pela educação ideológica) ou as ditaduras que devem explicar o que são e o que foram - são assim «objectos» a expor. A nossa juventude, já tão desinteressada da política, essa grande porca, não precisa que lhe escondam as asneiras dos pais e dos avós. A condescendência, para um país de mentes pobres como este, é o pior lenitivo que pode haver. Ponha-se, pois, a cabeça no nazi e construa-se o museu em Santa Comba que a boa educação não passa pelas estatísticas dos resultados dos testes de matemática e português - e a nossa classe política é bem a prova disso.

19 de maio de 2008

Museu Africano em Lisboa.

A ideia é do B.E. pela voz do Zé Fernandes. A opinião de Carlos Botelho, do Cachimbo de Magritte, aqui. O boom de museus em Lisboa não cessa. O resto do país vive de museuzinhos. Cada concelho que se preze tem um museu para expôr meia dúzia de cacos ou fazer, de quando a quando, umas exposições que não lembra a ninguém. Raramente (ou nunca, creio eu) se pensou em museus intermunicipais, museus regionais com uma POLÍTICA sólida de financiamento e com atitudes interdisciplinares e de abrangência social. São só salas de bibelots, abertas quando é preciso cortar fitas.

20 de fevereiro de 2008

Saudações.

Qualquer museu que neste país nasça, permaneça e eduque, não só é um feito extraordinário, como uma obra maior para a construção cultural de uma cultura que parece arruínada. Por isso saúdo o novo museu digital sobre Aristides de Sousa Mendes.