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4 de setembro de 2012

As pessoas decentes.

"As pessoas decentes, felizmente uma maioria, quando pegam em coisas tão sérias e graves sobre as quais não faz sentido assumir uma posição pessoal, e muito menos de "esquerda" ou "direita", fazem por ser objectivas – como Rui Ramos. E a objectividade choca e fere e nisto previne juízos e condenações categóricas sobre pessoas e episódios, da mesma forma que nos poupa ao ridículo e possibilita que, por exemplo, um António Barreto, insuspeito homem de esquerda, possa constatar, com alguma curiosidade, que o Estado Social é uma realidade que, andando frequentemente na boca de Marcelo Caetano, em Portugal nasceu, estatisticamente, de medidas tomadas entre 1970-1974. Já as outras pessoas, as que simplisticamente remetem a personagem de D. Miguel para a categoria de «os maiores facínoras da nossa história» visando, com isso, atingir na sua credibilidade um historiador que deu mais do que provas de independência e firmeza científicas, não se eximem de manipular a História e os outros, tentando fazer de todos nós e à custa de uma narrativa oficial leviana e falsa um país de gente estúpida. E gente estúpida devemos ser, de facto, pois permitimos que esta cambada continue impunemente a fazer o que faz."
 Jacinto Bettencourt, com mestria, no 31 da Armada.

8 de junho de 2012

Pequenas sacanices.


Não tenho particular apreço pela política cujo rosto é Rui Rio. Mas não tomo a árvore por uma floresta, como faz a maioria das pessoas e sobretudo os média que acham que, em democracia, é um político ou um conjunto deles, quem detém a culpa de todos os males. Supostamente em democracia é o tal povo, o tal que vota, que participa em cidadania e que paga os seus impostos, que reparte com os políticos a responsabilidade de manter o sistema. Isto é, se efectivamente se sentir responsável, já que a balança dos direitos e deveres, pende mais para os direitos. Isto a propósito da polémica espoletada por um certo chico-espertismo a que alguns dão o nome de indignação: numa publicação destinada a promover a restauração na cidade (e, repare-se, falamos de promoção turística, imagem da cidade, publicidade) alguém, a coberto da vingançazinha colectiva, resolveu inventar uma frase de protesto numa das paredes do mercado do Bolhão. Precisamente a parede voltada à fotografia de capa do Guia de Restaurantes. A frase é explícita, um pouco de mais até: RIO ES UM FDP, sendo FDP, acrónimo para filho da puta, como se entende. A coisa é mesquinha. Revela bem aquilo que ainda alimenta a chama salazarista e se designaria de bufaria, delação, toca e foge. Não gosto de generalizações culturais, mas isto é muito genético: a incapacidade para dizer frontalmente o que se escreve de forma subliminar ou ás escuras.

24 de maio de 2012

A sanha.



A dialogar, prefiro fazê-lo com direitistas laicos ou com esquerdistas ecuménicos. A direita religiosa, seja ela católica, muçulmana ou judaica é frequentemente proselitista e fanática. E a esquerda ateísta muito perigosa. Por isso desconfio do servilismo de uns e outros, ao serviço não se sabe muito bem do quê - talvez do desejo doentio de ambas as partes em esfregar na cara dos outros frustrações íntimas. É um pouco como aquele senhor, de cravo ao peito, sempre aguerrido, a citar a encíclíca ateísta contra a ICAR - acrónimo que os mais raivosos incréus fazem questão de chamar à Igreja Católica - que no seu curriculum exibe com um certo brio o ter sido denunciado à PIDE por um padre. Lembra alguns dos mais notáveis anticlericalistas dos séculos XIX e XX português, filhos de clérigos (como Aquilino Ribeiro), que tanto se empenharam em tentar resolver os fantasmas pessoais, obrigando os outros a lutar contra os seus próprios moinhos de vento. Todavia, do lado oposto há indivíduos tão ou mais complexados. Sem querer citar nomes, mas citando-os, lembro-me do João César das Neves (que ajuíza cinicamente sobre almoços pagos), o Carlos Santos (cuja memória vem a ser ressuscitada agora), o Orlando Braga ou o Alexandre Pinheiro Torres. E para que não se diga que este é um mundo de homens, a Isilda Pegado, que de vez em quando lá aparece para ser do contra. Eu até acredito em boas intenções, mas a maioria destes e de outros nomes defende coisas muito pouco cristãs. Desde logo contraria o ideal de Amor ao próximo. Refugia-se numa espécie de conservadorismo a coberto de questões como o Aborto e até mesmo o Divórcio (assunto que a Igreja Católica já resolveu desde o Vaticano II). Arrogam-se a falar em nome de uma certa Igreja (e acredito que alguns o façam na realidade) mas raiam o ultramontanismo e o anacronismo numa instituição tão plural que acolhe Franciscanos e Jesuítas. Eu não quero crer, embora já o tenha aventado, que a Igreja deseje estar de bem com Deus e o diabo, procurando receber as benesses a que julga ter direito da República Portuguesa e depois a ataque no concernente a questões do foro sexual. Se o faz, não devia. Sobretudo usando alguns leigos que fazem dos seus blogues autênticos púlpitos. 

