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19 de agosto de 2011

Destruir, não discutir.

O que se passou em Madrid ontem e anteontem não é uma questão de laicidade. É uma contenda ideológica levada ao extremo por quem, apenas, entende a linguagem da destruição.
Se a Igreja já destruiu? Claro que sim. Infelizmente. Tenta agora construir e reconstruir-se.
Mas aqueles que a acusam, ou que acusam a religião de ser destrutiva fazem-no com pedras na mão.
Do alto da sua arrogância recusam-se entender, discutir ou submeter-se, não à fé, mas à razão.
É que o trágico de tudo isto não é a contestação, mas o âmago da contestação: combater só por recusar servir, só pela ideia de que existe um inimigo tradicional (em suma, a autoridade) que é necessário destruir, retira qualquer validade ao acto.
De resto, se perguntássemos a algum daqueles jovens que exibiam símbolos e objectos de ódio contra a Igreja ou o Papa o que estava ali a fazer, talvez tivéssemos a constatação de que muito daquele discurso se fundamenta sobre areia...
Não auguro um futuro brilhante para esta juventude que se empenha em destruir em vez de construir.

27 de dezembro de 2009

O ódio por simpatia

Parece que há no facebook um grupo de fãs da mulher que, na indiferença da sua patologia, tentou abraçar o Papa Bento XVI. De um e do outro lado das consciências, aplaudem-se atentados, ou tentativas frustradas de atentados, e isto de uma forma tão vã, tão impensada e tão irracional que a tolerância está cada vez mais longe da dialéctica entre o gostar e não gostar. Nós podemos ser do A ou do B, estarmos certos ou errados, querer o bem ou querer o mal, mas nunca nos devemos esquecer de que a violência é a pior forma de alcançar a razão. Porque é destrutiva para quem a deseja, quem a executa e quem a recebe. E sobretudo aqueles que tantas vezes se arrogam a causas maiores de defesa dos animais e dos menos favorecidos, para quem a Ética é o deus maior, não deveriam, nunca, desejar ou congratular-se com a destruição do seu semelhante. O valor da vida, da dignidade e da integridade humana é uma das conquistas da contemporaneidade. Estamos a regredir e a assistir à eclosão de um novo ódio: o ódio por contágio, o ódio por simpatia, o ódio sem sentimento. Porque odiar, hoje, não deriva de uma pretensa razão, se não de um acto banal de servilismo perante desejos aleatórios e anónimos.

24 de novembro de 2008

Tradição ou ódio de estimação?

Enviaram-me recentemente este vídeo. Segundo a mensagem que o acompanhava, terá sido censurado ou impedida a sua transmissão na televisão. Toda a acção é francamente violenta: um grupo de jovens (na sua maioria) apedreja outra jovem. A lapidação é acompanhada por um texto que compara a situação à das touradas. Ponto 1: que eu saiba nunca foi tradição em Portugal o acto de apedrejar pessoas. Quando muito houve actos espontâneos ou premeditados (mas pontuais) de violência dirigidos a indivíduos ou grupos de indivíduos em contextos específicos de crise (ex. o Pogrom de 1506 contra judeus de Lisboa). Nunca, felizmente, se fez tradição disso. Aliás, frequentemente, da boca de muitos fanáticos se compara a tourada e os touros de morte às sentenças da Inquisição. Novo erro (gravíssimo), novo anacronismo: nunca os actos decorrentes da acção do Tribunal do Santo Ofício resultaram em transmissão geracional de processos e actos miméticos com vista à preservação de conhecimento vital à construção identitária ou ao impedimento da desestruturação do sentido de comunidade. Em alguns casos, bem conhecidos, como no do Porto, no século XVI, nos autos de fé onde se lançaram condenados à fogueira, houve uma reacção de repulsa que testemunha bem a condenação popular deste tipo de actos. O que me leva ao ponto 2 de análise deste vídeo: colocar na mesma linha de análise o sofrimento humano e o sofrimento animal é demagógico e irracional. Abomino a violência prepertada contra qualquer ser vivo: a prova disso é que acolho em minha casa animais que recolhi da rua e não por vaidades ou modas, mas não suporto este tipo de campanhas. Em alguns locais da Europa e dos Estados Unidos da América há mais dinheiro gasto com animais domésticos do que com desalojados ou pobres. É esta a mensagem que queremos fazer passar à humanidade: que escolha entre os animais e o seu semelhante? A questão das tradições dos touros de morte e das touradas é mínima (e, repare-se, não defendo estas práticas, nem sou seguidor das mesmas) quando comparada com a violência dirigida a animais domésticos e outros. Então, porque não salvamos os frangos de aviário, mortos para consumo; os cães horrivelmente mutilados que se encontram nas sarjetas, por todas as estradas deste país; os patos alvejados para gosto de uns e outros; os lobos perseguidos, as serpentes mortas por simples ofiofobia! Não? Fazer uma campanha deste género para passar uma mensagem de ódio é digna de alguém menos carinhoso do que um animal...irracional.