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24 de maio de 2012

A sanha.



A dialogar, prefiro fazê-lo com direitistas laicos ou com esquerdistas ecuménicos. A direita religiosa, seja ela católica, muçulmana ou judaica é frequentemente proselitista e fanática. E a esquerda ateísta muito perigosa. Por isso desconfio do servilismo de uns e outros, ao serviço não se sabe muito bem do quê - talvez do desejo doentio de ambas as partes em esfregar na cara dos outros frustrações íntimas. É um pouco como aquele senhor, de cravo ao peito, sempre aguerrido, a citar a encíclíca ateísta contra a ICAR - acrónimo que os mais raivosos incréus fazem questão de chamar à Igreja Católica - que no seu curriculum exibe com um certo brio o ter sido denunciado à PIDE por um padre. Lembra alguns dos mais notáveis anticlericalistas dos séculos XIX e XX português, filhos de clérigos (como Aquilino Ribeiro), que tanto se empenharam em tentar resolver os fantasmas pessoais, obrigando os outros a lutar contra os seus próprios moinhos de vento. Todavia, do lado oposto há indivíduos tão ou mais complexados. Sem querer citar nomes, mas citando-os, lembro-me do João César das Neves (que ajuíza cinicamente sobre almoços pagos), o Carlos Santos (cuja memória vem a ser ressuscitada agora), o Orlando Braga ou o Alexandre Pinheiro Torres. E para que não se diga que este é um mundo de homens, a Isilda Pegado, que de vez em quando lá aparece para ser do contra. Eu até acredito em boas intenções, mas a maioria destes e de outros nomes defende coisas muito pouco cristãs. Desde logo contraria o ideal de Amor ao próximo. Refugia-se numa espécie de conservadorismo a coberto de questões como o Aborto e até mesmo o Divórcio (assunto que a Igreja Católica já resolveu desde o Vaticano II). Arrogam-se a falar em nome de uma certa Igreja (e acredito que alguns o façam na realidade) mas raiam o ultramontanismo e o anacronismo numa instituição tão plural que acolhe Franciscanos e Jesuítas. Eu não quero crer, embora já o tenha aventado, que a Igreja deseje estar de bem com Deus e o diabo, procurando receber as benesses a que julga ter direito da República Portuguesa e depois a ataque no concernente a questões do foro sexual. Se o faz, não devia. Sobretudo usando alguns leigos que fazem dos seus blogues autênticos púlpitos. 

19 de agosto de 2011

Destruir, não discutir.

O que se passou em Madrid ontem e anteontem não é uma questão de laicidade. É uma contenda ideológica levada ao extremo por quem, apenas, entende a linguagem da destruição.
Se a Igreja já destruiu? Claro que sim. Infelizmente. Tenta agora construir e reconstruir-se.
Mas aqueles que a acusam, ou que acusam a religião de ser destrutiva fazem-no com pedras na mão.
Do alto da sua arrogância recusam-se entender, discutir ou submeter-se, não à fé, mas à razão.
É que o trágico de tudo isto não é a contestação, mas o âmago da contestação: combater só por recusar servir, só pela ideia de que existe um inimigo tradicional (em suma, a autoridade) que é necessário destruir, retira qualquer validade ao acto.
De resto, se perguntássemos a algum daqueles jovens que exibiam símbolos e objectos de ódio contra a Igreja ou o Papa o que estava ali a fazer, talvez tivéssemos a constatação de que muito daquele discurso se fundamenta sobre areia...
Não auguro um futuro brilhante para esta juventude que se empenha em destruir em vez de construir.

31 de outubro de 2010

Santificada seja a vossa República!



