15 de agosto de 2012

Mais uma fregueziazinha, mais um municipiozinho, mais uma voltinha.

O "conselho" da Troika sobre a extinção de unidades administrativas intermédias e menores (municípios e freguesias) peca por tardio. É óbvio que um país não pode permanecer imutável nas suas instituições, pelo simples facto de que não é demograficamente imutável, nem a geografia permanece intacta, sobretudo face à multiplicação de vias de comunicação. Ora, se por um lado o planeamento urbanístico e os PDM's facilitaram a criação de paisagens esquizofrénicas, onde estradas começam e acabam em lugar nenhum, ou casas térreas são ladeadas por torres de 5 andares, também é certo que a desertificação do interior moldou um país socialmente litoralizado. O bairrismo dos últimos 100-150 anos, desde o última período de reorganização administrativa do liberalismo lá foi dando força a certas comunidades, mas é simples folclorismo, misturado com laivos futebolísticos e estranhas rivalidades como a de Crestuma-Lever. Os elementos PSD, useiros e vezeiros em demonstrar que o dizem hoje, mesmo que diametralmente oposto, é herdeiro do que disseram ontem, vieram apoiar a medida, mas só na sua concretização mais suave: acabar com algumas centenas de freguesias. Estava bem de ver que o regabofe que o PSD apoiou há uns anos para criação do concelho de Vizela, da Trofa e outras quejandas pepineiras para dar lugar a mais autarcas do partido, mais coutadas políticas e mais despesismo, não é compatível com arrojos reformistas. Não só há freguesias a mais, como existem demasiados concelhos, presos a clientelas partidárias - as mesmas que agora patrocinam e organizam manifestações contra a extinção das respectivas prebendas, misturando-lhe o espectro da desertificação, do abandono de serviços e da distância ao poder. Desertificação? Abandono? mas existem milhares de freguesias e centenas de concelhos há quase dois séculos e o país encontra-se desertificado, as aldeias abandonadas e tudo quase em  bancarrota. Porque nos não salvaram os prolíficos autarcas?

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