
Há alguns anos atrás comprei, num alfarrabista do Porto, este
Catálogo de Inverno dos extintos Armazéns Grandela. É um documento extraordinário a todos os níveis sobre o quotidiano em Lisboa e em Portugal nas vésperas da Grande Guerra. Testemunho publicitário da capacidade para ultrapassar a crise económica e social motivada por uma cidade em permanente sobressalto, - entre greves, atentados da púrria e golpes de gabinete com que o novo regime republicano brindou os lisboetas (estes, em particular, que viveram de perto a implantação da república, enquanto o resto do país apenas o seguia pelos jornais...) - este catálogo, dizia eu, é um repositório infindável de informações. Verdadeira fonte histórica e iconográfica sobre vestuário masculino, feminino e de criança, de móveis e todo o tipo de adereços, preços e materiais utilizados na confecção de milhares de peças - muitas delas (julgaríamos nós o contrário) perfeitamente actuais. Por considerá-la uma fonte primárias e rara para a compreensão dos ditames da moda e do gosto no primeiro quartel do século XX e para variar um pouco da quantidade de informação que, quer pelos
republicanos, quer pelos monárquicos tem sido enfiada pelos olhos dentro dos
ledores, vou colocar à disposição,
muito em breve, a
digitalização integral deste documento via
flickr. Fazer algo que os senhores dos Centenário republicano têm evitado fazer: publicar FONTES em vez de editar livros e livros repletos de blá-blá laudatório, escrito por um um pequeno e muito restrito grupo de historiadores de Lisboa e
Coimbra.