No último ano temos sido bombardeados com propaganda massiva sobre as vantagens de termos uma República. De como o regime, neste centénio, levou o país ao progresso, elevando Portugal, entre todas as  nações, ao modelo paradigmático de supra-desenvolvimento. E, muito embora, todos os dias a comunicação social contradiga este paradigma, certo é que muitos milhões foram gastos para refundar a ideia e a própria República passando uma esponja sobre o conflituoso e quase anárquico período de 1910 a 1926, e obliterando a memória do Estado Novo, já não considerada II República (mesmo apesar da Constituição de 1933 assim a designar), mas um triste parêntesis ditatorial de apenas ...48 anos! Talvez, se vivêssemos numa monarquia, a mesma quantia fosse gasta em exaltações. Mas para um regime que se arroga a uma sobriedade que os reinos não possuem, tais comemorações não são apenas censuráveis, são um acto criminoso.
Por outro lado, uma certa historiografia e um certo jornalismo têm colaborado nesta exaltação republicana. A RTP não faz mais do que o seu serviço. Tem-no feito desde a sua existência, ou seja agradar a quem está no poder, mais ou menos controlada politicamente pelo regime e pelos governos que por ele vão passando. Os seus funcionários são marionetas dos governantes. Nesse aspecto, as séries romanceadas que a televisão pública lançou sobre a pretensa "História" da República foram bem o testemunho da manipulação dos factos e a exaltação de alguns actores dessa épocas, ou seja, em resumo: os monárquicos eram os maus e os republicanos, claro, os bons. Segundo guionistas e alguns historiadores é impossível de fugir a esta trama. Não contentes, depois da republicanice  viral aguda que contanimou a nossa historiografia, a nossa política e os media faltava convencer-nos que a Igreja Católica era, afinal, uma peça essencial desse enorme puzzle chamado república portuguesa. Com o documentário Republicanos, graças a Deus! a RTP desembaraçou-nos, finalmente, desse pesado preconceito ideológico que opunha republicanismo a clericalismo e ficamos a saber que a separação entre a Igreja e o Estado foi uma libertação e que nunca as relações entre a Santa Sé e Portugal foram tão cordiais como depois de 1910. E obreiros do regime libertador alguns padres, quais arautos da liberdade, que odiavam o trono e urdiam desejos para beijar o barrete frígio. Isto é uma boutade, claro, para quem conhece um mínimo de História Religiosa e História Contemporânea de Portugal. Mas ainda assim, a RTP e os Rosas &; C.ª Lda., vão fazendo dos portugueses burros e de alguns pobres, vendidos. A Igreja, claro, faz como sempre fez: mudam-se os regimes, mudam-se os amigos. E talvez compreendamos que à Igreja agradasse andar de mãos dadas com a República Portuguesa. Sobretudo com a Segunda. Afinal as confiscações de 1911 foram quase todas devolvidas pelo Estado Novo e o catolicismo continua a ser largamente apoiado pelo regime. Com tão cimentada amizade talvez até um dia destes, numa eventual reforma do catecismo, venha uma nova oração ao Padre Novo, dirigido não ao Seu Reino, mas à Sua República.

22 de outubro de 2010

Já dizia o sapateiro de Braga...



Ao que parece a Câmara Municipal de Lisboa gastou mais de 200 mil euros com a celebração eucarística e a vinda do Papa Bento XVI. É bom que tudo fique bem esclarecido, quer do lado da edilidade, quer do lado da Igreja Portuguesa, que se comprometeu a assumir, sozinha, os custos da Santa Missa. Não cabe ao Estado Português financiar actos de qualquer credo religioso, mesmo que esse credo seja a religião mais predominante em território nacional. O mesmo se aplica a actos que não interessem ao bem comum, como recepções oficiais de ditadores ou reuniões cujos interesses políticos são excêntricos ao regular funcionamento do país. Nestas coisas deve imperar a clareza e o bom senso. Eu sou católico, mas, da mesma forma que não gosto de ver a Igreja a espicaçar campanhas políticas e ideológicas, não aprecio que a República Portuguesa patrocine celebrações religiosas. E nem quero pensar que em ano de Centenário da República, a Igreja ande aos abraços ao regime por umas esmolas.

14 de outubro de 2010

Citação do dia.

