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2 de março de 2010

Conselhos excelentes


«Nunca o lavrador chegaria a colher, se todo o ano andasse perguntando como havia de semear: nunca o mercador viria a ganhar, se reparasse em todos os riscos de perder; nem não sairia do porto, nem homem de sua casa, se se cuidasse nos perigos, que se encontram ordinariamente. A regra dos bons Políticos é, que a utilidade, que se oferece presente sem consequência de dano, se há-de abraçar, sem ponderar os futuros com demasiada prudência; porque as cousas humanas estão sujeitas a casos tão vários, que raras vezes acontece o que se cuida com bom fundamento; e quem despreza a oferta do bem presente pelo temor do mal futuro, nem propício, nem certo, com dor e descrédito vem a conhecer, que perdeu ocasiões gloriosas por receios vãos. Péssimas são as providências tão subtis, que antevendo acauteladas os futuros, não tem cautela para ver o presente. Faça-se hoje o que parece bom, e venha o que vier; que ordenar as cousas bem, é de sábios; aprender dos sucessos é de ignorantes, e não os merece felizes quem por eles qualifica o conselho

António de Sousa Macedo - Flores de Espanha, excelência de Portugal, 1737

18 de fevereiro de 2010

"Portugal Enfermo", 1819

Eu vejo, nestes tempos desditosos
Povos empobrecidos, e chorosos ;
Pois quando vem hum mal, outros se seguem,
Que os Mortaes atenuão, e perseguem. '
Mas apezar da falta de dinheiro,
Apparece nos bairros o gaiteiro,

As bandeiras nas cordas penduradas
Por onde as festas sao annunciadas,'
Tudo feito com lustre , e com grandeza
Foi Juíza a Senhora Dona Andreza.
Os festeiros não tem nada de seu;
Mas a festa da rua tudo deu.
Anda o velho engraçado co' os Leilões
Dos cargos, que custarão bons tostões.
Temos fogo de vistas, vistas raras,
N'hum beco, que de Largo tem três varas

Que huma roda, que salta era fogo ardendo;
Vem desordens fazer nos que estão vendo;
E póde muito bem a propriedade
Com fogo reduzir-se em ametade.
Estes p'rigos não são muito pequenos,
E já tem succedido mais, ou menos.
Nunca vi de dinheiro tanta fome,
Nem tantas festas de despeza, e nome.
Eu louvo, e não crimino a devoção;
Haja festa de Igreja, e bom Sermão;
Tenha a festividade do arrayal
Cousas, que facão bera, e nunca mal.
O dinheiro de máscaras, e fogo
Vá gastar-se com outro desafogo
Mais útil, mais vistoso, mais louvável
Em acudir a tanto miserável.
Dem rações á pobreza dessa rua,
E a festa christãmente se conclua.
No lugar, era que o fogo armar se havia,
Haja comprida meza neste dia;
Hum, ou dois caldeirões de mantimento,
Que sirvão aos mendigos de sustento,
Ministrados por esses bons festeiros.
Que se facão da meza dispenseiros,
Sem tumulto, em socego, e com cuidado
No cégo, na criança, no aleijado.
Isto he que dá exemplo, he que edifica;
Deste modo a função completa fica [...]

Portugal Enfermo, José Luís Guerner, 1819

14 de outubro de 2009

#Do Maravilhoso I

Item em os 22, Dias do mes Doutubro de 1567. disse o padre mestre aos jrmãos juntos em capitolo. como o Sñor Dõ fulgencio Dera para a Comunidade hu pedaço De corno De unycornio, se serya bo por ser cousa preçiosa & estimada, se posesse em algu luguar onde podesse estar seguro, Assentou o Convento se posesse na Saãchrystia, & e se carregasse em o livro Da recepta ao Sãocrystão & por lembrança asynou este assento o padre mestre & os outros Dous consiliarjos Dõ Salvador escryvão Do Convento o fez em o dito dya mes & anno.

Dom Nicolao
Dõm fulgençio
dõ damião

Livro 2 das Actas dos capítulos do Mosteiro de Santa Cruz, fl.66 v.º

31 de março de 2008

A nós também.

«Nós gostamos de dizer mal pelas costas e bem pela frente. Nós gostamos de ser amigos de toda a gente e de não gostar de ninguém. Nós gostamos de ser manhosos e, passe a palavra (olhe, lá está a minha truculência!), gostamos de ser merdosos. E eu não gosto disso. É um lado da alma portuguesa que me irrita profundamente».

José Miguel Júdice, DNa, 22-5-2005