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9 de setembro de 2009

Valha-nos Deus que (ainda) alguém escreve e pensa assim!

Acreditar na existência de Deus é tão natural como sentir fome, não se trata de uma invenção propositada de algum homem, pronto vamos lá agora inventar Deus para sermos escravizados por ele e para por meio dele escravizar outros, nada disso. Sempre houve e sempre haverá pessoas que acreditam na existência de Deus, e engana-se Saramago quando pensa que a Igreja Católica se aproxima de uma morte “mais do que previsível” (mais depressa morrerá ele do que cairá um só braço do corpo sagrado da Igreja). A aberração está em se ter a certeza de que Deus não existe, essa é a aberração, não obstante os dados inteligíveis que, através da lógica e da dedução, deitam por terra qualquer tentativa de se negar o inegável. A prova está em que basta dizer que o mero facto de os saramagos não conseguirem enxergar provas da existência de Deus não prova que ele não existe, e que é uma estupidez apropriar-se de meia-dúzia de ideias antagónicas mitológicas ou alegóricas encontradas nos compêndios considerados sagrados para tentar provar com elas que Deus não existe. O absurdo é exactamente esse e não as ideias ou as teorias ou as filosofias ou as teologias ou as parábolas ou as lendas em si; o absurdo é recorrer ao trabalho intelectual sincero de homens do passado e parodiar esse trabalho com o intuito de escarnecer de Deus e de todos os que depositam nele a sua fé e que entendem e reconhecem que ele/ela existe. Grandes são os paroleiros na mediocridade dos seus pensamentos.

De O Caderno de Anti-Saramago