13 de agosto de 2012

Postais da terra #1

Não creio que nesta terra se fale em demasia. Ou seja, mais do que noutros locais onde os divertimentos existem apenas ocasionalmente, e a vida se regra pela mais absoluta monotonia. É claro que, chegando o verão, o calor abre a boca e as noites quentes propiciam a discussão. Não há, como antigamente, um local para se entregarem ao deleite da maledicência, do diz-que-disse. Podiam fazê-lo em casa (alguns fá-lo-ão com certeza) mas quando se reúnem em grupos maiores que dois desfiam o que consideram ser os males dos outros. O eixo do falatório deslocou-se do largo da capela para o da antiga ramada, que os vizinhos arrancaram por que lhes estorvava a circulação automóvel. Hoje, sem o refresco da sombra, ou a protecção da folhagem, jogam à malha e falam, às vezes baixo (quando o assunto diz respeito a quem mora mais perto) ou alardeiam quando a verbe trata de gabar os do círculo. Essencialmente de Lisboa, mas de outras regiões do país, vão chegando às mancheias velhos e novos desejosos de falar alto. Talvez para afastar o medo das noites silenciosas e pacíficas...

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