"Uma das boas notícias da semana é o fim da ambição da direita gay (em relação a uma possível candidatura a Belém). A direita gay é aquela direita que só reage a um assunto: o casamento gay. Impostos inconstitucionais? Não. Mentiras de Sócrates? Não. Reforma do Estado Social? Não. Esta boa gente só reage publicamente quando o assunto é o casamento gay ou o aborto. Estavam zangadinhos com Cavaco, e queriam tramar Cavaco, até porque a snobeira social ainda está activa contra o homem que veio de uma aldeia algarvia."


Nem mais. Essa Direita espicaçada pela Igreja, em ano de Centenário tão republicana e tão socialmente preocupada, só aparece para fracturar os temas fracturantes e não serve para mais nada. Muitos deles, depois de deixarem a sacristia onde vivem metidos, até devem tomar uns copos nas lojas maçónicas e acolitar socialistas nas juntas de freguesias, câmaras municipais e demais institutos públicos. Ou a Igreja começa a escolher bem as companhias e os porta-vozes, ou aquela coisa de estar de bem com Deus e com o Diabo começa a virar-se contra si.

26 de setembro de 2010

Série Retratos Régios #2



Pio XII envergando a Tiara Papal.

A Igreja grita: Viva a República!


Sempre teve razões para isso, afinal: FREIRE, João Paulo (Mário) - Homens do meu tempo. Impressões psychopathologicas. Notas ineditas e dados bibliograhicos. Porto: Livraria Civilização, [1924], pp. 71-72.

25 de setembro de 2010

A Igreja Católica e os Regimes.



CABRAL, António – As minhas memórias políticas: Em plena República. Lisboa: edição do autor, 1932, pp, 476, 479 (década de 1920).

A propósito disto e disto, convém esclarecer que a política da Igreja em relação à política, sempre foi de habilidade quando toca a conciliação. Infelizmente sempre e unicamente a seu interesse. Hoje, os Historiadores da Igreja vêm dizer que 1910 foi um ponto de viragem, uma libertação. Muito bem. E o 25 de Abril foi, então, o quê?
Apetece recordar o poema do Ruy Belo: "nesta vida é que nós acreditamos"...

19 de agosto de 2010

Este querido mês de Agosto: notas soltas (2)

Ódio, Igreja e Bispos na I República.
Um artigo a ler para que não se pense, como pensam alguns Católicos, leigos e eclesiásticos, que a I República «libertou» a Igreja. A única que coisa que libertou foi o «Inferno» anti-cerical e odioso que hoje regressa em força, mesmo apesar de alguns bispos o consentirem com o seu beneplácito sobre as Comemorações acintosas do Regime. Sic Transit Gloria Ecclesia.

O gosto pela ignorância.

De como nos dias que correm é preferível explicar às crianças que a cena da luta no topo do Monumento às Guerras Peninsulares representa um jogo de futebol entre o Sporting e o Benfica e não a resistência da Ibéria ao invasor francês. De resto, que interessa saber que a Águia é historicamente um símbolo Imperial, se o resultado é o mesmo quando aplicado a um clube desportivo?

A Maçonaria e a Carbonária
A. Balbino Caldeira faz uma incursão pela análise histórica e documental sobre a participação de grupos secretos no derrube da Monarquia e termina com esta conclusão:

Todavia, os regimes não são, nem têm de ser, a sua génese. A República não é um regime iníquo por ter sido o resultado da insurreição maçónica, nem os novos regimes maus, em si, pela origem ou pelo carácter dos grupos ou indivíduos que promovem as revoluções que os criam ou pelos crimes que no seu processo são cometidos. Na mesma perspectiva, os regimes também não são propriedade dos grupos, ou dos homens, que lideram as revoluções que os constituem: devem ser o produto consolidado da vontade popular. A República e a Democracia, tal como o Estado português, não são propriedade da Maçonaria, nem de nenhuma sociedade secreta ou discreta. Portugal é do povo. Todo.

