5 de setembro de 2012

O fanatismo das "boas" causas.

Já tenho comprado brigas que não eram minhas e jurei que não ia comprar mais esta, sobretudo por não ser aficcionado, nem ter qualquer tipo de afinidade com touradas, lutas de cães ou galos ou práticas do género. Mas não me identifico, minimamente, com a onda de loucura que se tem abatido sobre as cabecinhas do mundo burguês, ocidental, que dorme, come e bebe bem, sobretudo porque vive num universo falso e completamente irreal - aquele em que o animal é o centro do mundo. Para esta gente que, repito, não tem consciência nem da evolução humana, nem respeito por ela, os animais devem ser deixados à sua mercê, intocáveis e, claro, fora da cadeia de alimentação. Há graus de insanidade que vão desde a não-acção (o que implica viver deitado e mastigar ervas e raízes a vida inteira) até à glorificação de todas as espécies, como portadoras de sensibilidade, o que significa existir praticamente como um morto, buscando nutrientes no ar e no vento, para utilizar uma expressão popular. 
Devo dizer que a maior parte desta gente é completamente a-social. Os amigos são os bichos de que se rodeiam, na rua ou em casa sendo incapazes de levar até ao fim qualquer tipo de relacionamento saudável, pelo simples facto de que o animal está sempre em primeiro lugar. Conheço alguns casos e é por isso que falo com tanta certeza.
A ideia de que podemos viver um mundo de coexistência harmoniosa, homens e animais é, claro, absurda. Para quem conhece as noções darwinianas, só os fortes podem prosseguir. Ou seja, na evolução das espécies ou se come, ou se é comido. Se a espécie humana é a mais forte, com certeza todas as outras se lhe submetem. Eu sei que há milhões de estudos e "investigadores" interessados em provar a sensibilidade dos bichinhos e das plantas, o sofrimento, a tristeza, mas só esta ideia de humanizar os animais é profundamente assustadora. E claro, terrivelmente egoísta e etnocêntrica. Tentem convencer um povo faminto a não tocar num animal. Falem-lhe dos sentimentos e do sofrimento do bicho. O ouvinte, de barriga vazia, achará que está a ser desrespeitado. E está. Eu, que tenho animais e que não sou indiferente às suas necessidades, pergunto-me por vezes, quando compro latas de comida para o meu gato ou cão, se não estarei a ser injusto para o meu semelhante que, algures, nem água potável tem para beber.
Isto a propósito da triste cena que se passou recentemente na Murtosa, Ovar, à porta de um espectáculo tauromáquico. De um lado as habituais fantochadas: meia dúzia de neo-hippies com cartazes, do outro, a infeliz reacção de um cavaleiro com arremedos marialvistas.
O discurso de uns e outros foi ainda mais triste: desde as desculpas esfarrapadas do cavaleiro até ao discurso desconexo de um grupo de pessoas, uma parte delas do estrangeiro, que veio ali manifestar-se só porque sim. Este tipo de caso que alguns consideram fracturante é irresolúvel, porque nasce do fanatismo. Sim, faça-se um referendo para terminar com as touradas. Ganham os vegetarianos, os vegan, os "amigos" dos animais, mas isto não será a derradeira luta. No dia seguinte virá o fim dos aviários, dos circos, do consumo de carne e de peixe como foi recentemente abordado por uma teórica-da-vida-feliz-dos-animais que considera o oceano um imenso aquário que devemos admirar.
Confesso que estou farto destes discursos e temas fracturantes, fragmentos de uma minoria cujo pensamento medíocre não vai além da concepção de "fofinho". Da mesma forma que não gosto de touradas, não tenho o mínimo apreço por gente histérica que vai gritar para a porta de praças de touros. Chegamos a um tempo em que o abismo não é uma construção metafórica e perder tempo com este tipo de assuntos devia ser considerado crime.

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