Acabo de assistir a uma pequena reportagem sobre a solidão, o abandono e a velhice em Portugal. Mães, pais, avós deixados, como lixo, em camas e corredores dos hospitais. Perguntam-me porque não acredito na Humanidade... é por situações como estas. O homem deixou de acreditar em si. Hoje só acredita em ícones voláteis, ideais vazias e nos direitos dos animais, causas que suplantam todas as outras. O homem é o lobo de si mesmo. Felizmente que acabará depressa.
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1 de outubro de 2010
1 de setembro de 2010
Teenage dream

"É uma certeza que o demónio apresenta-se por vezes na forma de pessoas não apenas inocentes, mas também muito virtuosas".
Rev. John Richards, século XVII
Eu tiro fotografias a pessoas. A conhecidos ou anónimos, o que inclui adultos e crianças. Faço-o, claro, sem implicar identificações não consentidas. E gosto, especialmente, de fotografar crianças pela sua espontaneidade, pela vivacidade, pelos sorrisos. É óbvio que a fotografia implica uma captação, a fixação daquele instante (parafraseando M. de Sá Carneiro) que é sempre tão íntimo e tão pessoal e por cuja razão o seu uso deve ser ponderado e correcto. Mas não posso deixar de ficar preocupado com as recentes notícias que dão conta de certas detenções ocorridas em Vilamoura e Moledo. Dois fotógrafos foram detidos após queixa de alguns pais. Segundo estes, os indivíduos actuavam de forma "estranha" e tinham na sua posse várias centenas de fotografias de crianças. Parece notório o crime, porém não posso deixar de considerar censurável que se actue perante este problema (o da exposição pública de crianças) com dois pesos e duas medidas. Todos os dias milhões de fotografias são despejadas na internet por crianças e adolescentes. A maioria delas apela para a exaltação da nudez e da sexualidade. Sites como o hi5, o netlog, o flickr e mesmo o facebook têm acessíveis fotografias francamente explícitas e não foram colocadas por terceiros, se não pelos menores nelas apresentados. E não sei se têm reparado como os videoclipes musicais sexualizam cada vez mais a criança/adolescente (um dos últimos vídeos de Katy Perry, intitulado Teenage Dream, é francamente paradigmático). Então, quem responsabilizamos? Doravante terei mais cuidado com as fotografias que executar. Talvez erradique a figura humana e volte ao abstraccionismo puro. Parece-me que neste novo tempo de caça às bruxas é cada vez mais complicado distinguir entre inocentes e virtuosos...
8 de setembro de 2009
Coisas em que ninguém pensa.
A histeria à volta da Gripe A, que se diluirá com a chegada do Inverno (época em que ninguém saberá se tem Gripe A, B ou C) serviu (valha-nos isso) para, de alguma forma, empurrar a economia que estava com sintomas de constipação. Como graças à globalização um espirro na China equivale a uma descida brusca dos gráficos em Wall Street, as farmacêuticas, no seu afã produtivo para produzir Tamiflu e vacinas suficientes para nos drogar a todos, contribuíram para a subida dos indicadores económicos - que estavam tão ou mais deprimidos do que a Manuela Moura Guedes quando confrontada com a notícia do cancelamento do seu Jornal das Sextas Feiras. § Bom, mas como não há bela sem senão, a campanha preventiva, profiláctica, publicitária, chamem-lhe o que quiserem, que enche as paredes de todos os serviços e lugares públicos e aparece ad nausea em todos os serviços noticiosos apela para uma lavagem desenfreada das mãos como forma de erradicar o vírus que se entranha nos dedos e em todos os lugares possíveis, como coisa agarradiça e peçonhenta que é. Mais lavagens significa mais uso de água, mais uso de detergente, mais químicos pia abaixo. Logo, aumenta o desperdício do líquido vital, aumenta o contágio das águas com químicos poluentes e o que dá com uma mão (a saúde individual) o tira imediatamente com a outra (saúde pública). Eu, que desde a Escola Primária ainda tenho presente os ciclos da água e da vida sei, por A mais B, que tudo flui e tudo regressa. Dizia Lavoisier e muito bem: nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Não vai ser preciso esperar muito para a Gripe A se transformar noutra coisa qualquer. Esperemos é que não seja uma coisa bem pior. Daquelas que nem as farmacêuticas e os políticos nos podem salvar.