Concordo. Mas se a República nasceu torta, ainda se não endireitou. Primeiro a República Portuguesa não foi consolidada pela vontade popular. A Primeira foi desastrosa e a Segunda uma negação completa da Liberdade Individual e Colectiva. Referendo nunca houve, nem haverá. E quanto ao facto de a República, a Democracia ou o Estado não serem propriedade de grupelhos secretos, não posso concordar. Basta olhar em redor de nós: Justiça, Comunicação Social, etc são geridos por homens e por grupos. Com interesses. Neste caso e cada vez mais o todo é de partes.

A obra gloriosa, bla bla bla da República.

Nesta estória da República, em ano de bambochatas, todos têm algo a dizer e a opinar. Os escaparates estão cheio de novelas, romances, ensaios, reedições, edições vulgares e de luxo. Nunca se escreveu tanto sobre o republicanismo em Portugal. Mas se a maioria vai e vem, existem duas vestais que guardam o fogo sagrado da República Portuguesa no seu coração. São da velha guarda, de pele ressecida, óculo forte e punho cerrado. Não ouso dizer o nome de tais sacerdotisas, mas não posso deixar de louvar-lhes a dedicação. Uma dessas velhas parcas escreve hoje um artigo sobre a qualidade dos chefes suicidas da revolução de Outubro, a outra escreve qualquer coisa amanhã.

A conversa do pobrete e do alegrete
Tristemente hedionda este discurso de Mendes Bota sobre as qualidades popularuchas de Pedro Passos Coelho. Deve ser por isso que o PSD está cada vez mais miserável. Triste sina.

Nota final:
É curioso como os pelos da opinião blogueira se eriçam todos ao mesmo tempo e no mesmo sentido quando surge a grande discussão sobre os escaparates da comunicação social: incêndios, escolas, etc e ninguém pára um bocadinho para pensar que as coisas nem sempre são a preto e branco. Que há incêndios importantes para a renovação de ecossistemas (quando não coloquem a vida de humanos em risco), que há escolas cujo destino é esse, o fecharem por faltam de alunos e por ausência de um planeamento social e urbanístico adequado aos últimos 30 anos. Estou a ser simplista, eu sei. Mas se, em vez de canalizarmos a fúria a quente para os executores, pensarmos um pouco antes, talvez cheguemos a esse estádio que levaria a Humanidade a melhor caminho: o da serenidade.

23 de julho de 2010

A avaliar pelo ódio disfarçado e pelo nervosismo que as palavras certeiras de D. Carlos Moreira de Azevedo causaram entre políticos e bloguers, a mensagem foi certa e justa. Muitos engoliram em seco, outros vieram com a proverbial conversa do costume: a Igreja é rica e poderosa, vive rodeada de luxos, etc. Para lhes explicar os tais luxos tínhamos que estar ao mesmo nível de conhecimento - o suficiente pelo menos para discutirmos História de Arte e Teologia. E como me cansa parecer apologético, sem o ser efectivamente, a tentar mudar as consciências, não pelo fanatismo, mas pela razoabilidade, direi apenas que muito me aprouveram as palavras de D. Carlos Moreira de Azevedo que não são uma mensagem "não olhes para o faço, ouve apenas o que eu digo", mas uma mensagem clara à classe política, ostensivamente falsa, ostensivamente hipócrita e ostensivamente esbanjadora em palavras e dinheiro. Esta lógica partidária revolve-se na autofagia do costume: acima dos cidadãos está o partido e abaixo deste pouco interessa. Porque havemos, pois, pagar uma crise provocada pelo topo? Por que razão hão de as bases suster para sempre a incompetência dos maus líderes? Apelar, como fez D. Carlos, à manifestação é pouco. Há demasiado dinheiro a entorpecer as vozes deste povo, infelizmente. Demasiados "subsídio-votos". Enquanto a partidocracia governar em nome da democracia, nada feito.

31 de maio de 2010

Sublinhados:

«Não pretendo fazer qualquer ataque à Igreja, nem aos católicos, cuja educação e valores me marcam profundamente desde que nasci e durante toda a minha vida. Apenas considero que um católico que queira preservar os seus valores, deverá fazê-lo por si e nunca pedindo a intervenção centralizada de um estado protector. Considero até que os católicos ganhariam com uma percepção menos estatizante da política. Se ancorassem menos no estado. Ganhavam os católicos, independência e força. Ganhava o país em liberdade e dinamismo.»

