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7 de janeiro de 2012

Faça-se o que Eça disse.

No fim, este diletantismo é absurdo. Clamamos por ai, em botequins e livros, «que o país é uma choldra». Mas que diabo! Porque é que não trabalhamos para o refundir, o refazer ao nosso gosto e pelo molde perfeito das nossas ideias?... V. Exc.ª não conhece este país, minha senhora. É admirável! É uma pouca de cera inerte de primeira qualidade. A questão toda está em quem a trabalha. Até aqui a cera tem estado em mãos brutas, banais, toscas, reles, rotineiras... É necessário pô-la em mãos de artistas, nas nossas. Vamos fazer disto um bijou!...
Eça de Queiroz, Os Maias.

3 de janeiro de 2012

Gente belicosa.

E aqui está o Conselho de Coira [Coura], onde está o mosteiro Darga que também não tem monges; e as gentes desta parte e destes conselhos, entre Lima e o Minho, he gente belicosa e muito má de amançar e são quasi como galegos e da mesma Lingoagem e trage [traje].

João de Barros, referindo-se ao Alto Minho na sua Geographia [...], 1549.

28 de dezembro de 2011

Os magros.

“Sou pelos magros, nem posso ser por outros; leva-me para eles um sentimento de simpatia, gosto deles, embora digam que tenho a vaidade de gostar de mim mesmo. Grandes merçês me fez Deus em me não dar repolhudo e atoicinhado; sinto-me cómodo e portátil como um saco de viagem. Não incomodo ninguém. Este é o grande princípio moral: Não faças a outros o que não quererias que te fizessem.”
Alberto Pimentel em O Anel Misterioso

26 de dezembro de 2011

É pois difícil exercer a profissão de historiador ou arqueólogo. A sociedade prefere os contadores de estórias que vão perpetuando os mitos universais, nacionais, regionais, locais. Não há prémio Nobel em História, embora o haja, por exemplo, em Economia, essa espécie de exercício divinatório sobre o quotidiano das pessoas e das sociedades, com muitas probabilidades e matemáticas, cujas contas raramente batem certo e só se ajustam quando já não são precisas. E, no entanto, a Academia sueca premeia anualmente este charadismo atualmente quotidiano nos media tentado substituir o tarot, os videntes e os horóscopos com muito menos esperança.

J. Gonçalves Guimarães, em Eça & outras.

10 de outubro de 2011

A Arte de Furtar (à boa moda republicana).

(...) O dia 5 foi roubado ao Verão ( que acabou em Setembro ), foi roubado à semana ( por ter calhado à quarta-feira ) e foi roubado, monarquicamente, ao calendário dos dias justos, celebrando a palhaçada do golpe de estado do 5 de Outubro. Vêm aí frios e chuvas politica e meteorologicamente correctos, que se vão rir, sadicamente mas com razão, da insana esperança que queimou e marcou os banhistas do dia da república. (...)

Miguel Esteves Cardoso, Público de 6-10-2011

12 de julho de 2010

Da extinção das espécies.

Dito isto, o doutor Duarte Madeira Arrais ergueu-se e acrescentou:
- Quer alguma cousa de mim?
- Desejava que me receitasse alguma cousa para a dor do fígado.
- Tome um caldo de víboras.
- De víboras? O doutor cuida que as víboras se vendem na praça como as frangas?!
- Eu apliquei muitas vezes a meu amo o senhor D. João IV o caldo de víbora. No meu tempo apareciam em barda, quando eram necessárias.
- Agora não há víboras.
- Então que sumiço levaram elas?
- Provavelmente esconderam-se no coração das damas.
O douto alisou as meias de seda preta, simetrizou as fivelas das ligas e despediu-se, murmurando:
- Ainda bem que eu deixei de amar há cento e oitenta anos. No meu tempo o coração da mulher era ninho de rolas, e não lura de víboras.

Camilo Castelo Branco, Cousas leves e pesadas (A Hidroterapia)

14 de dezembro de 2009

«Se estamos todos muito bem preparados para reclamar liberdade para nós próprios, menos dispostos parecemos para reclamar sobretudo liberdade para os outros ou para lhes conceder a liberdade que está em nosso próprio poder; se conhecêssemos melhor a máquina do mundo, talvez descobríssemos que muita tirania se estabelece fora de nós como se fosse a projecção ou como sendo realmente a projecção das linhas autocráticas que temos dentro de nós; primeiro oprimimos, depois nos oprimem; no fundo, quase sempre nos queixamos dos ditadores que nós mesmos somos para os outros; e até para nós próprios, reprimindo todas as tendências que nos parecem pouco sociais ou pouco lucrativas, desejando muito que os outros nos vejam como simples, bem ajustados, facilmente etiquetáveis.»
Agostinho da Silva, Sobre as Escolhas

20 de outubro de 2009

Genialidades.

«Ó país das grandes cabeças, porque não és tu feliz? É por que o insígne diplomático padre António Vieira disse um dia:
"Os mais felizes reinos não são aqueles que tem as mais bem entendidas cabeças, se não aqueles que tem as mais bem entendidas mãos".
Quanto a mãos, veja-se uma certa Arte... ou não se veja nada, que é o melhor.»

Camilo Castelo Branco, O Demónio de ouro, P.A.M., vol. I, 5ª ed., p. 100.

12 de outubro de 2009

#Da Democracia

«Há três espécies de déspotas: o que tiraniza os corpos, o que tiraniza as almas e o que tiraniza os corpos e as almas. O primeiro é o Príncipe, o segundo o Papa, e o terceiro, é o Povo.»

Oscar Wilde

26 de março de 2009

«Não, não é por teimosia, nem por heroicidade, que eu me mantenho nesta dolorosa situação. É por convicção objectiva. O mal é ninguém ter ainda percebido que o problema para mim consiste em saber de que lado estão os valores da vida. Se os meus valores estivessem trocados, e eu o percebesse, seria eu o primeiro a destrocá-los. Mas não vejo que estejam. E não mudo.»

Miguel Torga, Diário IV, Coimbra, 25 de Fevereiro.

14 de maio de 2008

O silêncio é de ouro?

"O que mais preocupa
não é o grito dos violentos,
nem dos corruptos,
nem dos desonestos,
nem dos sem-carácter,
nem dos sem-ética.
O que mais preocupa
é o silêncio dos bons!"

Martin Luther King