Primeiro hesitei: existirão, realmente, 80 historiadores em Portugal? Depois, reflecti e, embora contente com a descoberta, pensei melhor: Portugal tem apenas 80 historiadores ? Como não tinha a certeza do rácio entre historiadores e população no resto da Europa quedei-me reflexivo sobre o assunto. Não obstante este meu monólogo, discerni que a movimentação dos 80 historiadores portugueses quanto à abolição dos feriados 5 de Outubro e 1 de Dezembro só podia ser uma cartada de mau gosto neste jogo político em que o nacionalismo é o Ás de copas que estimula desde as bancadas parlamentares do Bloco ao CDS e o cidadão comum. Se existem 80 historiadores em Portugal capazes de defender algo tão puramente simbólico e bairrista como dois dias do calendário nacional, onde estavam eles quando foi necessário defender a qualidade da investigação histórica, falar alto contra a diminuição do ensino da História no plano educativo nacional ou, mais recentemente, tomar atitude enérgica contra a perda de autonomia dos Museus Portugueses que muito em breve serão entregues a comissões de gestão regionais dirigidas por bur(r)ocratas de chinelo? Enfim, onde se escondem estes 80 historiadores nos restantes 363 dias do ano?
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11 de fevereiro de 2012
8 de dezembro de 2009
Dez milhões de monarcas.
Entretanto, dizem-me que haverá um recital de Natal no Paço de Vila Viçosa, «sendo utilizado para o efeito o Piano John Brinsmead & Sons, oferta de casamento da comunidade britânica residente em Lisboa para os Príncipes D. Amélia e D. Carlos». Desculpem parecer tão extremista, mas estas coisas enojam-me. Anda o país em bicos dos pés a comemorar e a exaltar os valores desta República quase centenar, podre, corrupta, sem ética e com muito pouco(s) valor(es), e de todos os lados saltam «comemorações régias»: lançamentos de biografias e conferências para onde confluem hordas de historiadores-detectives empenhados em descobrir o lugar de nascimento do primeiro rei deste país (que, por acaso, só por «acaso», até lhe deve a existência). Mas se perguntarmos a um destes senhores que vão a concertos de pianos outrora régios ou que dão muita importância a berços reais, o que acha do regime monárquico dirão que é um regime caro, despesista e moralmente indigno para uma sociedade moderna. A tão poucos se aplica, como aos portugueses, a expressão «ter o rei na barriga». Não queremos reis porque somos todos reizinhos, monarcas absolutos do nosso mundinho.
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