A ler, um texto de André Abrantes Amaral (que, de resto, vai de encontro ao que dissemos aqui e aqui)

16 de maio de 2010

«Do Bem, da Verdade e da Beleza»

Visita apostólica de Sua Santidade Bento XVI a Portugal
12 de Maio de 2010
Encontro /Cultura – Centro Cultural de Belém
N.R. (c)


Estive em Lisboa, na missa do Terreiro do Paço e tive a honra de ser um dos participantes no Encontro / Cultura, que acolheu SS. Bento XVI com uma ovação em pé, num impressionante testemunho da consideração de homens e mulheres da artes e da de Portugal pelo Sumo Pontífice e pela sua carreira intelectual.

Mas a minha maior satisfação foi, como Católico, poder receber no meu país a figura tutelar e parental do Bispo de Roma, sucessor de Pedro, representante da comunidade apostólica que, na Solidariedade e na Verdade sustentou a Palavra de Cristo e a levou aos quatro cantos do Mundo.
Todavia, não posso deixar de destacar duas intervenções do Encontro da Cultura. Naturalmente a do Santo Padre, mas também a de Manoel de Oliveira que tão sagazmente referiu: «As Artes desde os primórdios sempre estiveram estreitamente ligadas às religiões e o cristianismo foi pródigo em expressões artísticas depois da passagem de Cristo pela terra e até aos dias de hoje.» Como o podemos negar, se a maioria das criações do Homem foram voltadas para a busca do divino? Os caminhos para a Criação passaram sempre pela espiritualidade, mesmo quando a dúvida e o cepticismo assolaram o Homem em tempos de fraqueza. O que fazer com este património, hoje, que o ódio dos corações recresce em relação ao divino?

Parece-me que a resposta do Santo Padre é irrefutável: «Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza». É preciso continuar a criar mas é, acima de tudo, absolutamente necessário que desejemos ser melhores e que as nossas vidas, ao invés de serem paúis lamacentos, se tornem campos viçosos de vida.

Ambas as intervenções podem ser lindas aqui (Santo Padre) e aqui (Manoel de Oliveira).

12 de maio de 2010

Uma Igreja Republicana?




O Almanaque Republicano, num inaudito momento de pirrice, veio sublinhar as palavras recentes de Bento XVI: "Nos cem anos da República, as minhas felicitações e a minha bênção a Portugal inteiro, país rico em humanidade e cristianismo". Parece-me que a mensagem é clara e tanto os republicanos como os monárquicos devem entende-lâ: a «César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mateus 22:21).
A Igreja tem, desde o início das Comemorações oficiais deste Centenário da I República, deixado passar uma mensagem que se torna agora mais forte: a de que o 5 de Outubro de 1910 foi, para o seu corpo institucional, uma libertação. E, em certa medida, foi-o, mas é necessário contextualizar tal afirmação, compreendendo o antes e o depois.
O antes é um Liberalismo que sequestrou a Igreja tornando-a uma Secretaria de Estado. Não era o Regalismo do Absolutismo, era antes o Burocratismo Mação a laicizar a Igreja e a utilizá-la como extensão do seu domínio subterrâneo.
O depois é humilhação, a perseguição e a espoliação. Se isto é liberdade, bem, sê-lo-á pelo fogo. A Igreja não pode, nem deve esquecer que a I República constituiu uma hecatombe que dura até aos dias de hoje: o estado do património religioso das nossas catedrais, igrejas e ermidas em ruínas, assenta sobre o sequestro e a nacionalização dos bens eclesiásticos, em 1911.
Porém, o mais preocupante, quanto a mim, como Católico que sou, é que sob a Concordata de 1940, se tente passar uma esponja sobre os 30 anos antes e se transforme a II República (1933-1974) no paradigma dessa tal libertação e de uma sã convivência.
E hoje, nesta III República que tem como porta voz, de novo, a Maçonaria, espanta-me que a Igreja reclame liberdade quando volta a ser refém do Estado, através dos seus às suas IPSS, católicas, às obras de cariz paroquial, da tutela conjunta de património, etc.
Espanta-me mais: que a Igreja se esqueça, como em graça referia, há uns anos atrás, o escritor iguel Esteves Cardoso, que o Pai Nosso começa com a frase: «santificado seja o Vosso Reino» e não «santificada seja a Vossa República».

