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10 de julho de 2017

Incongruências de ontem e ...de hoje.

«Veja-se os republicanos no seu periodo de força sympathica, venho a dizer quando ainda não tinham mostrado essa ancia do poder sem escrupulos que lhes trouxe aos annaes o regicidio, e quantos hymnos á gloria do Buissa depois revelaram esse «partido» avançado, adversário da pena de morte [...]»

Fialho de Almeida, 1909.
(Em prefácio a Chouzal, Bernardo, cónego - «Regícidio e Regnicídio: o crime do Terreiro do Paço». Lisboa: [Livraria Ferreira editora], 1909.

6 de março de 2012

No tempo do brio.


Fonseca, Simões da- Diccionario Enciclopedico da Lingua Portugueza. Rio de Janeiro/Paris: H. Garnier, [1909].

26 de fevereiro de 2012

O Caso Urdangarin.

A monarquia em Espanha, como qualquer ideologia, é um problema de nacionalismos. Sem monarquia, Espanha não existe e isso, como é óbvio, agrada a uma maioria que deseja dividir para reinar. O caso Urdangarin é um excelente exemplo de bode expiatório. Não havendo implicações directas ao rei que, como é óbvio, é o chefe de estado e a quem cabe a representação do país, o genro é o melhor rastilho pelo qual, de momento, se prepara o assalto à coroa.
Algumas centenas de manifestantes, diz a comunicação social, foram indignar-se junto ao tribunal onde o Duque de Palma foi hoje ouvido. "Manifestantes, convocados por la organización independentista Maulets, los Joves d'Esquerra Unida, Unidad Cívica por la República (UCxR) y la asamblea de estudiantes de la UIB". É justo, todos os países têm contristas - se é numa república, monárquicos, se numa monarquia republicanos. Mas é curioso que muitos dos cartazes filmados pelas televisões mostravam frases que iam além da simples manifestação: estes protestantes mais do republicanos, são antimonárquicos. Isto é bem revelador de incapacidade de diálogo destes grupos com o mainstream político e ideológico. Duvido que, para eles, a própria ideia de sistema republicano lhes sirva.
E não está em causa saber se o genro do rei é culpado ou não. Isso é o mesmo que imputar culpas ao presidente de uma república se a mulher ou a filha estiverem envolvidas em negócios ilícitos. Dever-se-ia extinguir o regime por essa causa?
Depois das acampadas, particularmente expressivas e em moda por terras de Espanha, criou-se aquela ilusão de que a partir de agora é mais fácil derrubar pessoas e regimes. Será por acaso que isto sucede no país que ensaiou a devastação da Europa nos anos 30 e 40 do século passado?
Creio que não.

27 de abril de 2011

Sorry, old republican chaps!



Pode ser um exagero, pode ser uma lamechice, pode ser excessivo em tempos de crise. Mas a euforia não se esconde, só os mais tristes não gostam de uma história de amor e dinheiro gera dinheiro. Lamento muito pelos republicanos que nos dias que correm espumam mais raiva do que o habitual mas, caros amigos, a cerimónia vais ser transmitida a biliões de pessoas, milhões vão estar presentes e, provavelmente a maior parte do mundo (que é feminina) queria estar no lugar da Kate. É certo que segundo as últimas sondagens 10 por cento dos britânicos queria ter uma república, mas acho melhor não passarem pelo vexame republicano da Austrália que viu negado os seus "democráticos" intentos pelo referendo de 2005. E certo é também que nestes dias aumentam os clamores moralistas sobre os gastos daquela gente que vive o conto de fadas. Porém, no país de Oscar Wilde, toda a publicidade, mesmo a má, é boa. Sugiro aos que nunca sonharam que no próximo dia 29 desliguem a televisão, a rádio e que nos dias a seguir não leiam jornais. Vai ser doloroso.

7 de janeiro de 2011

Recortes: MEC


Como sempre, MEC põe os pontos nos ii. Com calma, sabedoria e timing. Pena que grande parte do país se reparta entre um fanatismo (e o fanatismo é sempre ignorante) e a lassidão. Embora estes atributos não sejam a causa do nosso atraso (sobre esse devem pedir-se contas às elites), é difícil preparar este país para um bom rumo sem uma educação fundamentada e crítica. Peço esperança para as próximas gerações. Eu já não a tenho.

26 de setembro de 2010

Série Retratos Régios #2



Pio XII envergando a Tiara Papal.

