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10 de setembro de 2010

São as elites, senhor, são as elites.

Sou da mesma opinião que o historiador Rui Ramos, quando recentemente se manifestava desconfiado em relação às análises colectivas de um país. Daquelas tipo José Gil ou Eduardo Lourenço, não desmerecendo a capacidade filosófica e de síntese histórica de cada um. Por isso sou extremamente céptico em relação a posições como esta: «Muitos dos males que são atribuídos a Salazar vinham de trás, da República, da monarquia constitucional. No século XIX éramos um país pobre, no século XX um país pobre e continuamos a ser um país pobre. Há coisas que se calhar são inultrapassáveis.» (Filipe Ribeiro de Menezes, biógrafo de Salazar em entrevista ao i). TO João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos [sic] toma a asserção como um estigma inevitável, um fado até, que temos arrastado como cruz até um calvário que não existe. Eu não comungo desta teoria, como se todo o país, cada um dos seus habitantes, vivesse na obscura e inultrapassável infortuna vivência há 200 anos, ou mais. A generalização impede-nos de constatar algo muito importante: isto não é um caso de verticalidade. É de horizontalidade. Ou seja, a culpa nem sempre pode ser atribuída ao regime, mesmo quando este "oferece" ao Povo (quem quer que este seja) a decisão sobre os destinos do País. A questão é mais complexa. Mas estou em crer que um estudo sobre as elítes políticas pode oferecer-nos lances de excruciante realidade. Quando as elites que governam são más, dificilmente se pode urdir um destino melhor que aquele que temos. E é assim há 200 anos. Basta ler o livro sobre os «Devoristas», de Vasco Pulido Valente. O Estado tornou-se um Monstro com o Liberalismo. É o Saturno, que todos os dias nos devora. Bom, bom seria que depois de nos deglutir, nos transformasse em mera matéria fecal. Mas não, regurgita-nos para nos comer de novo. Assim não é possível continuar.