Também publicado aqui.

9 de maio de 2010

Eu defendo a laicidade do Estado, mas não a desresponsabilização em relação ao património espiritual. Olhamos à nossa volta e qualquer referência mínima, cultural, artística, simbólica, remete para o catolicismo. Mal ou bem. Fazer tabula rasa disto não é ser laico, é agir de má fé (até esta expressão, judicial, tem origem religiosa...). Enfim, vivemos tempos conturbados, em que as modas ateístas tomam conta das consciências menos preparadas.

8 de maio de 2010

Um caso de saúde... política.

Eu não tenho medo de assumir o meu catolicismo, num tempo em que o terror começa a tomar conta de algumas opiniões e aqueles defendem a intolerância, a abolição dos racismos e das xenofobias, vêm pedir, contra os católicos e a Igreja, intolerância e xenofobia. Possuo a verticalidade necessária para assumir o que penso e fundamentá-lo, ao contrário da maior parte das opiniões que se escrevem em fóruns, comentários a notícias de jornais, etc. De resto, esses comentários valem o que valem. São, na maioria, frases proferidas a quente, sem substância que não seja a agressão gratuita - algo a que possibilidade da internet nos habitou desde cedo. Eu, como Católico tenho o direito de defender uma Igreja menos assente na discussão da sexualidade e mais na dignidade humana no seu todo. De facto, não posso deixar de citar as palavras do sr. Cardeal Patriarca de Lisboa que, numa entrevista recente, disse que se a Igreja cedesse às vontades destes grupos de pressão a Igreja deixava de existir. Ora a Igreja existe e ainda bem que existe. E a oposição à Igreja existiu e existirá sempre, e é salutar. Mas, quando um grupo vem dizer que tenciona distribuir preservativos durante a visita papal sabendo qual é a posição da Igreja sobre o assunto e, ao mesmo tempo, diz que nada tem contra a Igreja, isso não faz sentido. É óbvio que tem algo contra a Igreja e deve assumi-lo. Se pretendesse distribuir preservativos independentemente da visita Papal, ou até intitulasse a iniciativa com um nome que não o de «Preservativos "ao" Papa em Portugal», talvez houvesse lugar para essa razão, possivelmente inocente, que não o é, nem será por muitas voltas ou aspas com que se enrole o texto. Aqui, o preservativo não é um caso de saúde pública, se não um caso político. Ponto. Tudo bem. Como disse, haverá sempre oposição à Igreja. Mas até numa guerra há regras (partindo do princípio que não falamos com Ateus, Anarquistas ou Autistas - os 3 A's que infelizmente são incapazes de dialogar). Dizer que a Igreja propaga a sida, ou que é responsável por milhões de mortos por seropositividade não é sequer desinformação. É um golpe baixo, baixíssimo ,que resulta da necessidade de atear o fogo mais depressa, com mais combustível. (No âmago dos pretensos laicos de hoje em dia há um pequeno Nero). De resto, não percebo a obsessão com o preservativo, por parte de um grupo de pessoas que defende o Aborto e eventualmente a Eutanásia. Se defendem que cada mulher seja livre de abortar, porque raio hão-de impingir o preservativo a alguém? Em termos éticos, a lógica é muito semelhante. Um qualquer indivíduo, independentemente de ser católico, tem o direito a escolher se usa ou não o preservativo, havendo acordo mútuo com o seu parceiro/parceira. E, continuo, a insistir: preocupa-me que estejamos tão distraídos com o preservativo, enquanto a Indústria Farmacêutica ganha dinheiro com a sida. Para ela não interessa uma cura, nenhuma cura... e isso é que devia escandaloso.