14 de junho de 2010

Imperat ut serviat

COVARRUBIAS, Centuria I, Emblema 84

[Gobierna para servir]

Que pensays que es reynar? servir muriendo,
Los días, y las noches trabajando,
Y quando vos cómeis, o estáys durmiendo,
No comer, ni dormir, y estar velando:
El Rey parte es Léon, feroz y horrendo,
De quien el mundo todo está temblando,
Y manso buey, del medio cuerpo abajo,
Nacido para el yugo, e el trabajo.


COVARRUBIAS, Sebastián - Tesoro de la lengua castellana o española [imp. 1611]. [Ed. de Martim de Riquer de la Real Academia Española]. Barcelona: editorial Alta Fulla, 2003

* Que pensais que é reinar? servir morrendo,
os dias e as noites trabalhando
e quando vós comeis, ou estais dormindo,
não comer, nem dormir e estar velando:
O Rei parte é leão, feroz e horrendo,
De quem o mundo todo vai temendo
E manso touro, de meio corpo abaixo,
nascido para o jugo e o trabalho.

12 de maio de 2010

Uma Igreja Republicana?




O Almanaque Republicano, num inaudito momento de pirrice, veio sublinhar as palavras recentes de Bento XVI: "Nos cem anos da República, as minhas felicitações e a minha bênção a Portugal inteiro, país rico em humanidade e cristianismo". Parece-me que a mensagem é clara e tanto os republicanos como os monárquicos devem entende-lâ: a «César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mateus 22:21).
A Igreja tem, desde o início das Comemorações oficiais deste Centenário da I República, deixado passar uma mensagem que se torna agora mais forte: a de que o 5 de Outubro de 1910 foi, para o seu corpo institucional, uma libertação. E, em certa medida, foi-o, mas é necessário contextualizar tal afirmação, compreendendo o antes e o depois.
O antes é um Liberalismo que sequestrou a Igreja tornando-a uma Secretaria de Estado. Não era o Regalismo do Absolutismo, era antes o Burocratismo Mação a laicizar a Igreja e a utilizá-la como extensão do seu domínio subterrâneo.
O depois é humilhação, a perseguição e a espoliação. Se isto é liberdade, bem, sê-lo-á pelo fogo. A Igreja não pode, nem deve esquecer que a I República constituiu uma hecatombe que dura até aos dias de hoje: o estado do património religioso das nossas catedrais, igrejas e ermidas em ruínas, assenta sobre o sequestro e a nacionalização dos bens eclesiásticos, em 1911.
Porém, o mais preocupante, quanto a mim, como Católico que sou, é que sob a Concordata de 1940, se tente passar uma esponja sobre os 30 anos antes e se transforme a II República (1933-1974) no paradigma dessa tal libertação e de uma sã convivência.
E hoje, nesta III República que tem como porta voz, de novo, a Maçonaria, espanta-me que a Igreja reclame liberdade quando volta a ser refém do Estado, através dos seus às suas IPSS, católicas, às obras de cariz paroquial, da tutela conjunta de património, etc.
Espanta-me mais: que a Igreja se esqueça, como em graça referia, há uns anos atrás, o escritor iguel Esteves Cardoso, que o Pai Nosso começa com a frase: «santificado seja o Vosso Reino» e não «santificada seja a Vossa República».

Também publicado aqui.

1 de março de 2010

Citações #2

«People who believe in the great benefits to having a non -political monarch as our Head of State do not have a certain look or certain political affiliations, they are a diverse bunch.

For the media, however, everyone can, and must, be stereotyped. Monarchists are, to the media, folks who see themselves as part of the aristocracy, drive a Bentley and talk with a plum in their mouths, yet the main vote against a republic in 1999 came from the blue collar Labor electorates! With such a diverse bunch of people supporting the Constitutional Monarchy, a few might fit the media stereotype but that is a very long way from the reality.»*

* As pessoas que acreditam no enorme benefício de ter um monarca não-político como Chefe de Estado não tem visões iguais, ou filiações políticas semelhantes - eles são um grupo diverso.

Para a comunicação social, no entanto, todos podem, e devem, ser estereotipados. Monárquicos são, para a comunicação social, pessoas que se vêem como parte da aristocracia, que conduzem um Bentley e conversam com uma ameixa na boca, mas a votação principal contra a república em 1999 [na Austrália] veio do eleitorado Trabalhista de colarinho azul! Com um grupo tão diverso de pessoas que apoiam a Monarquia Constitucional, algumas podem encaixar-se no estereótipo dos media, mas que está muito longe da realidade.
»

A ler aqui.