11 de fevereiro de 2012

Os 80 magriços do calendário.

Primeiro hesitei: existirão, realmente, 80 historiadores em Portugal? Depois, reflecti e, embora contente com a descoberta, pensei melhor: Portugal tem apenas 80 historiadores ? Como não tinha a certeza do rácio entre historiadores e população no resto da Europa quedei-me reflexivo sobre o assunto. Não obstante este meu monólogo, discerni que a movimentação dos 80 historiadores portugueses quanto à abolição dos feriados 5 de Outubro e 1 de Dezembro só podia ser uma cartada de mau gosto neste jogo político em que o nacionalismo é o Ás de copas que estimula desde as bancadas parlamentares do Bloco ao CDS e o cidadão comum. Se existem 80 historiadores em Portugal capazes de defender algo tão puramente simbólico e bairrista como dois dias do calendário nacional, onde estavam eles quando foi necessário defender a qualidade da investigação histórica, falar alto contra a diminuição do ensino da História no plano educativo nacional ou, mais recentemente, tomar atitude enérgica contra a perda de autonomia dos Museus Portugueses que muito em breve serão entregues a comissões de gestão regionais dirigidas por bur(r)ocratas de chinelo? Enfim, onde se escondem estes 80 historiadores nos restantes 363 dias do ano?

25 de agosto de 2011

O

moralismo das Esquerdas é muito mais eficaz que o das Direitas.
Ao passo que o segundo não passa de umas citações bíblicas mal amanhadas atiradas ao prevaricadores da rua da aldeia, o primeiro corta o mal pela raíz: censura tudo o que cante, dance ou fale.
Na China é assim. Em breve será no mundo todo.

17 de novembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira ideológica.


Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso
que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.
"Ensaio sobre a cegueira", José Saramago.

