13 de junho de 2012

Um tipo de feudalismo

Hoje, no Combustões, o Miguel CB escreve:

No fundo, as pessoas são, na generalidade, muito pouco interessadas na política. Querem ser reconhecidas, querem que as estimem pelo que valem e estão sempre dispostas a seguir o rumo que os acontecimentos indicam. O estar bem com o tempo tudo permite. Anteontem salazaristas, ontem comunistas ou socialistas, hoje seguidores do governo, amanhã, quem sabe, incondicionais do general que por aí virá mais tarde ou mais cedo.

É engraçado que o faça no dia de Santo António, taumaturgo que primeiro ingressou nos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e depois os trocou pelos Franciscanos. Esta coisa da adesivagem, tão disseminada entre 4 e o 6 de  Outubro de 1910 deve estar relacionada com o tipo de vínculos que há séculos rege a sociedade portuguesa, vertical e horizontalmente: o clientelismo. No fundo, todos dependem de alguém de tal forma que caindo um os outros o seguem. Ou subindo na escala social o padrinho de muitos, alguns o acompanharão até ao céu. No país onde o feudalismo não teve expressão, criou-se um vínculo mais forte, misto de lealdade hipócrita com temor e servilismo.

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