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17 de janeiro de 2011

I love you, you pay my rent: comentários sobre a banalidade.

Sabe Deus o que me custa comentar notícias em cima do joelho. Bem sei que o ferro deve malhar-se enquanto está quente, mas eu, apesar de descender desta ilustre cepa de oficiais mecânicos, não aspiro, hoje, às artes da ferragem. Por isso, dispenso correr para cronicar sobre factos que a comunicação social atira à cara dos leitores, à espera que o barro pegue e seque.

As presidenciais são assunto que não interessa. Já o disse aqui. De resto não há grande assunto para falar. Os candidatos podem prometer (e prometem) mundos e fundos. Mas a única coisa que farão será cortar fitas, fazer discursos bonitos e limitar-se a cumprir a constituição. Dissolver o Parlamento? Para quê? Isso são resquícios de um anti-parlamentarismo que não combina com a ideia constitucional. Ao contrário do que diz o senhor Cavaco Silva, que faz de homem do povo,  ele não é a aduela no arco institucional da república, nem a sua figura moderadora. O senhor Cavaco Silva é uma criação ideológica. Foi primeiro ministro, conhece muito bem o Estado e pertence ao aparelho partidário do PSD. É um hábil manipulador por detrás daquela imagem de wannabe-salazar, filho do gasolineiro de Boliqueime, pobre e honrado, como o de Santa Comba Dão que o país tanto amou, durante tanto tempo. Não é, nem nunca vai ser o presidente de todos os portugueses; não é minimamente imparcial, nem transmite confiança a uma grande parte dos eleitores. Em república, querer ser aquela figura congregante, paternal, independente, só pode resultar numa aberração, num Frankenstein ideológico. De resto, isto serve para qualquer um dos candidatos, desde o tristemente Alegre vago marxista reformado, até ao tresloucado José Manuel Coelho, que acha que a política é um circo (e, de todos, talvez seja o que está mais próximo da razão). Todos estão vinculados a partidos, a promessas que não podem cumprir e a uma figura que é uma espécie de gato Cheshire: aparece aqui e ali, de vez em quando, sorrindo e soltando proverbiais sentenças que a ninguém interessam.

Este pretenso sistema democrático só funcionaria se cada um de nós pudesse votar em cada um de nós. Se um processo electrónico qualquer permitisse que todos os cidadãos votantes portugueses fossem realmente elegíveis, ainda compreenderia a pertinência do acto. Mas chegar a presidente da república, desconfio, é mais difícil do que ir ao "Quem quer ser milionário".

Depois, não tenho jeito nenhum para comentar crimes. Sou um fã incondicional de Poirot e da sua criadora, mas sou inábil no que toca a deslindar enredos policiais. Como tal, a história de Carlos Castro e Renato Seabra, embora não me passe ao lado e, vá lá, nos coloque a um nível cosmopolita de L.A. ou Miami, não é assunto que me instigue a grandes comentários. Mas a histeria está incontrolável. Eduardo Pitta e Guilherme de Melo vieram logo gritar: a culpa é da Igreja, pelo uterior estado acolitável do moço Seabra, esquecendo-se, porém, que homicidas existem desde o início dos tempos (mesmo antes da invenção da túnica branca de acólito), ou que a JSD de Cantanhede, que já entrou na história pela mão nervosa e provavelmente imbecil de um daqueles cronistas, é completamente irrelevante para aquilatar deste axioma: amor e morte andam sempre de mãos dadas. A hipocrisia de ambos os lados não me surpreende (deve ser do ofício de Historiador, que quanto mais perscruta o Passado, menos se espanta com o Presente): que fosse uma relação desequilibrada, não é preciso ir muito longe e é certo, certinho que o oportunismo faz parte destas simbioses, como a música dos Pet Shop Boys: "I love you, you pay my rent (It's easy, it's so easy)". Mas, por favor, nem endeusem os que partem, nem elogiem os que ficam. Outro crime virá que não olha a sexo, nem idade, que morrer, felizmente e infelizmente, é acto mais democrático do que escolher um presidente para a república.

Dou comigo a pensar como este país é tão pequeno para grande comentários. Ao menos Bernardo Soares fez da banalidade uma obra de arte e Raúl Brandão, com o seu próprio livro desassossegado, o Humús, descreveu para Guimarães, como ninguém, o que podia ser descrito para Portugal -  uma enorme vila, onde mudam apenas os actores. Os diálogos de hoje, esses são iguaizinhos aos de ontem, repetidos, monocórdicos e mesquinhos.E isto não é problemas de uns. Em Portugal, o tal "povo" não tem formação e as elites são mal formadas. E isso é que é trágico...

Também publicado no Aventar.

22 de dezembro de 2010

Palavras a propósito de tantas coisas e de tantas pessoas...