5 de maio de 2010

O caminho...

Para vir a saborear tudo
Não queiras saborear nada.
Para vir a saber tudo
Não queiras saber nada de nada.
Para vir a possuir tudo
Não queiras ter nada de nada.
Para vir a ser tudo
Não queiras ser nada em nada.

Para chegar ao que não saboreias
Tens de ir por onde não saboreias.
Para chegara ao que não sabes
Tens de ir por onde não sabes.
Para chegar a ter o que não possuis
Tens de ir por onde não possuis.
Para chegar ao que não és
Tens de ir por onde não és.

Quando reparas em algo
Deixas de te arrojar ao tudo.
Para chegar de todo ao tudo
Hás-de perder-te de todo em tudo,
E quando o vieres de todo a ter
Hás-de tê-lo sem nada querer.

Nesta desnudez encontra o
espírito o seu descanso,
porque nada cobiçando,
nada o cansa para cima
e nada o oprime para baixo
porque está no centro da sua humildade.

São João da Cruz (1542-1591)

23 de março de 2010

O triunfo da ignorância!

"Segundo julgo perceber, só cometida por padres é que a pedofilia é um crime horrível."

Tenho evitado pronunciar-me sobre a questão dos escândalos de pedofilia na Igreja Católica.
Não suporto generalizações, muito mais as que a Comunicação Social faz, seja para vender, seja para cumprir a sua agenda.
Está a passar-se a mensagem de que a Igreja é constituída por homens doentes e perversos e que, como tal, é preciso erradicá-la, cortar o mal pela raíz. Não é o ateísmo, nem o agnosticismo que ganham adeptos. É a ignorância.
Comparar casos que nem sequer foram a julgamento a uma «epidemia de mal», abalançando-se na qualidade de clérigos dos visados para moralizar a Moral, é a mesma coisa que extrapolar conclusões do Processo Casa Pia considerando a maioria dos políticos, artistas e outros envolvidos como pervertidos. Existem homens e mulheres bons e boas, maus e más em todas as religiões, em todas as crenças, em todos lados. Existem, com certeza, ladrões ateus, homicidas agnósticos.
A sociedade está cada vez mais secularizada e, no entanto, o ódio aumenta de dia para dia. Não é uma questão de deuses, é uma questão de homens. Podemos ser felizes com ou sem religiões. Com ou sem crenças. Mas primeiro temos que querer ser melhores. O ódio à Igreja Católica e a outras religiões, não é um meio disponível para um progresso, é só uma forma de violência.

11 de novembro de 2009

Coisas interessantes ou coisas que interessam?