Saramago é um iconoclasta cínico, pedante, ideologicamente cego e cada vez mais velho. Felizmente que a idade vai vergando cada um daqueles defeitos do senhor e, confiamos nós, chegará ao túmulo já completamente redimido de todos os seus pecados que incluem, como bem sabemos, perseguições à boa maneira estalinista, mediocridade q.b. e conversa-ditatorial-em-potência/hipocrisia que esta gente, como Saramago, tem e cultiva com boa vontade para dar e vender. No entanto, mentiria se dissesse que detesto totalmente o que Saramago escreve. Comecei a ler Evangelho segundo Jesus Cristo e parei à décima página. Li Memorial sobre o Convento, mas irrito-me quando fazem propaganda com romances históricos (já ninguém lê Marguerite Yourcenar... ao menos a elogiarmos ou deturparmos, que se faça como ela, deturpe-se em nome de sentimentos e não de bandeiras). Parei aí. Retomei Saramago em Intermitências da Morte. Gostei. Gostei sinceramente. Mas digo-o e repito-o: não merecia o Nobel pelo que escreve, nem pelo que sabe. § Saramago tem boas ideias, quer dar lições de moral à humanidade; confrontá-la com o seu próprio cinismo (o dele e o da humanidade) e consegue-o em Ensaio sobre a Cegueira, mas é demasiado óbvio (não chega aos pés, em talento, mensagem e erudição a um Jorge Luís Borges). Além disso odeia demasiado a Igreja Católica; tanto que passa o tempo a prostrar-se-lhe aos pés. Ensaio sobre a cegueira (filme) é uma obra de arte, um esforço incomparável para retirar das simbolicamente medíocres frases de Saramago um mundo de temores (e se cegássemos todos? por infecção - uma metáfora? o caos! o mundo em ruína - já se vê, cegar não é o mesmo que emudecermos ou ensurdecermos... a imagem resulta francamente bem), mas no meio daquilo tudo (morte, desespero, imagens escatológicas de uma quarentena forçada em que impera a desordem, o nojo, a auto-destruição) sobressai a imagem de uma Julianne Moore, belíssima, alva e nobre. Depois, à força (como Saramago fizera com as palavras), Fernando Meirelles enfia-nos pelos olhos adentro (bonita imagem em contexto próprio) a violência que o texto não deixa sentir tão fortemente: violações em massa, mortes ocasionais e perfeitamente dispensáveis, fezes, gangrena, sangue, fome, etc - como se a própria epidemia de cegueira branca (branco = sufoco) não bastasse. De resto a filmagem com grão, os pretos e brancos contrastantes - cenários de sombra e penumbra - em alguns casos o ecrã quase quase negro (a nossa cegueira) conferem uma certa beleza invulgar ao filme. Se aconselharia a ver? Sim. Não obstante a imagem vendável de destruição de que alimenta a curiosidade mórbida humana vale sempre por deixar algumas consciências ocas a pensar. Não é nem um romance nem filme sobre a cegueira comum, logo nada apologético a quem não vê por patologia (como se pode ver por uma das personagens, cego «de verdade»). É um filme sobre quem não quer ver. Por isso resulta muito bem a imagem medieval associada ao romance "Se puderes olhar, vê. Se podes ver, repara", extraída do Livro de Conselhos de D. Duarte.

5 de julho de 2008

Cortar a cabeça à História?

Maria Antonieta, de Erwin Olaf.


Duas notícias recentes, a da discussão da petição contra o Museu Salazar e a cabeça de cera decepada de Hitler, trazem-me esta ideia: porque é que, em vez de recusarmos admiti-los, não enfrentamos os nossos fantasmas? A História, mau gradoo ar de hobbie que lhe tentam imprimir, serve, quanto mais não seja, para recordarmos. Lembrar o que aconteceu de bom e tudo o que de pior a humanidade legou às gerações futuras. Esconder, ignorar ou propositadamente apagar da História os maus momentos, não só é uma má política - que acidifica relações e desafia grupos ideológicos susceptíveis - como significa um retrocesso educacional. Quando, daqui a 200 anos quisermos contar o Holocausto, quem irá acreditar nele? Sem Hitler, ou sem Salazar, é impossível contar a história toda. Favorecerá (não tenho dúvidas disso), esta lavagem da memória, o aparecimento de novos ditadores sanguinários. Eu, que sou francamente monárquico, não tenho nenhum problema que se comemore ou que exista um Museu da República. Já por outro lado considero impossível existir um «Museu da Monarquia», pois é impensável confinar a um edifício a História total de um povo. Mas certos regimes, como as jovens repúblicas (que precisam firmar-se pela educação ideológica) ou as ditaduras que devem explicar o que são e o que foram - são assim «objectos» a expor. A nossa juventude, já tão desinteressada da política, essa grande porca, não precisa que lhe escondam as asneiras dos pais e dos avós. A condescendência, para um país de mentes pobres como este, é o pior lenitivo que pode haver. Ponha-se, pois, a cabeça no nazi e construa-se o museu em Santa Comba que a boa educação não passa pelas estatísticas dos resultados dos testes de matemática e português - e a nossa classe política é bem a prova disso.

