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20 de outubro de 2010

Conversa de táxi.

Na viagem de táxi de estação até à vila, a conversa do costume: que as cunhas dominam no já escasso mercado local de emprego; que o executivo municipal, de uma forma ou de outra, premeia e pune os que são (ou fingem ser) da sua cor política ou os que, pelo contrário (poucos) teimam em remar contra a corrente. Por outro lado, que há quem não queira trabalhar, que se passeie ao domingo com a melhor roupinha da semana, que frequente sítios públicos para afirmar estatuto que não possui e gastar dinheiro que não tem. Vim o caminho todo a ouvir esta conversa politicamente incorrecta. O género de afirmações que, em Lisboa, os tecno-socratas negariam, benzendo-se três vezes. A bem ver, no interior a crise nunca deixou de existir, pelo simples facto de que, aqui, nunca deixou de haver crise. É um modo de vida, perfeitamente ajustado às comunidades que se habituaram a viver com pouco, fingindo muito.