25 de julho de 2009
"A Revolução das Energias Renováveis"

Picado daqui.
Eu sou totalmente a favor das "energias verdes", mas estas turbinas assustam-me. Fazem-me lembrar a Guerra dos Mundos ou os Tripods.
Elas são mesmo enervantes!
- Tenho a impressão que a qualquer momento elas vão... **ruir**
***sons das eólicas a ganharem vida e deslocarem-se***
- Oh! Não! Vêm nesta direcção!
- Al Gore, desgraçaste-nos! Foge!
- E agora?
- Alguém tem de pará-las!
- Mas quem?
- Afastem-se! (D. Quixote).
24 de julho de 2009
Remédios contra a nova pestenença (H1N1)
«Vistas as causas da pestilencia, agora ajamos de veer per que mode & como se deve homem de guardar da pestilencia & preservar se della, pollo qual deves de notar que segundo diz o grande medico david que primeiro se deve o homem de afastar do mal & inclinar se ao bem, que homem primeiramente ha de confessar seus pecados humildosamente, polla qual causa grande remedio he em tempo da pestilencia a sancta penitencia & a confissam as quaaes preçedem & sam muyto melhores que todas as mezinhas. Empero prometo te que muyto boo remedio ha fugir & mudar o lugar apeçonhentado. Mas porque muytos sem grande perda nom podem mudar o lugar & por ysso quanto for possivel taaes devem de evitar & de sy esquivar as causas de tal prodridom. E per conseguinte todo o coyto & toda a luxuria, & tambem o vento meridional ou sul: o qual naturalmente apeçonhenta.Fechem-se ergo as frestas ou genelas como dito he que vaam ou estam pera o sul atee hua hora depois do meo dia & abram se as que estam pera o norte & pera esta mesma causa evitaras & esquivaras todo o fedor, scilicet, de estrebarias, de campos, dervas & em especial donde ha hi corpos mortos & podres & tabem donde ha hi prodridom de agoas & fedor dellas [...]»
Regimento Proveitoso contra a Pestenença, Portugal, finais do séc. XV.
20 de maio de 2009
Antony, o iluminado.
Graças à intervenção providencial de uma amiga (e este é o meu agradecimento público para ti!) pude assistir anteontem a um concerto que aguardava há muito, pelo menos desde 2005. Nessa altura Antony and the Jonhsons apresentaram-se na Casa da Música. Eram já, internacionalmente, um caso raro de devoção. De facto não é para menos: a voz de Antony Hegarty é inigualável e a sua imagem um estranho caso de excentricidade inata. Mas tudo isso se anula na modulação da voz, do piano e ocasionalmente do saxofone e do violoncelo. O concerto, no Coliseu, foi extraordinário. E a presença de Antony em palco também. Pouco habituado a um público mais rufia, como o do Porto, respondeu a piropos, falou sobre Obama, referiu o seu paganismo e o conflito mais ou menos declarado com o catolicismo de infância. Não obstante, prevê a chegada de um Cristo feminino que andará sobre as águas e converterá o mundo a um amor universal. E não esqueceu de referir as preocupações a nível ambiental: se temos consciência de um problema somos responsáveis pela sua solução, disse. § Se a solução passasse por Antony com certeza que a sua voz chegaria ao âmago dos corações mais empedernidos.
29 de março de 2009
A propósito da visita papal a África: a Igreja e a Sexualidade.