30 de março de 2008

"Não vim trazer paz, mas espada." Mt 10, 34

Se não é a Igreja é a Bíblia. Se não é a Bíblia, é Deus, e se Deus não existe, é a interrogação. E a interrogação nunca somos nós, é a metafísica. Se, por exemplo, há fome, guerras e iniquidade no Mundo, a culpa é das religiões. Se há pessoas mortas, violadas ou vítimas de injustiça, a culpa é da Bíblia, do Corão ou da Tora. E em Portugal a culpa do atraso económico, social e cultural é sempre, e sem dúvida alguma, da Igreja. Ainda agora, ao ler uma notícia no público sobre a reacção da Conferência episcopal ao fim do divórcio litigioso, voltei a constatar do atavismo ideológico ou pseudo-ideológico de alguns cidadãos portugueses. Para eles a igreja é «rica», «que não se devia imiscuir em assuntos laicos», que «prática religiosa são os templos, não são nem hospitais nem escolas nem quarteis», que a Igreja apenas serve para «lavagem de dinheiro das grandes negociatas de droga e armamento»! Quereis a verdade? Aí a tendes, nua e crua. A Igreja Católica é a fonte de todos os males. Está feito, nada mais há a dizer: descobrimos a raíz do mal, agora é só extirpar a planta. § Não fossem os milhões de pessoas que dependem da caridade, da missionação, e do dinheiro sujo em a Igreja é obrigada a meter as mãos para dar de comer e eu diria: acabem já com isso tudo, abandonem à sorte dos estados laicos a solidariedade e a protecção social, já que os estados laicos se importam assim tanto, não com o número de contribuinte, mas com o humano na sua plenitude, não é verdade? Estas pessoas que confudem laicidade com liberdade devem pensar que o mundo obedece ao asseptismo das constituições, que tudo se rege por leis a favor ou contra. Propunha-lhes um exercício: comecem por pensar o que o Homem criou fora das religiões. E depois numa lista de duas colunas pesassem o que de bom (A) e mau (B) as religiões trouxeram. Já está? Pois, a coluna A ficou vazia. Era o que se esperava, não era? Agora sim, podemos pegar em armas e matar todos os crentes do planeta. Depois passaremos às igrejas, à arte dos museus, e às criações imateriais. Destruiremos o Vaticano e os milhões de templos por todo o mundo, reduziremos a pó a Pietá de Miguel Ângelo, a Kaaba e Jerusalém. Secaremos as fontes do Ganges e arrasaremos o Potala do Tibete, rasgaremos as pautas e Bach e Mozart que exaltem Deus; trucidaremos os nomes de santos, divindades e deuses, eliminando qualquer prova de transcendência; aboliremos os rituais, todos os rituais, para que não haja memória de evocações ou de evolução não biológica. Faremos uma limpeza ideológica, cultural e selectiva para que, do nosso mundo, resulte só e apenas um homem novo, centro do universo, dimensão de todas as coisas, sem reverências, só e limpo. § Nunca mais haverá guerras, pois não haverá diferenças religiosas nem cultuais; nunca mais haverá fome, pois o novo homem terá sempre comida para dar ao seu semelhante, sem ter que iludi-lo com promessas e libações; nunca mais haverá sofrimento pois não havendo esperança com que sonhar cada dia é uma rígida certeza de vida. O passado passou e o futuro não existe. Este é o mundo perfeito, onde Deus não existe. Culparemos quem, depois?

1 de fevereiro de 2008

Factos & argumentos?