Há blogues que vale mesmo a pena seguir. E esses não têm preço, nem podem votar-se:

"Tudo verdade. O homem é de facto enciclopédico. Inteligente de sobra também. Poderia ser mesmo agradável não fosse a inveja que o corrói. Porque, fama alheia, boas palavras sobre alguém, êxito de amigo, vizinho, colega, ou desconhecido, logo ele empalidece de raiva e azedume.
Aquilo, creio, vem-lhe de família. Descendesse de gente de espírito por certo o apregoaria, mas prudentemente cala que entre os seus é o primeiro sem loja aberta. E é, creio eu, essa herança de lojista que lhe torna a vida um inferno.
Homem do balcão conhece apenas duas molas: a do lucro e a da inveja. Seja o que for, o que vai para os outros é-lhe de facto devido, é seu, não o recebe porque lho roubam."
Tempo contado, do escritor J. Rentes de Carvalho.

8 de janeiro de 2010

A DANÇA DOS BLOGUES

Quem aderiu a essa maravilhosa invenção chamada google reader facilmente desmonta esta dança de blogues: abatem-se uns, abrem-se outros e tudo roda minha gente. Fala-se de tudo e mais alguma coisa, mas sempre do mesmo. 5dias, jugular, Cortex frontal, Albergue Espanhol, 31 da Armada, etc. Eles controlam a opinião blogosférica, que vai sendo alimentada pelos mesmo assuntos, numa regurgitação incessante. Até a comunicação social que antigamente tinha agenda própria lá vai espreitando para o lado, a ver se acompanha o social desta gente que escrevinha até que os dedos lhes doam. Alguns, como certos comentadores do 5dias, já nem têm o que dizem, mas continuam a mexer, como os rabos da lagartixas, depois de cortados. Mas é assim o tempo que corre, quem não posta não existe. A internet está cada vez menos democrática.

30 de setembro de 2009

Mudos & quedos.

Se seguirem com o vosso rato do computador até ao fundo desta página encontrarão um contador de tráfico (live trafic feed) que permite, embora com carácter impreciso, determinar a proveniência dos leitores deste blogue. Entre outros dados, o contador possibilita-me saber, por exemplo, que a maioria dos leitores chega do Brasil, seguindo-se depois Portugal, etc., e que cada um deles aparece cá depois de uma busca em portais como o Google, o UOL, etc. Acima desse contador há um outro que assinala o número de visitas que o Obliviário recebeu desde a sua inauguração. Recentemente ficou a zeros, apagando as 40000 entradas que já tinha, as quais, hoje somadas à presente quantia de 12000, fariam um interessante número de mais de meia centena de milhar de leituras. Os números não são importantes para mim, mas a proveniência dos leitores é, e deixa-me sempre surpreso. Ainda hoje registei a chegada de leitor um natural ou morador na cidade de Cornélio Procópio. Um topónimo desta estranheza assim não podia passar sem um conhecimento mais profundo. Fiz uma busca e fiquei a saber que Cornélio Procópio é um estado brasileiro do Paraná, cujo desenvolvimento se deveu ao caminho de ferro e que, em 1931, recebeu a visita do Príncipe de Gales. Não sei qual o interesse do procopiense (será assim o gentílico?) no meu blogue, mas fico honrado com a sua visita. Volte sempre, espero que tenha gostado! A internet é, de facto, um lugar estranho. Embora este blogue não seja muito comentado recebe uma média interessante de visitas (os dados são recolhidos pelo Google analitics que me informa da subida de uma taxa de visitas na ordem dos 900% no último mês!) e embora suspeite de alguns leitores, adoraria saber quem é o cibernauta (ou cibernautas) que chega(m) aqui de Braga, Lamego, Viseu, Felgueiras, etc etc. Mas a maioria fica calado o que torna este jogo muito menos interessante e às vezes sinistro. Ainda dizem que a internet mudou toda a nossa concepção do mundo. Tolice. O que eu sinto às vezes a escrever neste blogue não é muito diferente do que sentiria um escritor no século XVIII redigindo algo à luz de uma vela e ouvindo a respiração de alguém do escuro que, em silêncio, e sobre o ombro do escriba, pretendia ler o manuscrito. Acerca dos desejos, pensamentos e intenções do leitor oculto nem a internet na sua magnitude actual me pode esclarecer. O suporte é diferente, escritores e leitores os mesmos. Mas tenho um palpite, que as intenções de cada um o não são.

3 de dezembro de 2008

O que são blogues?