24 de janeiro de 2010

Colaborações literárias

Não posso deixar de salientar e agradecer a habitual presença do amigo e leitor João de Castro Nunes que presenteia o Oblivário com notáveis comentários. Permita-me que, de quando a quando, vá apresentando alguns dessas interessantes observações, como esta:

RAZÃO E SENTIMENTO

Não é questão de mera ideologia
optar pela república electiva
ou pela hereditária monarquia
ou qualquer outra forma alternativa.

Cada sistema tem suas virtudes
e suas pontuais perversidades,
estando em causa mais as atitudes
que a natureza das modalidades.

À falta de argumentos concludentes
em contra ou a favor de alguma delas
deixemos de forçar as nossas mentes,

dando a palavra, acima da razão,
perante estas vertentes paralelas,
à voz sentimental do coração!

JOÃO DE CASTRO NUNES

Sensibilidade e bom senso: a monarquia segundo Alexandre Herculano




«Olhamos impassivelmente para as doutrinas republicanas, como olhamos para as monárquicas. Não elevamos nenhuma a altura de dogma. Não nos cega o fanatismo, nem perguntamos qual delas tem mais popularidade. É já tempo de examinar friamente, e de discutir com placidez, qual dos dois princípios pode ser mais fecundo para assegurar a liberdade e, depois da liberdade, a ordem e a civilização material destas sociedades da Europa, moralmente velhas e gastas. Persuadidos de que a monarquia, convenientemente modificada na sua acção, resolverá melhor o problema, preferimo-la sem nos irritarmos contra os seus adversários; sem os injuriarmos, sem acusar as suas intenções, recurso covarde de quem desconfia da solidez das próprias doutrinas. A nossos olhos a monarquia existe pelo povo, e para o povo, e não por Deus e para Deus. A existência de um poder público, de um nexo social, é o que se estriba no céu, porque a sociabilidade é uma lei humanitária. A revelação divina confirmou este facto achado também no mundo pela filosofia política. “Por mim”, disse a voz do Senhor, “reinam os reis, e os legisladores promulgam o que é justo”. A sabedoria suprema supôs a autoridade na terra: não curou de que fosse só um que a exercesse, ou que fossem muitos. Aprendamos a tolerância política nas divinas páginas da Bíblia.»

HERCULANO, Alexandre – Opúsculos. Tomo I. Questões públicas: política. Lisboa: Livraria Bertrand, 1983, pp. 267-268

Publicado aqui.

20 de janeiro de 2010

A Monarquia, por Alexandre Soares Silva


Um dos mais interessantes textos sobre o que é a monarquia, que não resisto a transcrever:

"Que espécie de pessoa se sente repelida pela monarquia? Escute: começamos todos monárquicos. Toda criança começa monárquica, se lhe explicarem o que é monarquia. Afogue num tanque a criança que for republicana. Seu filho de cinco anos é republicaninho? Mata.
Compreendemos a monarquia instintivamente. É por isso que contos de fadas têm reis e rainhas e não presidentes. Os irmãos Grimm teriam ataques de horror ante a visão de um único presidente sul-americano saindo de uma floresta. Uma coroa, um cetro: um bebê é capaz de perceber a glória disso. Acredito que até alguns animais são monárquicos, e que ursos e tigres têm alguma compreensão que devorar um rei é diferente de devorar um presidente, e melhor.
Há na história da humanidade uma lenta propensão à chatificação de todas as coisas. O que move a história é isso, e não o desejo de conforto, riqueza, poder. O chato quer deixar as coisas mais chatas. Ele não vai dizer isso, e ele nem sabe disso, mas é isso. E os que não são chatos não têm a paciência necessária de se oporem aos chatos – de enfrentarem sua minunciosa e incansável marcha rumo à chatice organizada e mundial. Todo chato é um milagre de perseverança. Não há chato tão cansado que não possa continuar atuando. O chato vence sempre.
E o que os chatos mais odeiam são os contos de fadas: a visão da vida que tinham aos cinco anos lhes parece a mais desprezível do mundo, e seus dias passam a ser dedicados à destruição disso. Ao longo dos séculos, conseguiram muitas vitórias, os chatos. A história da humanidade é a história da lenta substituição dos contos de fadas pelo romance sociológico moderno: Rubem Fonseca contra os irmãos Grimm.
Começamos vivendo em contos de fadas, em um mundo violento e terrível e algo miraculoso. Mas os chatos do mundo foram odiando um a um os elementos de contos de fada, e acabando com eles um a um. Nos contos de fada há monstros: eles se esforçaram para acabar com a crença em monstros. Nos contos de fadas há reis e rainhas: eles acabaram com a monarquia. Nos contos de fadas há condes, condessas, marqueses: acabaram com a aristocracia. Nos contos de fadas há pobres, vendendo fósforos na neve ou trocando vacas por feijões mágicos: e até com os pobres querem acabar, bando de republicaninhos socialistazinhos pro-quotas anti-globalização paspalhos.
Acabada a monarquia, a aristocracia e a crença no sobrenatural, olhem os chatos continuando sua luta contra tudo o que é way cool: contra a pornografia, contra videogames, contra a televisão (semana-sem-TV my ass, antes um milênio sem vocês), contra a violência no cinema, contra o cinema americano, contra quadrinhos, contra a Inglaterra primeiro quando ela era the coolest place, e contra os Estados Unidos depois, quando eles se tornaram the coolest place; contra o enredo no romance, contra a melodia na música, contra a rima na poesia, contra a figuração na pintura, contra a beleza nas artes, contra lutas de vale-tudo, contra boxe, contra drogas, contra expressões em outras línguas, contra o consumismo, contra o elitismo, contra John Wayne, contra a riqueza, contra a pobreza, contra viagens dispendiosas e desnecessárias à lua, e contra, sim, o Vaticano.
Olham a beleza do Vaticano e pensam no dinheiro que custou e custa, e tudo que conseguem pensar é que é preciso pôr aquilo abaixo para construir um templo positivista – baldaquinos sendo substituidos por pilotis – onde se cultue uma nova religião horizontal e humanista, e mais um adjetivo qualquer que era tão chato que eu nem ouvi. Ah, sim, igualitária. Sure. Uhuh.
O Vaticano é uma das últimas manifestações na terra da glória dos contos de fada. Os inimigos do Vaticano sabem disso, eles concordam: vivem de comparar a religião a “contos da carochinha”, para eles o termo mais desprezível que concebem. Há uma única guerra contra os contos de fada, que é uma guerra contra Deus; começada no jardim de infância pelas crianças mais chatas do mundo.
Não vão sossegar enquanto houver uma única coisa interessante sobre a terra. Irão dentro das casas apreender o último autorama, o último nunchaku. Escrevem manuais de economia nos quais apresentam o dilema da escolha entre fabricar canhão e fabricar manteiga. Por favor, para quem isso é um dilema? Quer maior prova da sua infalível propensão à chatice? Quem não daria, alegremente, todos os seus potes de manteiga para ter um canhão em casa?"
Copiado daqui.

3 de janeiro de 2010

A História segundo o Bloco de Esquerda: terroristas ou galinhas?

[...] Jornal I - Para todos os efeitos, a Carbonária era uma organização terrorista...
Fernando Rosas: Não lhe chamaria assim... A expressão terrorista tem hoje conotações que não se adaptam exactamente à Carbonária. Punha bombas, realment
e. [...]

Fernando Rosas consegue dar um novo significado à expressão «pôr bombas». Ora se quem põe bombas não é terrorista, ou quem é terrorista não põe bombas, há anos que andamos enganados. Não eram terroristas, afinal. Eram galinhas que punham granadas e explosivos, em vez de ovos.

8 de dezembro de 2009

Dez milhões de monarcas.

Entretanto, dizem-me que haverá um recital de Natal no Paço de Vila Viçosa, «sendo utilizado para o efeito o Piano John Brinsmead & Sons, oferta de casamento da comunidade britânica residente em Lisboa para os Príncipes D. Amélia e D. Carlos». Desculpem parecer tão extremista, mas estas coisas enojam-me. Anda o país em bicos dos pés a comemorar e a exaltar os valores desta República quase centenar, podre, corrupta, sem ética e com muito pouco(s) valor(es), e de todos os lados saltam «comemorações régias»: lançamentos de biografias e conferências para onde confluem hordas de historiadores-detectives empenhados em descobrir o lugar de nascimento do primeiro rei deste país (que, por acaso, só por «acaso», até lhe deve a existência). Mas se perguntarmos a um destes senhores que vão a concertos de pianos outrora régios ou que dão muita importância a berços reais, o que acha do regime monárquico dirão que é um regime caro, despesista e moralmente indigno para uma sociedade moderna. A tão poucos se aplica, como aos portugueses, a expressão «ter o rei na barriga». Não queremos reis porque somos todos reizinhos, monarcas absolutos do nosso mundinho.