D. Luís Filipe, Príncipe Real, assassinado no Terreiro do Paço,
juntamente com seu pai,a 1-I-1908. Via Vidas lusófonas.

Facto 1: No dia 1 de Fevereiro de 1908 o rei D. Carlos I, chefe de estado, foi assassinado numa acção premeditada, fria e sanguinária.
Facto 2: Com ele faleceu, também assassinado, o filho, princípe herdeiro, futuro governante de Portugal;
Facto 3: Em 1908 vivia-se numa monarquia, constitucional, em regime democrático, com eleições livres (condicionadas apelas pelas imposições prescritas na Constituição e respectivos Actos adicionais) que foi conquistado em 1834 e terminou em 1910, com um golpe de estado, sendo reposto apenas a 25 de Abril de 1974.
Facto 4: Em 1908 havia partidos políticos, liberdade de associação (e até de associação criminosa, de tal forma que a Carbonária pode com à-vontade matar o chefe de Estado), sem censura instituída, nem perseguição ideológica (e repare-se que me referido ao nível ideológico, não à rede de caciques e clientelagem partidária que desde o liberalismo até aos dias de hoje caracteriza a pequena, média e alta política nacional);
Posto isto: Sem julgar a História, ou os seus intervenientes, (que, de facto, nunca foram julgados) por sermos hoje uma república, não impede se homenageiem figuras da monarquia, como alguns querem*. Afinal de contas fomos uma monarquia durante cerca de 800 anos.

A República Portuguesa e os verdadeiros republicanos (não os desorientados, nem os ignorantes que pululam na nossa intelligentzia de esquerda) saberão com certeza honrar os mortos portugueses, sejam eles de que partido ou ideologia forem. Com os outros dorme o medo. O medo e uma certa angústia de mostrar mediocridade**.

*/**E o que estes, poucos felizmente, querem, é homenagear os «mártires da liberdade», que segundo um tal Carlos Esperança «Puseram termo à vida do rei, imolando a sua. Usaram a violência contra a violência do regime, sonhando com a República sob os escombros da monarquia que agonizava e a que vibraram um golpe fatal». Este excerto é sinistro. Comparar dois assassinos com verdadeiros mártires da liberdade, como Gandhi, Martin Luther King, ou, mais perto de nós, os que tombaram nas Campanhas Peninsulares, na Guerra Civil de 1832-34, ou ainda Salgueiro Maia, Álvaro Cunhal e outros («mártires» não por que morreram em combate, mas por que ofereceram a sua vida a uma causa), é hediondo e só pode vir de alguém cujo fanatismo impede uma visão clara e com discernimento sobre a História e o tempo em que nos encontramos - o qual não é, de modo algum, propício a elegias a terroristas. Há nomes para esta gente, que foi, com cartazes e máscaras, à Praça do Comércio envergar faixas do Bloco de Esquerda. Este grupelho partidário goza de uma aura de majestade entre a nossa intelligentzia e os nossos jovens que embora não aspirem a integrar as fileiras daquela, vão agarrando como podem os momentos para contestar. O BE, com as suas causas de modas são como a colecção Primavera/Verão da nossa sempiterna silly season política e os manipansos que o gerem, como o Fernando Rosas, vão-se encostando à condição de intelectuais, professores universitários, para assim consolidar uma mensagem que não é diferente daquela que o Partido Republicano fez passar durante a monarquia: ideologia e valores filosóficos em barda, aproximação ao real, zero. Mas atenção, não descuremos estes senhores. Ouve-os atentamente o Parlamento, obedecem-lhes generais, ministros e até presidentes. Por outro lado, teremos sempre a sempre a consolação de que, porque este partido é constituído por uma amálgama de gente dificilmente homogénea - desde historiadores a trapalhões - haverá sempre o rídiculo a encobrir qualquer razão que o BE tenha, como a manifestação que juntou uma dúzia de rapazolas no Terreiro do Paço para apoiarem dois homicidas.

Como historiador, espero que a História se encontre consigo mesmo e o regicídio seja clarificado como deve ser qualquer facto histórico, seguindo a imparcialidade e usando das metodologias necessárias a tal. Como monárquico, lamento que o movimento monárquico não se tenha ainda libertado de certos fardos, e que o republicanismo português (se é que ele existe) seja encabeçado por indivíduos tão pouco humanistas e mesquinhos. De resto, paz à alma daqueles que pereceram. O sangue que derramaram não saldou dívidas, nem curou feridas. E a história continua.