A Igreja tem um papel fundamental na sociedade moderna. O papel da Igreja, enquanto instituição que zela por fundações de moral e ética, de solidariadade e fé, não pode ser ignorado, nem menorizado. A Igreja deve moralizar, deve contribuir para a construção de um mundo menos anárquico, em que as relações humanas não sejam voláteis, nem estéreis. A Igreja é um esteio indispensável do mundo contemporâneo. No entanto, a Igreja Católica não é dona da verdade, muito embora esteja assente em dogmas inabaláveis ou irrefutáveis. A Igreja deve acolher a divergência, deve debater, deve reconhecer que não tem razão quando efectivamente não tem razão. E eu, como católico, que acredita e se acolhe sobre a Igreja de Roma, tenho o direito a discordar, tenho o dever de discordar e ser ouvido sem que tal anuncie um ataque às suas orientações canónicas e teológicas. Portanto, direi antes de mais que me preocupo com uma Igreja cada vez mais assertiva em relação à sexualidade humana. Não me refiro à recente polémica do uso do preservativo - assunto que, quanto a mim, extravasa de longe os limites da compreensão e do bom senso de ambas as partes. A Igreja, pela boca do seu representante máximo, tem o direito a discordar com o uso do preservativo. Tal, visto pelo senso comum ou uma certa comunidade médica que acha que doenças como a sida ou outras dst's só se evitam pelo uso do preservativo, parece a maior das enormidades, mas não é. O que é facto é que nem o preservativo é seguro, nem constitui a arma máxima contra a propagação da doença. Não são os estados, nem Roma, nem as ONG's com o papel mais importante no combate às doenças. Quem deixa morrer tanta gente em África? É afinal o apelo do Papa "contra" o preservativo? Não. São as farmacêuticas que ganham dinheiro com a morte e com as doenças. Quem o negará? Quem, nos tempos que correm, ousa desvalorizar o papel dos lobbies das grandes empresas? § Ora, não obstante, nem a Igreja tem razão, nem os puristas e moralistas (que só o são por agressão à Igreja) que vêm clamar a favor do preservativo. Se não, vejamos: a Igreja, por razões teológicas (e não bíblicas), não concebe o desperdício do sémen. Este deve ser unica e exclusivamente aproveitado para a procriação. O acto sexual não deve envolver desejo ou concupiscência, apenas uma forma mecânica e biológicamente útil. Ou seja - sei que vou simplificar, mas vou dizê-lo - à luz da teologia o coito apenas serve a função até que seja criada vida. O acto sexual deve repetido até à fecundação. Depois disto torna-se obsoleto, dispensável e mesmo tabu, pois desde S. Paulo que a Igreja tenta refrear o desejo sexual e o matrimónio tornandos-o mero instrumento de criação. Mas a Igreja esquece-se de que matematicamente é impossível considerar uma das hipóteses, ou todo os indivíduos vivem apenas para procriar e em pouco tempo é impossível habitar este planeta, ou se sujeita o crente à abstinência e em pouco tempo extinguem-se comunidades. É bem de ver que a teologia católica não alinha com a Teoria Populacional Matlhusiana. A procriação não pode ser usada como arma de arremesso, tanto mais que exige ser cuidadosamente pensada nos dias que correm. Porque a pobreza se reproduz pelo nascimento, porque a irresponsabilidade é cada vez mais um factor de risco na criação e educação das crianças (vejam-se as recentes notícias de quase-infanticídios). § Por outro lado quem enfatiza o uso do preservativo cai num erro muito grave, que é o de tranquilizar o senso comum para um problema que é ultrapassado por uma metodologia profiláctica pouco fiável. A sida surgiu numa época em que praticamente se erradicara as doenças contagiosas mortais, graças ao desenvolvimento das penincilinas e dos antibióticos. Augurava-se uma era dourada para a vida humana e de lá para cá já se conceberam medicamentos para combater doenças 100 vezes mais perigosas que a sida, como as hepatites e outras. No entanto, ainda existem estranhas discrepâncias sobre esta mediática doença: uma franja da população, quando exposta, não é infectada, o processo de contágio não respeita os postulados de Koch e Evans, enfim, dúvidas a mais e soluções a menos para uma doença que já tem 30 anos. É perigoso reduzir-se o problema da sida ao uso do preservativo quando o que faria sentido era investir numa cura e não num fraco remendo - a não ser claro que a cura não sirva interesses económicos... § O que me deixa absolutamente revoltado é que que os moralistas que abriram a boca para condenar o Papa e a sua opinião sobre o uso do preservativo só se lembrem de África e dos seus habitantes nestas ocasiões - quando, afinal, perante a fome, a guerra e os genocídios, a sida parece ser o "menor" dos seu problemas. E por outro lado, preocupa-me que a Igreja volte a prescrutar o leito dos crentes, repescando na Idade Média e na Contra-Reforma uma certa política de confessionário que procurava saber de "acheganças por detrás", prática da molície, bestialismo e sémen derramado. Não é esse o caminho - o do sexo - para chegar ao coração dos Homens.
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