24 de outubro de 2009

#Sugestões (2)

I. Adeus à Era dos Jornais? Um velho tema, reciclado no The New Republic.
II. O regresso à Linha do Tua: o fim estará mesmo próximo?
III.O anúncio do nascimento do senhor D. Duarte Pio João de Bragança, herdeiro da Coroa de Portugal (1945).
IV. A tripla estrela de Saturno num quadro de Rubens.
V. Câmaras Municipais Portuguesas obrigadas a ter um plano contra a corrupção? Contra qual corrupção? [Ainda há dias um funcionário público me dizia que existem vários níveis de corrupção dentro das Câmaras Municipais, a «cunha» do Presidente da Câmara anula a «cunha» do Vereador que, por sua vez, anula a cunha do técnico administrativo, etc, etc. Faz lembrar aquela arenga revisteira: tudo rouba minha gente. É difícil acabar com isto...digo eu.]
VI. O debate Padre Carreira das Neves versus Saramago. Não foi uma luta épica, antes confrangedora, entre dois velhinhos em cavaqueira amena. Saramago sai a ganhar. A Igreja Portuguesa é muito branda e relaxada. E tem um problema que é o seu pecado capital maior: quer estar de bem com Deus e com o diabo. Quando perceber que isso não é possível será, talvez, tarde de mais. [Post scriptum: o Caderno Anti-Saramago tem, como é seu apanágio, uma magistral resposta à polémica. Uma resposta à altura, aliás, daquelas que o Prof. Carreira das Neves não conseguiu aplicar].

14 de agosto de 2009

Avante, Camaradas!

Esta história da mudança da bandeira do município de Lisboa pela de Portugal pré-1910, içada no mesmo balcão onde a cinco de outubro daquele ano foi proclamada a República veio esclarecer duas coisas muito importantes. A primeira delas é que no one gives a damn for the portuguese republic. É o mesmo que dizer que os portugueses estão-se nas tintas para a República Portuguesa. Salvo meia dúzia de pseudo-patriotas que apareceram nas várias peças jornalísticas, daqueles para quem o patriotismo máximo é pôr a mão sobre o peito quando toca o Hino nos jogos de futebol, para esses, a República é a Nação e, como tal, deve ser respeitada. Esquecem-se, contudo, que a nação não se esgota em 100 anos. Compreendo, porém, a exaltação desses pobres cidadãos que de História apenas conhecem o primeiro rei de Portugal, a cronologia da carreira do Cristiano Ronaldo e um ou dois acontecimentos maiores dos últimos 20 anos, talvez a Expo, em 1998, e o Europeu, em 2004. De resto, o acto - quanto a mim genial - de remoção temporária da bandeira do município que alguns consideraram uma ofensa (no twitter havia dois ou três repúblico-onanistas que batiam contra o teclado como se estivesse em causa a honra da mãe deles) foi uma demonstração de como os símbolos nacionais andam pelas ruas da amargura e de como o fervor republicano morreu pouco depois de 1910. Nos blogues havia gente insuspeitadíssima, de todas as idades, a comentar o quão bela era a bandeira de Portugal antes de 1910 (detalhes, claro, quando em causa está o futuro de um país, mas...), outros, dado o inusitado da situação, foram "comparar" regimes e, claro, chegavam à conclusão de que uma Europa essencialmente "monárquica" não pode estar errada (muito embora alguns fanáticos continuem a dizer que monarquia não é democracia. Porque no se callan?). Em suma, toda a publicidade é boa publicidade. Aliás, o Bloco de Esquerda sabe-lo bem, é uma das suas estratégias, entrar aos pontapés e urros em celebrações ditas "patrióticas" ou "nacionalistas" com lenços na cara e palavras de ordem (ou antes palavrões de ordem). O mais engraçado é que ninguém espera que eles sejam presos. É normal. São rebeldes. Em segundo lugar, ficamos a saber que, com este acto, e outros com que a ala monárquica do 31 da Armada nos tem já presenteado, inaugura-se um novo período na luta pela discussão da República. É bom que todos percebam que nós, monárquicos, não somos elitistas nem queremos chás dançantes, nem garden partys com tiques aristocratas e restauração de privilégios que nem fazem sentido hoje em dia, nem são a essência de uma monarquia parlamentar, plural e moderna. Aliás, a restauração dos privilégios de uma certa monarquia nunca poderia ombrear com os desta República Portuguesa, tal o número de benesses, cargos políticos e honoríficos que as instituições republicanas distribuem anualmente segundo interesses individuais e corporativos (ordens, comendas, tachos, etc etc). Por isso, pode o movimento 31 da Armada, e todos os que lutem por um Portugal melhor e mais justo, contar sempre com o meu apoio e, neste momento, com a minha solidariedade.