Num país com uma longa tradição de corrupção, numa altura em que aumentam de dia para dia os escândalos descobertos nas esferas da alta finança, o Governo e a Igreja vêm discutir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tanto o Estado, na sua faceta providencialista, (quando não simplesmente manipuladora), como a Igreja, enquanto instituição dotada de personalidade jurídica e com inegável importância na sociedade portuguesa (quer queiram os jacobinos, quer não) têm todo o direito a intervir nesta questão que ultrapassa aspectos meramente legalistas. § Mas se do lado do Estado, a questão se assume de um simples ponto de vista - cumprimento de uma agenda política (PS), dependente de outra (BE) - preocupa-me que a Igreja, enquanto instituição com preocupações assistenciais e sociais, alinhe nesta estratégia do atirar areia para os olhos dos portugueses. Um referendo esclareceria a questão: ganharia, muito provavelmente, a abstenção. Mas é desnecessário. § A quem interessa o assunto? Às minorias, a um Bloco de Esquerda que se esgota neste tipo de abordagens e a uma franja da Igreja acoitada que tenta fundamentar-se num modelo de família heterossexual, fiel e monogâmica, recusando a mudança social, rápida e indiferente ao casamento. Hoje mesmo uma notícia o confirma: os portugueses casam-se cada vez menos e os divórcios duplicam. Não seria melhor que a Igreja fizesse uma campanha a favor do casamento heterossexual em detrimento de uma política de agressão (que não quer, nem pode aguentar) contra o Governo? O que não deixa de ser paradoxal; ou seja, que as pessoas do mesmo sexo, queiram equiparar-se aos casais heterossexuais, constituindo uma família (ainda que sem laços consanguíneos), espelho daquela que a Igreja advoga como pedra basilar da sociedade. Em que ficamos então? Ficamos a olhar para uma desagregação da Sociedade em uniões de facto, outras momentâneas, poligâmicas, promiscuas em vez de apoiar as estruturas nucleares (que, como bem sabemos nunca foram o modelo apresentado pelo catolicismo) (*)? § A Igreja não pode aguentar esta batalha, nem quererá, dado que é refém da República Portuguesa. Esta dependência começou no Liberalismo e hoje é cada vez mais evidente, quer na forma como do Estado dependem em larga escala as IPSS's católicas, que a nível municipal onde os párocos locais são, tantas vezes, extensões das edilidades que, em alguns casos, não se poupam a esforços para agradar a fiéis e comissões fabriqueiras. § Que o Partido Socialista use destes truques para ludibriar as atenções sobre a corrupção, o desemprego, ou o défice, etc, compreende-se, sendo certo que colhe tais habilidades na cartilha para a boa arte da política. Mas que a Igreja embarque nesta perigosa aventura, preocupa-me. O assunto não se esgota ou no sim ou no não, nem é situação que obrigue a uma discussão urgente. Mais ainda quando todos os dias encontro um novo sem abrigo a dormir numa das ruas aqui do Porto.

(*) Basta percorrer os antigos Róis de Confessados para perceber que o modelo «heterossexual», patriarcal e fechado é uma construção meramente teórica...

24 de outubro de 2009

#Sugestões (2)

I. Adeus à Era dos Jornais? Um velho tema, reciclado no The New Republic.
II. O regresso à Linha do Tua: o fim estará mesmo próximo?
III.O anúncio do nascimento do senhor D. Duarte Pio João de Bragança, herdeiro da Coroa de Portugal (1945).
IV. A tripla estrela de Saturno num quadro de Rubens.
V. Câmaras Municipais Portuguesas obrigadas a ter um plano contra a corrupção? Contra qual corrupção? [Ainda há dias um funcionário público me dizia que existem vários níveis de corrupção dentro das Câmaras Municipais, a «cunha» do Presidente da Câmara anula a «cunha» do Vereador que, por sua vez, anula a cunha do técnico administrativo, etc, etc. Faz lembrar aquela arenga revisteira: tudo rouba minha gente. É difícil acabar com isto...digo eu.]
VI. O debate Padre Carreira das Neves versus Saramago. Não foi uma luta épica, antes confrangedora, entre dois velhinhos em cavaqueira amena. Saramago sai a ganhar. A Igreja Portuguesa é muito branda e relaxada. E tem um problema que é o seu pecado capital maior: quer estar de bem com Deus e com o diabo. Quando perceber que isso não é possível será, talvez, tarde de mais. [Post scriptum: o Caderno Anti-Saramago tem, como é seu apanágio, uma magistral resposta à polémica. Uma resposta à altura, aliás, daquelas que o Prof. Carreira das Neves não conseguiu aplicar].

29 de setembro de 2009

Uma lembrança aos menos instruídos.

Eu gostava de lembrar aos Ateus que foi preciso recorrer a um Papa para garantir a existência de Portugal. E embora os tempos sejam outros, o documento, chamado Bula Manifestis Probatum, lavrado em 1179, ainda é um dos tesouros dos nossos Arquivos Nacionais. Mas , oque digo eu? É que Católico só o é quem quer; parece, contudo, que os Ateus, na sua sanha mobilizadora (não muito afastada de uma certa catequese) exigem o requisito da estupidez para acesso à seita. A visita de um Papa não só é um assunto de Estado, como um acontecimento da maior importância a nível diplomático. Para Católicos ou não Católicos.