"O PROGRAMA QUE SE CEGUE FOI
CONCIDERADO PELA DIRECÇÃO
DE GRANDE VALOR COLTORAL" (*)

Andou por aí uma moda de atribuir prémios aos blogues, em função do seu teor. Quando era ainda vivo O Breviário, este pertinente e crítico blogue ainda chegou a receber uma honrosa medalha de "blog com tomates" atribuído por leitores insatisfeitos (não com o blogue, claro, mas com tudo o resto, em geral). Proponho agora que se lance o prémio "Este blogue é uma seca", que pode repartir-se em prémios superiores ou inferiores, conforme a menor ou maior capacidade para entediar os leitores: "este blogue é uma grandessíssima seca", "este blogue é pior que o Sahara" ou "este blogue é uma seca, mas com monções", etc, etc. § Como instituidor do prémio, atribuo ao Obliviário a primazia da honra, qualificando-o como de primeiríssima seca, aborrecimento dos aborrecimentos, tédio dos tédios, chatice última de todas as chatices. Se não, vejamos: este blogue tem poucas imagens, não é light, nem zen como convém à vida moderna. É ruidoso e em constante actualização. Apoia causas, em vez de resumir-se à introspecção. Aponta defeitos, quando devia elogiar. Não comenta notícias maiores, mas chama atenção para problemas menores. Não quer salvar o mundo, mas começa por querer fazê-lo. Enfim, para que serve um blogue assim? José Adelino Maltez diz que «blogues são coisas como as canetas, os lápis, as escritas, isto é, são simples meios ao serviço de fins, que podem [ser] superiores ou inferiores». § Está certo. Os blogues podem hoje mais do que a espada, como a imprensa serviu nos inícios. Saber filtrar o conhecimento, dirigi-lo e produzi-lo é o primeiro passo para deter o poder. De vez em quando noticia-se o encerramento judicial de um blogue ou de um site pois, de alguma forma, nunca antes uma extensão da inteligência humana foi tão longe - literalmente . se compreendermos a extensão da Rede. Por isso, os blogues não terminarão enquanto gerarem receita (directa ou indirectamente recolhida pelas grandes empresas do capital cibernético) ou enquanto houver necessidade de expressão humana colectiva que pode ser, como o J.A. Maltez referiu e bem, de teor inferior ou superior. Não sei se concorde com o que Pacheco Pereira referiu recentemente num dos programas da Quadratura do Círculo, que 99 % dos blogues são lixo. Penso que a grelha a utilizar para aferir desta titulatura seria pouco flexível e extremamente injusta. Utilizando como exemplo a minha experiência (e já posso contar com mais de 10 anos a ler, comentar e a utilizar blogues) creio que se aproveita 10% de tudo o que se encontra. E encontra-se de tudo, desde blogues de culinária, a blogues de pensamentos, do tipo diarístico, pessoal, fotográfico, etc. § Os entusiastas da Democracia dirão que é a melhor ferramenta para a livre expressão. Concordo. Nem a imprensa definiu um grau tão elevado de liberdade. Mas há coisas más, terrivelmente más, inúteis e injuriosas. O mesmo espaço utilizado para difundir cultura e conhecimento esté eivado de anónimos que de um cantinho da casa expelem acusações, impropérios e desinformação em todas as direcções. Outros ocupam apenas espaço cibernético, sem qualquer função que não seja a de existir... Não cabe a ninguém censurá-los mas caberá, um dia, talvez, às empresas que emprestam os servidores ao seu alojamento, varrê-los deste espaço que, quanto a mim, deve ser útil a todos.
* Vem a talho de foice os interlúdios dos programas televisivos transmitidos pelo saudoso O Tal Canal, que eram apresentados por estas mensagens absolutamente espatafúrdias e terrivelmente mal redigidas. Um pouco como a blogosfera, um imenso reino de trapalhice.

14 de maio de 2008

Reclame!

Não se trata de apelar ao insulto, nem ao conflito, mas há alturas em que devemos reclamar. Fazer ouvir a nossa voz ou colocar por escrito a nossa indignação. Umas vezes para nosso bem, outras para bem de todos. Como cristão e católico, tenho presente que a mensagem de Cristo é de Paz e Amizade, mas até Ele se indignou e, num acto de inusitada violência, expulsou os vendilhões do Templo. Deixou claro que a Deus o que é Deus e a César o que é de César. É uma imagem simbólica do que refere o Eclesiastes, ou seja «que há tempo para tudo», até para discordar. § Infelizmente a sociedade portuguesa está ainda demasiado habituada aos modos da velha Senhora. Tem medo de falar, de ousar discordar. Ou porque precisa de favores do político A, ou porque receia represálias do vizinho, ou ainda porque aceita a conivência, o conluio, a cunha ou o favor político como um acto natural. É preciso acabar com esta rede clientelar que se espalha como um cancro pelo país fora. O Livro Amarelo da internet é um espaço onde pode discordar, concordar ou apenas justificar queixas que todos nós experimentamos no dia-a-dia. Sugiro que o visite e, se necessitar, expresse-se. De que adianta ficar calado(a)?