"Antigamente, quando não tinham talento para exercer uma profissão iam para artistas plásticos. Hoje vão para deputados, comentadores políticos e jornalistas; e, segundo parece, ganham bastante bem."
14 de outubro de 2010
Tráfico.
"Antigamente, quando não tinham talento para exercer uma profissão iam para artistas plásticos. Hoje vão para deputados, comentadores políticos e jornalistas; e, segundo parece, ganham bastante bem."
24 de janeiro de 2010
17 de abril de 2009

9 de janeiro de 2009
Aforismo # tal: Os estilos nascem dos contextos.
(cena do filme "¿Qué he hecho yo para merecer esto?!", Pedro Almodóvar. 1984)
(excerto do filme "Os Canibais", do realizador português Manoel de Oliveira, 1988)
Em 1980 vivia-se a movida madrilena, que só chegou a Portugal já os anos 90 envelheciam. Eu pedia a vossa atenção, para os textos e contextos de ambos os filmes, separados apenas por 4 anos. É evidente, pelo exposto, que Almodôvar nunca chegará aos 100 anos, nem poderia ter concebido a filmografia que concebeu tendo nascido no Porto e vivido a sua infância à sombra da imagem de crianças descalças a jogar aniki bóbó em plena marginal do Douro. Não, não estou a ser injusto para o "mestre" Manoel de Oliveira, arauto centenário do cinematógrafo luso - sou apreciador dos seus planos obsessivo-compulsivos e dos rasgos de cor. Mas é tão interessante como a representação mostra (seja a p&b, seja a cores) a luminosidade, o desembaraço (ou ausência dele) e o talento imagético de um povo.
17 de novembro de 2008
Ensaio sobre a cegueira ideológica.

Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso
que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.
31 de agosto de 2008
Filmes imperdíveis: Central do Brasil (1998)
Central do Brasil, Walter Salles, 1998, foto via site oficial.15 de janeiro de 2008
Ontem à noite tomei um chá com Mussolini.
Numa vigília nocturna motivada por patologias da época, enquanto vagueava pela programação televisiva, dei com este filme, do qual já ouvira rumores. É uma viagem comovente por uma Europa em guerra mas, em particular, por uma Itália efervescente, a sair da bélle époque e dos loucos anos 20 de que o grupo das Scorpioni - em volta do qual o filme se estrutura - é um excelente testemunho. Através desse conjunto de anciãs britânicas há todo um fio condutor com inúmeras personagens da vida mundana, artística e social da Inglaterra (de uma certa Inglaterra de Virginia Wolf, por exemplo, época ao mesmo tempo promíscua e repressiva). É também um filme autobiográfico, da responsabilidade de Franco Zeffirelli, que, desde Florença, assiste à Segunda Guerra Mundial na pele de Luca, um adolescente com formação inglesa em busca uma carreira nas artes. Conhecendo o percurso do realizador e as suas opções estéticas é implícita a fuga para um certo estilo e um certo período hedonista da História italiana sob administração do Duce (com todas as conotações artísticas e mesmo sexuais que envolvem os regimes ditatoriais da época). Não é uma obra-prima, mas é um bom filme, valendo, sobretudo pela plasticidade do enredo, a fotografia e as belíssimas perspectivas sobre Florença e San Gimignano, - a «cidade das cem torres» - onde o grupo das idosas Scorpioni tenta, numa trágico-cómica sucessão de eventos, salvar os magníficos frescos de Ghirlandaio da destruição pelos ataques, ora dos Aliados, ora dos Alemães.